Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: primeiro colocado: “Multilateralismo contemporâneo”, Felipe Akio Nakamura, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Multilateralismo contemporâneo

 

Ó telas de LED azul, ó teclas misteriosas, tec-tec-tec eterno!

Admiração incontrolável às redes invisíveis!

Redes que tanto tentam tecer um triste apego.

Eh-lá-hô aplicativos sugadores de tempo!

Eh-lá-hô capital em movimento!

Eh-lá-hô renovações transparentes!

Máquinas que se encontram nas ruas e nas casas e nas escolas,

Dominando, possuindo, divertindo, iluminando, entretendo,

Fazendo-me um escravo de ninguém.

Por todo lugar e espaço sempre ela está,

Mais possessiva do que uma mulher bela que não se trai,

Que se afastando têm-se uma ânsia eterna!

Vem sentar-se comigo, maçã sem sabores, à beira da torre de Wi-Fi.

Sossegadamente observemos sua grandiosidade e aprendamos

Que o indivíduo nada passa de um elétron entre fios condutores,

Insignificante seguindo o plano do Fado.

Conversemos sem demasiadas emoções e sentimentalismos.

Sem aplicativos, nem jogos, nem ligações que levantam a voz,

Nem contatos, porque se os tivesse a bateria sempre se desgastaria,

E sempre iria ter à escuridão.

Teclar é a eterna racionalidade…

Uma vida plena é vivida na inocência,

E a única inocência é não teclar…

O maníaco é um poeta

Poeta sem certa cara

Que não tem meta concreta

Nem possui mente clara.

 

Felipe Akio Nakamura, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: segundo colocado: “Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia”, Mauro Simas Neto, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia

