Lambe-lambes: dando voz aos “invisíveis”

Com o tema da invisibilidade urbana (personagens e situações que passam desapercebidos no cotidiano da cidade), os alunos do 2.o ano do Ensino Médio da Oficina de Mídias produziram micro-crônicas e as adaptaram a um dos produtos mais marcantes da arte na cidade: os lambe-lambes.

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Na Oficina de Mídias – atividade curricular de Língua Portuguesa – , os estudantes devem criar um produto por semestre que envolva a língua e sua aplicação na comunicação. Dessa forma, no primeiro bimestre, divididos em grupos, eles mergulharam no tema invisibilidade urbana garimpando  crônicas, fotos e informações das mais variadas para a criação de um painel de referências.

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Cada grupo, ao seu jeito, usou do painel para capturar a “atmosfera” que queriam passar nos lambe-lambes no segundo bimestre. Criaram então uma micro-crônica, ou seja, um texto de até três frases, que foi levado para linguagem dos cartazes. Por fim, os alunos colaram os lambe-lambes em um dos muros internos do Colégio – lá os produtos atraíram olhares em meio ao cotidiano de estudantes, professores e funcionários.

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“O projeto envolveu tanto criatividade quanto responsabilidade para lidar com tempo, forma e linguagem. É muito bom ter contato com um produto e uma escrita tão diferentes e inovadores”, contou a aluna Nicole Grossmann, da 2.a série do Ensino Médio.

Filmes: uma forma diferente de aprender

Após a leitura do livro do bimestre, os alunos do 8.o ano do Ensino Fundamental apreciaram um novo olhar sobre as histórias lidas: filmes baseados nos livros. Para as aulas, os alunos puderam escolher – dentre três opções – o livro que mais gostariam de malalaler e, para complementar a imersão na obra, foram exibidos os filmes “Eu sou Malala” e “Sal da Terra”, baseados em duas das opções dos alunos.

Em “Eu sou Malala”, tanto quem havia lido o livro de mesmo nome e quem tinha escolhido outra opção puderam acompanhar o documentário que conta a história de Malala Yousafzai. Ganhadora de um Nobel da Paz,  a garota ativista se tornou uma das figuras mais conhecidas no mundo por causa de sua luta a favor da educação de meninas em seu país, o Paquistão, que até então era controlado pelo Talibã.

Em outra sessão, os alunos acompanharam um pouco da história do fotógrafo Sebastião Salgado e o sal da terraseu projeto “Gênesis” sobre lugares e civilizações inexploradas do planeta no documentário “O sal da Terra”, baseado no livro “Da minha terra à Terra”. Como o filme explora muitos aspectos geográficos, o Professor de Geografia, Pedro Paulo Coelho, também esteve presente para apresentar aos alunos uma visão geográfica do filme.

O evento organizado pelas professoras de Português do 8.o ano, Lenira Buscato, Cátia Luciana Pereira e Grasiela Leite, representou uma forma divertida e nova de travar contato com as obras. “Acho que eles conseguiram visualizar o que leram. Muitos ficaram muito emocionados e percebi que causou um impacto”, comentou Lenira. A professora ainda destacou que os filmes se passavam em lugares pouco conhecidos pelos alunos, como a África e o Paquistão. “Foi uma oportunidade para eles descobrirem novas realidades de lugares que não são parte do cotidiano”, concluiu ela.

Mia Couto conta como a educação transforma vidas

Em suas tocantes palavras, o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto (pseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto) dividiu experiências no Band para refletir, junto a alunos e professores, como a educação pode ser transformadora.

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O escritor contou momentos de sua história para dar exemplos sobre como professores o influenciaram. “O Mia Couto é muito observador e sensível. Nos fez lembrar que todos temos histórias para contar. Ser educador é um pouco disso. Sempre temos que ensinar com amor, enxergar além do superficial e ver em tudo uma possibilidade de aprender”, acredita o Coordenador de Matemática, Carlos Oliveira.

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“Cada palavra saia da boca dele me deixava fascinado. Quando ele falou de Fernando Pessoa e a busca pelo conhecer do seu eu e da paz interior eu fiquei sem chão, me identifiquei. Os momentos emocionaram todos”, destacou o aluno da 3.a série do Ensino Médio, Pedro Salgueiro.

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Mia Couto ficou impressionado com a conversa no Band. Como ele mesmo mencionou “os professores não usurparam a palavra do aluno”. A afirmação reflete um valor fundamental do Colégio: os alunos são protagonistas de seus aprendizados.

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“Acho que fica a ideia de que as pessoas devem cultivar mais empatia pelo outro. Isso se aplica também na relação dos professores com os alunos”, contou a Coordenadora de Português, Susana Vaz Húngaro.

