Sarau de poesia dos 9.os anos

A manhã de sábado do dia 02 de setembro reuniu no Band alunos e professores para mais um sarau multicultural com muitas poesias, músicas, canções, paródias e haicais, todos apresentados com imensa alegria e sensibilidade. Anualmente, o evento marca a finalização do trabalho com o texto poético, realizado pelos professores de Redação e Textos ao longo do segundo bimestre. Durante o encontro, os alunos dos 9.os anos declamaram seus próprios poemas, elaborados durante as aulas, e também poemas do poeta homenageado deste ano, Ferreira Gullar.

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No telão, foram apresentados os trabalhos do Projeto Poesia, com poemas e ilustrações criados pelos alunos. Na oportunidade, todos  compartilharam suas criações e conheceram o trabalho dos colegas. Muitos desses poemas ficaram expostos na entrada do colégio e no primeiro andar, em frente à biblioteca, e puderam ser lidos e apreciados por toda a comunidade bandeirantina.

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“Neste ano, o tema do Projeto Poesia foi a poesia cotidiana, com o objetivo de incentivar a observação e a percepção das sensações e emoções despertadas nos caminhos cotidianos”, explicou a professora Cândida V. Gancho.

A novidade deste ano foi a criação de uma comissão de alunos que ajudou a planejar e a executar o evento. Segundo a professora Simone Christine Pedro, essa iniciativa estimulou ainda mais a participação dos alunos e consolidou a ideia de um sarau “para os alunos feito pelos alunos.”

O professor Alexandre Fukuya participou pela primeira vez do sarau e comentou que se surpreendeu com a capacidade artística dos alunos e se encantou com a seleção de músicas e poemas, muitos dos quais de autoria deles próprios.

Foi uma manhã especial, quando os alunos dos 9.os anos puderam se expressar de diversas formas, individualmente, em duplas, em grupos, revelando seus talentos num clima de muita alegria e descontração.

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: primeiro colocado: “Multilateralismo contemporâneo”, Felipe Akio Nakamura, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Multilateralismo contemporâneo

 

Ó telas de LED azul, ó teclas misteriosas, tec-tec-tec eterno!

Admiração incontrolável às redes invisíveis!

Redes que tanto tentam tecer um triste apego.

Eh-lá-hô aplicativos sugadores de tempo!

Eh-lá-hô capital em movimento!

Eh-lá-hô renovações transparentes!

Máquinas que se encontram nas ruas e nas casas e nas escolas,

Dominando, possuindo, divertindo, iluminando, entretendo,

Fazendo-me um escravo de ninguém.

Por todo lugar e espaço sempre ela está,

Mais possessiva do que uma mulher bela que não se trai,

Que se afastando têm-se uma ânsia eterna!

Vem sentar-se comigo, maçã sem sabores, à beira da torre de Wi-Fi.

Sossegadamente observemos sua grandiosidade e aprendamos

Que o indivíduo nada passa de um elétron entre fios condutores,

Insignificante seguindo o plano do Fado.

Conversemos sem demasiadas emoções e sentimentalismos.

Sem aplicativos, nem jogos, nem ligações que levantam a voz,

Nem contatos, porque se os tivesse a bateria sempre se desgastaria,

E sempre iria ter à escuridão.

Teclar é a eterna racionalidade…

Uma vida plena é vivida na inocência,

E a única inocência é não teclar…

O maníaco é um poeta

Poeta sem certa cara

Que não tem meta concreta

Nem possui mente clara.

 

Felipe Akio Nakamura, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: segundo colocado: “Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia”, Mauro Simas Neto, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia

