Representatividade negra: professora Cátia publica conto

Para difundir cada vez mais a cultura negra na literatura infantil e juvenil, a professora de Língua Portuguesa, Cátia Pereira, teve seu conto “A descoberta de Jurema” publicado no livro “Eu, curiosa?”, da Coleção Besouro, desenvolvida pelo Coletivo Literatura Suburbana.WhatsApp Image 2018-04-19 at 13.51.23

O livro é o 7.o volume da coleção que tem como principal ideia convidar autores negros para escrever contos infantis e juvenis que representem a cultura negra. “Eu, curiosa?” também será distribuído em diversas escolas e bibliotecas para que as narrativas cheguem ao maior número possível de estudantes.

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O conto traz a história de uma menina negra chamada Jurema que adora pesquisar palavras no dicionário. Tudo começa quando ela é desafiada a achar o significado de seu próprio nome, descobrindo mais sobre a sua própria cultura.

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“Na minha infância, não havia representatividade. Poder escrever sobre a minha cultura é extremamente gratificante e necessário. Nós, negros, podermos falar por nós mesmos é uma conquista”, ressaltou a professora sobre a importância de escrever um conto para crianças negras.

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Para a sala de aula do Band, Cátia lembra que experiências como essa agregam diferentes perspectivas para os alunos. “Aqui eu sou uma voz que abre espaço para outras falas e escutas. É algo necessário para que eles enxerguem outras realidades”, explicou ela.

Não sei que gênero é esse parte 1

Minha voz me resume. Ela é grossa, feia, e as vezes pode assustar as pessoas que não me conhecem. Por outro lado, ela é vigorosa, não se dobra a ninguém e é impossível de ser ignorada. Ela é como uma grande tempestade de verão: você pode amá-la ou odiá-la, mas nunca ser indiferente. Eu também sou assim. Quando eu conheço uma pessoa, não quero ser aquele colega chato para conversar por cinco minutos para as pessoas se anestesiarem da dor de ficarem em silêncio. Eu quero ser um tsunami, a tempestade que não avisa a chegada, entra sem bater e de repente já tomou conta de toda a casa. Quero ser o ataque do time invencível que troca passes sem que a defesa do medo e da proteção sequer tenha tempo ou coragem de reagir. Algumas pessoas gostam de evoluir relacionamentos aos poucos, como um castelo de cartas que vai sendo meticulosamente construído, carta por carta. Eu quero relacionamentos loucos, que durem exatamente o quanto precisarem durar, mas que sejam reais, indiscutivelmente reais. Eu quero ouvir seus medos, seus sonhos, como você ri daquelas piadas sem graça que são feitas na frente da sala e que o professor deseja se matar só de ouvir menção a elas. Quero seu abraço, seu “Parabéns!”, e também suas lágrimas de tristeza e confusão. Vamos ser reais. Eu garanto que vai ser divertido.

 

Sérgio André Cristovão, ex-aluno 2017

PERMISSÃO

Meu bem, a vida é arte
E dela faz parte
Olhar em seus olhos
E recitar um poema.
A vida é arte descrita no papel,
Imitada na novela, colorida pelo pincel,
Fazendo de cada momento
A mais bela cena.

Em nome da arte tudo pode ser feito:
Artista que é artista bate no peito,
Amparado pela liberdade
De expressão.
Na arte somos todos livres;
Natureza morta que sobrevive
Borrada na tela da intolerância
Ou vaiada no palco da incompreensão.

Meu bem, a vida é arte pura…
Deus salve a loucura
Dos seres renegados
Pela sociedade.
Deus salve o concretismo do poeta maldito,
Aquele que ilustra as chagas de Cristo
E aquele que ousa ultrapassar os limites
Da própria sanidade.

Na arte, tudo pode ser admitido:
Grafiteiro, a quem prefeitos chamam de bandido
E prostituta, letrada na vida,
Publicando autoajuda.
Na arte somos todos profetas:
Artesãos, bailarinos, pintores, poetas,
Atores no palco do mundo, atuando
Para uma sociedade bicuda.

Meu bem, a vida é uma arte maluca…
Mas nem todo artista pode levar a culpa
De quem quer empurrar goela abaixo
A sua inconformidade tão nua.
Mas esqueçamos essa conversa obscena,
Pois só quero olhar em seus olhos e recitar o poema
Que fiz, segurando em sua mão
Enquanto andávamos pela rua.