Era uma frígida tarde invernal daquele fatídico ano de 1942. Com minhas já desgastadas vestes de viajante tentava em vão escapar da fúria dos elementos. Trovoadas rugiam ao longe e lembravam-me dos canhões que naquele momento deviam castigar terras não tão distantes em nome da futilidade humana. Parei sobre o abrigo de um toldo e por um breve momento direcionei minha vista para a cidade fustigada pela incansável tempestade em um terrível duelo entre civilização e natureza. Lisboa, mesmo sob tão desfavoráveis condições, resplandecia com sua beleza atemporal. Um lugar hostil a princípio às concepções que trazia de minha pátria brasileira, mas que acabei por naturalizar. Portugal, uma nação com um destino tão infeliz, ainda assim era infinitamente afortunada por ser um dos últimos refúgios da destruição que assolava a Europa. Alvo de uma rajada de vento particularmente cortante, voltei ao mundo concreto e nesse momento que avistei um café mais afrente na deserta ruela. Ao aproximar-me a passos largos, pude ler a convidativa inscrição: “A Brazileira”. Meus pensamentos voltaram a meus tempos de infância na enevoada São Paulo, antes de eu decidir aventurar-me por terras além-mar. Muito mudou desde então. A solitária cidade que havia conhecido agora se movia freneticamente sob os ritmos da modernidade.  Getúlio Vargas governava o amado país com mão de ferro, não muito diferente do ditador português com quem me habituara. Triste época para homens que ansiavam pela liberdade! Decidi por buscar abrigo naquele estabelecimento que trazia tantas memórias boas. Ao adentrar, logo o notei por um requintado café, lugar de reunião de notáveis, e não hesitei em ajuntar-me a um cavalheiro de faustas vestimentas que desfrutava a bebida de minha terra no imponente balcão.                                                                                                                                             – Minhas mais nobres saudações, egrégio senhor! – ele prontamente me saudou – Zeus está insaciável em seu furor celeste: Foste vítima desse caos elementar, eu infelizmente vejo.                                                                                                                    -De fato, ilustre! – respondi. Notava vagamente na fraca iluminação um semblante altivo e que estranhamente inspirava serenidade – O clima hostil não me poupou! Enquanto tirava meu ensopado sobretudo, introduzi-me ao desconhecido.  Ele logo me reconheceu como um habitante do Novo Mundo.                                                   – O onipotente Fado conduz-nos, meras folhas ao vento, a essas inexplicáveis coincidências. Aqui estou eu, bebendo o fruto do labor de vosso povo no café que leva o nome de vossa terra.                                                                                                                          -E ainda assim, indivíduos tão diferentes, unidos pelo Destino como dizes, conseguem interagir positivamente, confeccionar laços fraternais, identificar-se como seres humanos! Creio que esse seja o maior bem provindo da civilização humana, da vida em sociedade!                                                                                                                          Embebido na fascinante conversa, não notei um vulto que chegava ao balcão e que não tardou em pronunciar-se:                                                                                                                   -Sim, a civilização… Já a exaltei outrora, a beleza moderna, a eficiência               fabril, a supremacia das máquinas! Tudo em vão… A real questão nunca resolvi. A verdade é que não consigo sequer encontrar o meu verdadeiro eu, pior, sou um insignificante grão de areia em uma praia inteira… E pensando nisso, não vivo.                                                -A triste realidade humana é essa, meu caro – afirmou meu primeiro interlocutor – somos seres pensantes, mas a solução para isso é fácil: basta focarmos no presente, nos prazeres momentâneos, que a vida não é eterna. Filosofes sobre esses assuntos e desassossegar-te-ás inutilmente. Contenhas esses impulsos pensantes, aceites o Fado e vivas cada instante como se fosse o último.                    -Um complicado problema! – conclui humildemente e, enquanto cumprimentava o novo personagem, continuei – Ilustre, quando me referi à civilização estava pensando na ideia de coletividade, mas a sua perspectiva tecnológica também é bem discutível. É nela, pois, que se encaixa o horror da guerra atual!                             – O resultado conspícuo do desequilíbrio que reina no pensamento dos homens nesses tristes tempos. É no passado, época de glória e prosperidade, que devemos nos espelhar. – retrucou o homem com quem havia inicialmente me encontrado.                              – Ricardo, não posso admitir que o passado seja a solução. A humanidade sempre sofreu com os conflitos bélicos. – asseverou o segundo cavalheiro- A tecnologia pode os ter feito mais destrutivos, mas não é a causa deles continuarem a nos atormentar!                                                                                                                                      – Creio que a única solução seja uma nova mentalidade mundial que preze pela paz, não há outra forma! – exclamei exaltado.                                                                                      Nesse derradeiro momento, um terceiro homem vestido humildemente aproximou-se de nós. Com um quê de ares bucólicos, lembrava-me os poetas antigos, um árcade perdido, quem sabe? Mas o mais intrigante era seu ar de sabedoria, alheio a tudo que já havia visto na civilização humana. Ó céus, era impossível rotular tal homem! Ele transcendia toda e qualquer definição de homem moderno. Oras, estava diante do primordial, do ser humano como veio ao mundo, sem preceitos ou filosofias!           – Mestre, meu mestre! Ilumine-nos em nosso dilema! Sobre guerra e paz, o que fazer?- indagou o homem vítima da modernidade                                                                          – Meus amigos, não há nada o que fazer a não ser fazer nada. A guerra é resultado do pensar. Sem o pensar sobre ela, não há guerra.  Se os homens soubessem a apenas ver e ouvir, todos os conflitos cessariam. Discussões sobre a paz mundial só têm efeito reverso, só essa sabedoria bastaria. É disso que necessitamos: não de infrutíferas reflexões, mas sim de um pensar em não pensar.                                                  Pasmo com uma resposta tão simples, mas tão verdadeira, finalmente me apercebi que a chuva já havia abrandado e que já eram horas de seguir para meu destino original. Despedi-me das peculiares figuras e ausentei-me sem maiores reflexões. Foram só anos mais tarde que lembrando do memorável ocorrido notei o agora óbvio. Oras, eram os heterônimos do ecúmeno e inesquecível mestre literário, Fernando Pessoa! Inexplicável do inexplicável! Com essa eternal dúvida, só me resta perpetuar esse conto, quer seja fruto da minha imaginação ou joguete do Destino…