Era uma frígida tarde invernal daquele fatídico ano de 1942. Com minhas já desgastadas vestes de viajante tentava em vão escapar da fúria dos elementos. Trovoadas rugiam ao longe e lembravam-me dos canhões que naquele momento deviam castigar terras não tão distantes em nome da futilidade humana. Parei sobre o abrigo de um toldo e por um breve momento direcionei minha vista para a cidade fustigada pela incansável tempestade em um terrível duelo entre civilização e natureza. Lisboa, mesmo sob tão desfavoráveis condições, resplandecia com sua beleza atemporal. Um lugar hostil a princípio às concepções que trazia de minha pátria brasileira, mas que acabei por naturalizar. Portugal, uma nação com um destino tão infeliz, ainda assim era infinitamente afortunada por ser um dos últimos refúgios da destruição que assolava a Europa. Alvo de uma rajada de vento particularmente cortante, voltei ao mundo concreto e nesse momento que avistei um café mais afrente na deserta ruela. Ao aproximar-me a passos largos, pude ler a convidativa inscrição: “A Brazileira”. Meus pensamentos voltaram a meus tempos de infância na enevoada São Paulo, antes de eu decidir aventurar-me por terras além-mar. Muito mudou desde então. A solitária cidade que havia conhecido agora se movia freneticamente sob os ritmos da modernidade.  Getúlio Vargas governava o amado país com mão de ferro, não muito diferente do ditador português com quem me habituara. Triste época para homens que ansiavam pela liberdade! Decidi por buscar abrigo naquele estabelecimento que trazia tantas memórias boas. Ao adentrar, logo o notei por um requintado café, lugar de reunião de notáveis, e não hesitei em ajuntar-me a um cavalheiro de faustas vestimentas que desfrutava a bebida de minha terra no imponente balcão.                                                                                                                                             – Minhas mais nobres saudações, egrégio senhor! – ele prontamente me saudou – Zeus está insaciável em seu furor celeste: Foste vítima desse caos elementar, eu infelizmente vejo.                                                                                                                    -De fato, ilustre! – respondi. Notava vagamente na fraca iluminação um semblante altivo e que estranhamente inspirava serenidade – O clima hostil não me poupou! Enquanto tirava meu ensopado sobretudo, introduzi-me ao desconhecido.  Ele logo me reconheceu como um habitante do Novo Mundo.                                                   – O onipotente Fado conduz-nos, meras folhas ao vento, a essas inexplicáveis coincidências. Aqui estou eu, bebendo o fruto do labor de vosso povo no café que leva o nome de vossa terra.                                                                                                                          -E ainda assim, indivíduos tão diferentes, unidos pelo Destino como dizes, conseguem interagir positivamente, confeccionar laços fraternais, identificar-se como seres humanos! Creio que esse seja o maior bem provindo da civilização humana, da vida em sociedade!                                                                                                                          Embebido na fascinante conversa, não notei um vulto que chegava ao balcão e que não tardou em pronunciar-se:                                                                                                                   -Sim, a civilização… Já a exaltei outrora, a beleza moderna, a eficiência               fabril, a supremacia das máquinas! Tudo em vão… A real questão nunca resolvi. A verdade é que não consigo sequer encontrar o meu verdadeiro eu, pior, sou um insignificante grão de areia em uma praia inteira… E pensando nisso, não vivo.                                                -A triste realidade humana é essa, meu caro – afirmou meu primeiro interlocutor – somos seres pensantes, mas a solução para isso é fácil: basta focarmos no presente, nos prazeres momentâneos, que a vida não é eterna. Filosofes sobre esses assuntos e desassossegar-te-ás inutilmente. Contenhas esses impulsos pensantes, aceites o Fado e vivas cada instante como se fosse o último.                    -Um complicado problema! – conclui humildemente e, enquanto cumprimentava o novo personagem, continuei – Ilustre, quando me referi à civilização estava pensando na ideia de coletividade, mas a sua perspectiva tecnológica também é bem discutível. É nela, pois, que se encaixa o horror da guerra atual!                             – O resultado conspícuo do desequilíbrio que reina no pensamento dos homens nesses tristes tempos. É no passado, época de glória e prosperidade, que devemos nos espelhar. – retrucou o homem com quem havia inicialmente me encontrado.                              – Ricardo, não posso admitir que o passado seja a solução. A humanidade sempre sofreu com os conflitos bélicos. – asseverou o segundo cavalheiro- A tecnologia pode os ter feito mais destrutivos, mas não é a causa deles continuarem a nos atormentar!                                                                                                                                      – Creio que a única solução seja uma nova mentalidade mundial que preze pela paz, não há outra forma! – exclamei exaltado.                                                                                      Nesse derradeiro momento, um terceiro homem vestido humildemente aproximou-se de nós. Com um quê de ares bucólicos, lembrava-me os poetas antigos, um árcade perdido, quem sabe? Mas o mais intrigante era seu ar de sabedoria, alheio a tudo que já havia visto na civilização humana. Ó céus, era impossível rotular tal homem! Ele transcendia toda e qualquer definição de homem moderno. Oras, estava diante do primordial, do ser humano como veio ao mundo, sem preceitos ou filosofias!           – Mestre, meu mestre! Ilumine-nos em nosso dilema! Sobre guerra e paz, o que fazer?- indagou o homem vítima da modernidade                                                                          – Meus amigos, não há nada o que fazer a não ser fazer nada. A guerra é resultado do pensar. Sem o pensar sobre ela, não há guerra.  Se os homens soubessem a apenas ver e ouvir, todos os conflitos cessariam. Discussões sobre a paz mundial só têm efeito reverso, só essa sabedoria bastaria. É disso que necessitamos: não de infrutíferas reflexões, mas sim de um pensar em não pensar.                                                  Pasmo com uma resposta tão simples, mas tão verdadeira, finalmente me apercebi que a chuva já havia abrandado e que já eram horas de seguir para meu destino original. Despedi-me das peculiares figuras e ausentei-me sem maiores reflexões. Foram só anos mais tarde que lembrando do memorável ocorrido notei o agora óbvio. Oras, eram os heterônimos do ecúmeno e inesquecível mestre literário, Fernando Pessoa! Inexplicável do inexplicável! Com essa eternal dúvida, só me resta perpetuar esse conto, quer seja fruto da minha imaginação ou joguete do Destino…

Mauro Simas Neto, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: terceiro colocado: “Poema das bolhas”, Verônica Dufrayer, 3H1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Poema das bolhas

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

Verônica Dufrayer, 3H1

 

Estímulo

Em meio a estrofes

Procuro versos,

Palavras sensatas

Que me façam sorrir.