Considerando também a vinda de Pepetela (pseudônimo do escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), a conversa com Mia Couto reforçou o contato dos alunos com a cultura africana, estimulando-os a conhecer cada vez mais sobre países também falantes do português.

Angola é aqui: Pepetela no Band

Ao conhecer o autor de Mayombe, Pepetela (pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), os alunos do Ensino Médio se encontraram repletos de perguntas a respeito da vida e luta do escritor que, ainda na década de 60, se juntou ao MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola). Toda essa experiência foi o que deu vida à obra “Mayombe”.

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Essa foi a segunda vez que Pepetela veio ao Band. Nesta conversa, o foco dos alunos foi descobrir mais sobre a vida do escritor, sua luta na guerrilha para tornar a Angola um país independente e as questões políticas atuais do país. “Foi muito incrível ouvir as histórias que ele tinha para contar. Eu gostei muito que ele falou sobre como a guerra mudou quem ele era, como pessoa. Ouvir alguém que realmente viveu isso foi diferente”, destacou a aluna da 3.a série do Ensino Médio, Júlia Oliveira.

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Em 2016, “Mayombe” representou uma das mais significativas mudanças no vestibular brasileiro: o livro foi adotado para a lista da FUVEST. Esse foi apenas um reflexo das relações já existentes entre a literatura brasileira e a africana.

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“A vinda do Pepetela reforçou esse vínculo. Durante todo momento, o Pepetela deixou claro que estava feliz por saber que estudantes do Brasil, por causa do vestibular, estavam tendo contato com a literatura africana”, contou a Coordenadora de Português, Susana Vaz Húngaro.

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“Eu não tinha muita noção de que o Brasil e a Angola estavam tão integrados. Depois de ouvir o Pepetela falar sobre como os autores brasileiros o inspiraram, me senti muito mais motivada a buscar livros e conhecer a cultura de um país que tem tanta história compartilhada com o nosso”, concluiu a aluna Júlia.

Para além da leitura

As páginas do livro A bailarina fantasma, de Socorro Acioli, foram saboreadas com avidez pelos alunos do 7.o ano do Ensino Fundamental que, após semanas mergulhados no universo dos personagens, puderam conversar com a escritora. A obra foi aderida como leitura do segundo bimestre e, com a visita, os alunos ampliaram seus conhecimentos a respeito da história e do mundo da escrita e leitura.

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Logo cedo, cerca de 50 alunos já estavam à espera de Socorro Acioli. Empolgados, encheram a escritora de perguntas sobre a pesquisa do livro, criatividade, possíveis interpretações, personagens e momentos favoritos.

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A autora contou aos alunos muitas curiosidades que descobriu enquanto ainda dava os primeiros passos na pesquisa. Muitas delas deram um novo tom a obra, expandindo ainda mais o universo criado por Socorro e ampliando os significados que rodeiam a história.

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“Foi a primeira vez que eles conheceram uma escritora”, contou Michelle Miranda, Professora de Português. Para ela, foi uma ótima oportunidade de estimula-los não apenas a ler como também a escrever, já que Socorro falou sobre criatividade e o processo de escrita. “O livro e a história representam algo que eles nunca vão esquecer e a conversa com a autora de um livro que eles gostaram tanto reforçou isso”, completou Michelle.

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A aluna Anna Beatriz Vaz Húngaro, do 7.o ano, destaca que está animada para ler a continuação do livro. “Gostei bastante da conversa, principalmente da parte que ela falou de como escreveu o livro da Bailarina Fantasma. Fiquei ansiosa para ler a continuação que ela está escrevendo”, contou Anna.

Memórias póstumas de um vestibulando

Ao corretor
que
primeiro roeu as frias folhas
de minha prova
dedico
como saudosa lembrança
estas
Memórias Póstumas.

E, claro, também aos
indispensáveis amigos,
inigualáveis mentores,
inesquecíveis professores.

Um ano.
Mil planos.
Vários livros.
Um objetivo.

Missão cumprida.
Volta à casa.
A grande fadiga
mais que bem retribuída.

O acaso favorece quem se prepara.

Carpe Diem.