Mauro Simas Neto, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: terceiro colocado: “Poema das bolhas”, Verônica Dufrayer, 3H1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Poema das bolhas

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

Verônica Dufrayer, 3H1

 

Frankenstein

Imagine um encontro de grandes escritores como Lord Byron, Mary Shelley e Percy Shelley. O que pode sair dele? Nada mais, nada menos do que Frankenstein, o primeiro grande clássico da literatura de terror e também a primeira obra de ficção científica.
Frankenstein nasceu quando, em 1816, Mary Shelley, com apenas 19 anos, Percy Shelly e Lord Byron foram curtir o verão na Suíça. No entanto, tempestades arruinaram os passeios e eles acabaram ficando muito tempo dentro de casa. Para passar o tempo, os escritores decidiram escrever contos de terror, numa espécie de aposta. Daí surgiu Frankenstein, uma obra que não é somente uma história de terror, mas também uma crítica contundente ao cientificismo da época, que buscava explicar e dominar tudo sem considerar as implicações éticas das descobertas feitas.
Diferentemente do que Hollywood nos fez pensar, Frankenstein é o cientista, não o monstro, chamado apenas de “criatura”, que aliás, era amarela e não verde. Ficou curioso para saber o resto? Confira o que nossos alunos do 8º ano “aprontaram” para atiçar sua vontade de ler esse clássico.

Professoras Grasiela, Lenira e Cátia

8C

8C

8D

8D

8E

8E

8F

8F

Crônica argumentativa: “Princípio”

A crônica nasceu de um casamento bem-sucedido entre literatura e jornalismo. Grandes nomes como Machado de Assis, Rubem Braga e Clarice Lispector usaram todo seu talento linguístico ao escrever sobre coisas triviais para entreter – e, muitas vezes, fazer rir e refletir – o leitor de jornal.
A crônica é, portanto, assim: do cotidiano, do povo, mas com um toque literário. Afinal, quem nunca leu um texto do Luis Fernando Veríssimo, do Rubens Alves ou do Millôr Fernandes e se emocionou, riu ou simplesmente se viu ali do lado do autor, vivenciando as mesmas experiências?
Mas a crônica também pode assumir um papel de crítica social. E foi explorando justamente esse ponto do gênero que conduzimos as aulas de Estudos Linguísticos do 2o ano do 1o bimestre. Com o objetivo de desenvolver as habilidades de descrever e argumentar, os alunos foram induzidos a relatarem experiências vividas ou observadas que servissem de base para a defesa de uma opinião sobre os mais variados temas, como o sistema de empréstimo de bicicletas em São Paulo, o cerceamento dos blocos de rua no Carnaval de São Paulo, o serviço do Uber, as notícias falsas nas redes sociais e a honestidade do brasileiro.
Confira o resultado com alguns textos dos nossos cronistas do 2o ano.

Professores Alexandre, Grasiela, Melissa e Renata

Princípio

Um pai ensina a um filho a não pegar o que é seu, a criança entende e obedece a mensagem, não porque tem medo do castigo, e sim, porque aquilo realmente não lhe parece justo. Foi assim que aconteceu na minha casa, e provavelmente a mesma coisa aconteceu na sua.
Moral, ética, convenção social, até termos em grego como “Thémis” e “Diké” são usadas por pensadores para discutir o que vale mais, princípios pessoais ou leis? Fazemos o certo pois é de nossa natureza ou porque tememos as penas impostas pelo código penal?
Há pessoas que acreditam que sem Estado não há ordem, sem punição não há aprendizado. Discordo. Não acredito que toda a marginalidade recente no Espírito Santo seja decorrente única e exclusivamente da falta de policiamento. Infelizmente, creio que o buraco é mais fundo, o que está em crise não é apenas o sistema de segurança do estado, e sim, todo o conjunto de valores de uma nação.
Tal crise moral não é “endêmica” da terra capixaba, mas de todo um país, país esse onde vemos diariamente em noticiários representantes eleitos pela população, afogados em escândalos de corrupção.
Assim como a criança, não devemos agir corretamente por medo das consequências. Os episódios do ES tristemente nos demonstra que é dessa tão discutida moral que o povo brasileiro carece.
Afinal a maior depredação não é a da vitrine de uma loja, mas a da moral e esperança de uma nação. Sem ordem não há progresso.