 

Risos discretos

Que me trazem alegria,

Transcendendo meu ego

Por onde quer que vá.

 

Que seja arrojado…

Um pouco sereno,

Não importa o tamanho

Basta contagiar.

 

Se contagia alegra;

Quando espontâneo

Revigora o amor,

Se verdadeiro, afasta tristeza,

Abrindo espaço, para o riso ecoar.

 

Adalberto O Santos, inspetor

[Medo]

Por que nos escondemos tanto?

Usamos roupas para esconder nossos corpos;

Maquiagem para esconder os nossos rostos;

Casas para esconder nossas vidas.

De onde surgiu todo esse medo?

Medo da exposição;

Do julgamento;

Da resposta

Procuramos a todo momento ser aceito

Mas aceito por o que?

Pelo o que você esconde?

Pelo o que você mostra no lugar da verdade?

XXY, 2B

Eu amei uma garota

Eu?

Aquariano do coração ressecado

Da mente venenosa

Das palavras radioativas

Bicho cínico

Cuspia com escárnio

No próprio conceito abstrato

Do sentimento primitivo

 

Amor

 

Eu amei uma garota

Doida, talvez

Marcada nos pulsos

Pelo amargor insípido

De sua existência juvenil

Exausta da vida

Antes mesmo de começar a viver

 

Ela era como eu

E também era tudo o que eu não era

 

Uma Vênus

Que nunca segurou um espelho

Uma obra-prima

Inconsciente da magnitude de seu valor

 

Nunca teria me notado

Mas notou

Nunca teria me amado

 

Nunca teria me amado

 

Com um sorriso,

Ela me desarma

Com um olhar,

Ela me subjuga

 

Sinto medo

Resisto da maneira que posso

Uma besta incapaz de compreender

A sensação que domina seu espírito

 

Um monstro,

Arisco demais para amar

 

Áspero

Idiota

 

Eu amei uma garota

Só agora percebo isso

 

Ninguém, 3H1

Nem toda ouvidos

Concentrada em se desconcentrar
ia deitada a se embriagar
de sono.
Expira.
Inspira.
Aspira.
BEEEEEEEM!!!
Ah não.
De novo não.
BEEEEEEM!!!
Calma, tá tudo certo, alguém já vai resolve-
BEEEEEEM!!
Eu tenho prova amanhã, pelo amor de Deu-
BEEEEEM!!!
Preciso dormir!
Vamos lá, foco.
Ignora o barulho, já vai parar.
Ó, tá vendo? Paro-
BEEEEEEEM!!!
Que fiz pra merecer isso?! É sempre esse maldito alarme!
Carro do infer-
BEEEEEEM!!!
Vizinho idiota! Por que não desliga o alarme do carro?
Toda noite esse barulho logo que eu pego sono!
Será de propósito?!
BEEEEEEM!!!
Cara, que vontade de jogar uns ovos nessa lata velha.
Pior que deve ter alguns na geladeira….
Já pensou?
O som dos ovos quebrando, ai que alívio!
E o trabalho pra limpar? Hahah
Mas a melhor parte seria a cara do vizinho!
Hahahah, imagina a cara dele!
Aposto que daria um grito,
Que música seria para meus ouvidos!
Espera…

O alarme parou.
Vai dormir criatura.

Verônica Dufrayer, 3H1

Lambe-lambes: dando voz aos “invisíveis”

Com o tema da invisibilidade urbana (personagens e situações que passam desapercebidos no cotidiano da cidade), os alunos do 2.o ano do Ensino Médio da Oficina de Mídias produziram micro-crônicas e as adaptaram a um dos produtos mais marcantes da arte na cidade: os lambe-lambes.

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Na Oficina de Mídias – atividade curricular de Língua Portuguesa – , os estudantes devem criar um produto por semestre que envolva a língua e sua aplicação na comunicação. Dessa forma, no primeiro bimestre, divididos em grupos, eles mergulharam no tema invisibilidade urbana garimpando  crônicas, fotos e informações das mais variadas para a criação de um painel de referências.

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Cada grupo, ao seu jeito, usou do painel para capturar a “atmosfera” que queriam passar nos lambe-lambes no segundo bimestre. Criaram então uma micro-crônica, ou seja, um texto de até três frases, que foi levado para linguagem dos cartazes. Por fim, os alunos colaram os lambe-lambes em um dos muros internos do Colégio – lá os produtos atraíram olhares em meio ao cotidiano de estudantes, professores e funcionários.

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“O projeto envolveu tanto criatividade quanto responsabilidade para lidar com tempo, forma e linguagem. É muito bom ter contato com um produto e uma escrita tão diferentes e inovadores”, contou a aluna Nicole Grossmann, da 2.a série do Ensino Médio.