Pois na arte, assim como na vida,
Nenhuma molécula fica perdida
No espaço litúrgico
De toda a criação.
Meu bem, na arte tudo é permitido,
Inclusive fazer poesia numa manhã de domingo,
Inclusive ser arte nas ruas da vida
Enquanto seguro em sua mão!

 

Wanderley, inspetor

O Silêncio

Em meio a tantos pensamentos

Um turbilhão de lindos sentimentos

Tanto para falar, dizer e mostrar

Tudo que consigo é o triste calar

 

Voz que me abandonas agora

Saia! Mesmo que com demora

Diga aquilo que deve ser falado

Antes que o tempo se tenha acabado.

 

A voz calada que som não tem

Imploro que seja escutada por alguém

Não me deixe ir sem te falar

Que o sentimento que sinto é o de amar.

 

Werther, 3C

09/08/2017

esta é uma carta de despedida.

passei meses juntando coragem pra te escrever novamente, e você sabe o quanto eu costumo ser boa com palavras. acho que estava com medo de te dizer tchau e me desapegar dessa coisa intensa que foi a gente, beija-flor.

hoje, quando lembro das tardes passadas sentados no meio fio, meu coração já não se acelera a ponto de quase pular do peito, mas meu peito se enche de calma, sensação que relembra a de missão cumprida. ao passear pela grande Avenida Paulista, meus olhos já não buscam seu rosto, beija-flor, em cada sombra que entra em meu caminho, e o gosto de cigarro na minha boca não traz nenhuma lembrança, sem ser a de que eu vou me matando aos poucos, como sempre fiz.

é como se você nunca estivesse estado aqui dentro, mesmo que eu saiba que esteve. porque, beija-flor, eu sou quem sou hoje por conta de seus amores e vacilos, e também por todas as vezes que você não quis saber da minha existência.

hoje, você existe longe, em outro lugar que não os mesmos de sempre. me traz tranquilidade saber que nossa presença estará eternamente gravada naquele banco de praça, servindo de cenário para outras histórias de amor, como a nossa foi.

agora você voa livre, beija-flor, e eu não espero que cante pra mim outra vez.

 

Paula Samara, ex-aluna 2016

Exploração de fé

Sentimento nada nobre
Quando se descobre
Escravo da palavra!
Vis são as folhas de papel
Um vazio e branco fel
A esta pena tornei-me fiel
Escravo que tem amor ao seu senhor
Um senhor que não manda, ladra
Um grito agudo, mudo
Que pelo peito se alastra
E que só há de cessar
Quando uma injeção de tinta me anestesiar

Sophia B. Costa, 3I

Um final diferente

Um final diferente para nós

Um final diferente para mim

 

Terminamos, acabamos

Mudamos e, nos afastamos

 

Continuo te amando

Sei que o mesmo sente

Por que então não pega um lápis?

E cria um final diferente

 

Um final bom

Um final feliz

 

Um final que fique em nossos corações

Um final que não mude nossas ações

 

Um final juntos

Um final conosco

 

Por que não tenta?

Não mais me ama?

 

Prove! Sinta!

Deixe-se levar!

 

A primavera chegou

É hora de deixar para lá

 

Um final bom

Um final diferente

 

Mas se não mais me amar

Não posso mais tentar

 

Não posso mais fingir

Encenar

Mudar

E implorar

 

Porque quando um não sente

Dois não amam

 

Talvez seja melhor assim

Talvez nem precise de mim

 

Um dia irei voltar

Um dia nós iremos voltar

 

Aguarde, lembre de mim

Porque seu coração tem meu nome

E não vai ser uma simples borracha

Que vai me apagar, me tirar de lá

 

E, se não o fizer

Vai ficar com meu nome para sempre

Sem poder me tocar

Sem poder me abraçar

 

A escolha é sua

 

Crie um final melhor

Um final bom

 

Sem medo de julgamentos

Sem medo das diferenças

 

Por que se não o fizer

Vou ter que te deixar partir

Te abandonar

Te esquecer

 

E então?

Vamos ter um final diferente?

 

Beatriz Soárez, 8F