João Andrade, 2F

Crônica argumentativa: “Nem o gigante acredita mais”

A crônica nasceu de um casamento bem-sucedido entre literatura e jornalismo. Grandes nomes como Machado de Assis, Rubem Braga e Clarice Lispector usaram todo seu talento linguístico ao escrever sobre coisas triviais para entreter – e, muitas vezes, fazer rir e refletir – o leitor de jornal.
A crônica é, portanto, assim: do cotidiano, do povo, mas com um toque literário. Afinal, quem nunca leu um texto do Luis Fernando Veríssimo, do Rubens Alves ou do Millôr Fernandes e se emocionou, riu ou simplesmente se viu ali do lado do autor, vivenciando as mesmas experiências?
Mas a crônica também pode assumir um papel de crítica social. E foi explorando justamente esse ponto do gênero que conduzimos as aulas de Estudos Linguísticos do 2o ano do 1o bimestre. Com o objetivo de desenvolver as habilidades de descrever e argumentar, os alunos foram induzidos a relatarem experiências vividas ou observadas que servissem de base para a defesa de uma opinião sobre os mais variados temas, como o sistema de empréstimo de bicicletas em São Paulo, o cerceamento dos blocos de rua no Carnaval de São Paulo, o serviço do Uber, as notícias falsas nas redes sociais e a honestidade do brasileiro.
Confira o resultado com alguns textos dos nossos cronistas do 2o ano.

Professores Alexandre, Grasiela, Melissa e Renata

Nem o gigante acredita mais

Outro dia eu fui para o bairro “Liberdade” com uma amiga. Queríamos passear pelas ruas com decoração japonesa e comprar aquelas balas e docinhos asiáticos deliciosos que só conseguimos achar lá. Numa das lojas em que entramos, vimos uma bala super diferente, mas um pouco cara. Como eu já tinha gastado meu dinheiro, não comprei. Quando saímos da loja, minha amiga veio rindo até mim com um punhado da bala diferente na mão. Como o dinheiro dela também já havia acabado, achei estranho e perguntei como ela tinha conseguido comprar… ela não tinha comprado. Fiquei confusa pois não tinha visto o furto e brava com ela por ter roubado, mas ela não ligou… seu argumento? Ela disse que, com tantos milhões sendo desviados dos nossos hospitais públicos por aí, cinco balas de uma lojinha não fazem diferença…
Eu continuo achando furtos e roubos ações completamente imorais e antiéticas… mas eu entendo o posicionamento da minha amiga: o brasileiro perdeu a fé de que o Brasil pode mudar. Com tantos anos de desonestidade por parte de quem governa nosso país, com toda a corrupção que vem desde quando ainda éramos uma colônia, com todas as fraudes e desvios que somente agora começamos a realmente descobrir e, principalmente, com a continuidade que dão a essas imoralidades mesmo com nosso povo implorando para parar de ser destruído por dentro… é muito fácil perder a fé de que algo pode mudar. A resposta que a maioria, que tem condições para tal, acha é simplesmente fugir. Mudar-se para outro país e deixar essa bagunça para trás…
O nosso povo vem se cansando há muito tempo. A desonestidade plantada nas entranhas de cada brasileiro, apesar de realmente ser uma contradição, uma vez que continuamos falando mal dos corruptos da capital enquanto pensamos de forma semelhante a eles, é uma decorrência histórica provocada por um sentimento de impotência do brasileiro. Para que se importar com o roubo de cinco balinhas se o imposto que a loja paga continua sendo desviado? O “gigante” não acordou, ele está afundado numa imensa falta de fé e, por isso, continua dormindo. Nós não devemos ser desonestos, mas para que agir de acordo com leis que nem mesmo quem as criou respeita?