Miguel Sarraf, ex-aluno 2016

Concurso Fernando Pessoa 2017: Edital

Participantes: alunos da 3ª série do Ensino Médio;

Gênero textual: livre, em prosa ou poesia (poema, conto, crônica, ensaio, diálogo, carta…). A única exigência é que o tema seja relacionado ao poeta e/ou seus heterônimos;

Limite de tamanho: até duas páginas;

ATENÇÃO: os textos NÃO devem ser identificados com o nome do aluno, apenas com seu login (número de matrícula) e devem ser enviados pelo e-mail do Band para palavrarte@colband.com.br;

Seleção: a comissão julgadora será formada pela equipe Palavrarte e outros professores de Português. Serão levados em conta os critérios:
• Coerência em relação ao tema;
• Articulação entre aspecto da poesia pessoana escolhido e estrutura;
• Originalidade;
• Expressividade;

Premiação: os três primeiros colocados serão premiados com livros do autor, no dia 06 de setembro (último dia de aulas do terceiro bimestre);

Data-limite para o envio dos textos: 14 de junho (último dia de aulas do segundo bimestre)

Todos os textos selecionados serão publicados no blog.

Esperamos seu texto!
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Anoitecer

Cada raio de luz
Aos poucos se desfaz
O branco vira vermelho
O vermelho vira azul
E o azul fica negro.
O negro é tão escuro,
Não vejo nada…

Então brilha a lua,
Pálida, solitária.
As estrelas consolam
Seu triste choro,
Brilhando fracas,
Em uníssono com a
Mãe, em vão.

As luzes se apagam,
A cidade dorme.
Vagam à noite
Apenas os fantasmas,
De tempos alegres
E eles festejam
Ao som do jogral embebedado.

Canta o jogral
Sobre as alegrias passadas,
As mulheres amadas,
As dores causadas,
À vida, à morte!
Um brinde ao amor!
Um brinde ao ódio!
Afinal, do que seríamos nós
Sem nossos sentimentos?

E nossos tormentos?
Do que somos feitos,
Além de tormentos?
Que tormentos?
Estamos tão alegres,
E a noite é tão linda…
Tomemos então
Esse delicioso vinho…

E aos poucos,
Tudo fica mais claro e
Volto a enxergar.
O negro volta ao azul,
O azul volta ao vermelho
E o vermelho vira branco
E surgem então os primeiros raios de luz.

Marcelo Victor Nigri, ex-aluno 2016

Cinzas

Abriram a janela do quarto, e lá estava a cama do céu com o mar.

Naquele dia de céu frio, o sol decidiu não aparecer detrás das nuvens.

A única luz era a do farol. Fantasmagórica, seca e cada vez mais distante.

As ondas quebravam relutantemente na madeira gélida do pequeno veleiro a sair sem rumo…

O mundo era frio, a não ser pelo beijo demorado dela, destoante da imensidão cinza de céu e oceano.

Contra a corrente que empurra tudo para um passado fincado em terra firme, os dois seguiam à mercê do vento que espalhava todas as promessas e suspiros pelo alto-mar.

Alto-mar, esse, que todos só sabem que sonham em conhecer após abrirem a janela depois de acordar e lembrarem-se daquilo com o que um dia foi sonho.

Pedro Forbes, ex-aluno, 2015

A primeira viagem

Para mim, não existe expressão mais certeira do que aquela que diz “mãe de primeira viagem”. Mas engana-se quem imagina aquela viagem com roteiros predefinidos em que sabemos exatamente o que nos ocorrerá em cada momento da trajetória e que culmina no estado mais profundo de êxtase.
A felicidade materna é uma conquista num percurso de viagem, que às vezes nem passou pela cabeça do viajante fazer. Nos deparamos com um lugar desconhecido em que se fala outra língua. Para alguns, a adaptação é fácil, para outros, é mais difícil. Depende do quão desconhecida e diferente é essa realidade nova e do quanto estamos dispostos a mudar.
Mas é certo que todos nos transformamos nessa viagem. Ela muda, para sempre, nossa visão sobre o que é descanso, sono, lazer, até mesmo banho e alimentação, mas principalmente sobre o que é ser feliz. De repente, um simples passo daquela criaturinha ou uma palavra banal pronunciada de forma inesperada geram tanto ou mais euforia do que a mais deslumbrante das paisagens.
Nessa jornada, como um viajante perdido na selva, procuramos nossa bússola, mas ela não existe no mundo concreto. O caminho é guiado pelo coração, que, por melhores que sejam as intenções, nem sempre acerta. Buscamos respostas no passado, “será que eu também era um bebê que acordava muito à noite?”, e, com elas, refazemos nossa identidade. E ao ver aquele serzinho nos imitando, refletimos sobre quem somos e quem queremos ser dali em diante.
A maternidade é uma das viagens mais transformadoras que existe! E não importa quantos filhos se têm, é sempre uma experiência excepcional. Aproveito, então, para desejar a todas as mães de primeira, segunda, terceira ou mais viagens uma linda trajetória!

Grasiela, professora de Português