Loreta De Rossi Guerra, 2F

Crônica argumentativa: “Pense bem, pequena corrupta”

A crônica nasceu de um casamento bem-sucedido entre literatura e jornalismo. Grandes nomes como Machado de Assis, Rubem Braga e Clarice Lispector usaram todo seu talento linguístico ao escrever sobre coisas triviais para entreter – e, muitas vezes, fazer rir e refletir – o leitor de jornal.
A crônica é, portanto, assim: do cotidiano, do povo, mas com um toque literário. Afinal, quem nunca leu um texto do Luis Fernando Veríssimo, do Rubens Alves ou do Millôr Fernandes e se emocionou, riu ou simplesmente se viu ali do lado do autor, vivenciando as mesmas experiências?
Mas a crônica também pode assumir um papel de crítica social. E foi explorando justamente esse ponto do gênero que conduzimos as aulas de Estudos Linguísticos do 2o ano do 1o bimestre. Com o objetivo de desenvolver as habilidades de descrever e argumentar, os alunos foram induzidos a relatarem experiências vividas ou observadas que servissem de base para a desefa de uma opinião sobre os mais variados temas, como o sistema de empréstimo de bicicletas em São Paulo, o cerceamento dos blocos de rua no Carnaval de São Paulo, o serviço do Uber, as notícias falsas nas redes sociais e a honestidade do brasileiro.
Confira o resultado com alguns textos dos nossos cronistas do 2o ano.

Professores Alexandre, Grasiela, Melissa e Renata

Pense bem, pequena corrupta

Estava voltando do colégio. Tínhamos feito prova de sociologia e, na perua escolar, todos comparavam suas respostas. Você sabe, aquela confusão de adolescente: “ A? Mas por que A? Eu pus a D!,” “Não, seu idiota! É a C!”, “Oba! Você também marcou a A? Toca aqui!”. A cada alternativa correspondida um grito de alegria, a cada resposta distinta um choro dramático. E assim deixamos a capital paulista rumo ao ABC. Logo, porém, a comparação incessante deu lugar à conversa.
Pedro disse que iria para o Guaru naquele fim de semana, mas estava desanimado por conta das longas filas nos pedágios. Por mais que pedisse, seu pai, um italianão mão-de-vaca, não comprou o famoso “ Sem Parar “. Milene depois de exclamar o quão chique era Pedro, rindo, contou que não precisava disso. A única da família que tinha o aparelho era a tia. Então, bolaram um esquema. O carro do pai, sem o “ Sem Parar “, e o carro da tia, dotado do aparelho, passavam “ grudados “ pelo visor. Este capturava o código do aparelho e abria a cancela. O carro do pai, que ficava na frente, passava direto e o da tia, na maioria das vezes, também. Caso a cancela fechasse, o carro parado seria o da tia, que logo seria liberado por conter o aparelho regulamentado.
Fiquei horrorizada. Sabe, tínhamos acabado de fazer uma prova cujo tema girava em torno de ética, valores morais, indivíduo e sociedade. Passei até a duvidar da afirmação do grande professor Salgado de que todo povo produz uma moral. Moral ali? Só se for uma bem corrompida. Uma moral podre e nojenta. Pelo visto, Milene valorizou mais o meio ponto que ganhou por acertar o teste do que a verdadeira essência da matéria.
O pior de tudo é que são essas e muitas outras Milenes, Pedros, Anas e Murilos que dizem querer mudar o Brasil. Só te digo uma coisa, a corrupção da qual você tanto reclama começa nas simples ações. Parar na vaga do idoso, furar a fila, não pagar o pedágio. Se você faz isso, não é menos corrupto que os apreendidos na Lava-Jato. Vocês, pais e mães de tantas Milenes, deem o exemplo a seus filhos, reconstruam e fortaleçam essa moral. Deem os limites do certo e errado. E, quanto a você,Milene, não se orgulhe de tirar vantagem dos outros. Chique não é apenas viajar ao Guaru. Chique, Milene, é cidadania. Chique é aproveitar todo conhecimento ao qual você tem acesso. Pense bem, Milene.

Ana Sophia Gil Zanetti, 05, 2A

Crônica argumentativa: “A cara de pau do brasileiro”

A crônica nasceu de um casamento bem-sucedido entre literatura e jornalismo. Grandes nomes como Machado de Assis, Rubem Braga e Clarice Lispector usaram todo seu talento linguístico ao escrever sobre coisas triviais para entreter – e, muitas vezes, fazer rir e refletir – o leitor de jornal.
A crônica é, portanto, assim: do cotidiano, do povo, mas com um toque literário. Afinal, quem nunca leu um texto do Luis Fernando Veríssimo, do Rubens Alves ou do Millôr Fernandes e se emocionou, riu ou simplesmente se viu ali do lado do autor, vivenciando as mesmas experiências?
Mas a crônica também pode assumir um papel de crítica social. E foi explorando justamente esse ponto do gênero que conduzimos as aulas de Estudos Linguísticos do 2o ano do 1o bimestre. Com o objetivo de desenvolver as habilidades de descrever e argumentar, os alunos foram induzidos a relatarem experiências vividas ou observadas que servissem de base para a defesa de uma opinião sobre os mais variados temas, como o sistema de empréstimo de bicicletas em São Paulo, o cerceamento dos blocos de rua no Carnaval de São Paulo, o serviço do Uber, as notícias falsas nas redes sociais e a honestidade do brasileiro.
Confira o resultado com alguns textos dos nossos cronistas do 2o ano.

Professores Alexandre, Grasiela, Melissa e Renata

A Cara de Pau do Brasileiro

A honestidade do brasileiro é muito questionável. Claro que não podemos generalizar, mas faz parte do povo ter esse jeito malandro.
Outro dia, quando eu estava conversando com uma amiga minha, ela me contou que adorava viajar com a avó dela. Diferente do que você imagina, ela não gostava de ter uma companhia materna, mas sim de não ter que encarar esperas durante a viagem. “A melhor parte é no embarque, quando vemos aquela fila gigantesca, típica de Guarulhos, mas, como ela é idosa, podemos entrar na frente. ”
Acho que todos nós já nos deparamos com alguém assim, não é? Alguém que pagou pela carteira de motorista ou por um diploma, a mulher que fingiu estar grávida, etc. Eu, pelo menos, sempre me deparo com esse tipo de situação no Shopping Paulista, por exemplo, naquelas vagas preferenciais pintadas perto do elevador. Ali é um fingimento e oportunismo só. Na minha escola, também era comum que os estudantes se fizessem de doentes para utilizar o único elevador.
Eu acredito que deve haver privilégios para idosos, gestantes e deficientes, claro, mas também acho que faz parte do brasileiro tirar proveito dessas situações e que, muitas vezes, nos falta integridade e honestidade. Lá fora, em alguns outros países, é muito difícil ver alguém fingindo estar com o pé quebrado, por exemplo, mas aqui não. Aqui as pessoas mentem e se aproveitam das situações. Olhe só a corrupção escancarada no Brasil, que é criticada quando acontece no alto escalão, mas que, quando se trata de um exame de direção, poucos veem o problema.
Você agora deve estar pensando que eu sou uma daquelas que só vê defeito nos brasileiros, não é mesmo? Mas não, eu sinceramente acho que nós temos muitas qualidades também, mas, infelizmente, já nascemos com um jeito malandro e cara de pau. Aposto que você sabe muito bem do que estou falando.

Mariana Camilo Pinho, 32, 2C

Microcontos de terror go

“E se meu brinquedo caísse? / E se eu tentasse pegar / E se nessa hora acordasse o monstro da palha / querendo me assustar?”
Quantos de nós já tivemos medo como o pequeno Astolfinho do programa Cocoricó?
E se agora já “crescidos” fôssemos assustados nas escadas, paredes, banheiros do Band com microcontos de terror? Essa é a proposta dos oitavos anos, que nesse 4o.bimestre analisaram contos de terror, suspense e mistério e, em uma atividade livre, sem “valer nota”, escreveram microcontos de terror baseados nos textos lidos (Edgar Alan Poe, Bram Stoker, Ricardo Azevedo, Lygia Fagundes Telles) ou de inspiração livre. Foi um grande desafio, pois os alunos – e as professoras – tiveram de desenvolver e aplicar o poder de síntese.
Nesse Halloween, bastou andar pelo colégio para ter sua paz assombrada.
E bons sonhos.

Profas. Cátia, Grasiela e Lenira; estagiário Gabriel

Para saber nossa inspiração para a atividade, acesse: http://notaterapia.com.br/2016/06/30/os-incriveis-micro-contos-de-terror-em-duas-frases-da-pra-assustar-com-tao-pouco/

Confira na galeria fotos de alguns autores e seus textos

Inovando a leitura bimestral no oitavo ano

No 2º. bimestre, as professoras do oitavo ano, Cátia, Grasiela e Lenira, propuseram uma nova forma de trabalhar a leitura bimestral: ao invés de uma única obra, indicaram três livros para que cada aluno escolhesse o de sua preferência. Como os gêneros textuais trabalhados até então haviam sido entrevista e notícia, os livros sugeridos partiam de diferentes fatos conhecidos mundialmente e de autores-personagens importantes: Cem dias entre o céu e o mar, de Amir Klink; Eu sou Malala, de Malala Yousafzai e Da minha terra à Terra, de Sebastião Salgado. “Ler envolve muito mais que decifrar palavras, é preciso compreender profundamente o que se lê, processo que é auxiliado pelo bom planejamento das atividades chamadas ‘antes-durante-depois’ da leitura”, apontou a professora Cátia.

Obras lidas no 2o. bimestre do 8o. ano

Obras lidas no 2o. bimestre do 8o. ano

Em relação a tais atividades, os alunos na ocasião responderam a perguntas comuns às três obras e que estimulavam o leitor a expor seu posicionamento como Qual o momento crucial vivido pelo personagem central de seu livro? Você consegue se imaginar vivendo a mesma situação? Se não, por quê? Se sim, como agiria no lugar do personagem? Por quê?. “A troca das impressões de cada aluno, tanto sobre o mesmo livro quanto sobre as diferentes leituras foi bastante interessante e instigou alguns a participarem das duas sessões de cinema – com direito a pipoca – que fizemos como atividade final”, comentou a professora Grasiela, que se referiu aos dois dias em que os alunos puderam assistir na escola aos filmes Malala e O sal da terra.

8F responde às perguntas sobre as obras e se prepara para a troca de experiências.

8F responde às perguntas sobre as obras e se prepara para a troca de experiências.

Obras para a leitura do 3o. bimestre do 8o.ano.

Obras para a leitura do 3o. bimestre do 8o.ano.

Com a boa aceitação da proposta, as professoras decidiram repetir a dose agora no 3º. bimestre, sugerindo mais três obras, todas sobre o tema guerra (mundial ou civil): O menino do pijama listrado, de John Boyne; O diário de Anne Frank, de Anne Frank e Muito longe de casa – memórias de um menino-soldado, de Ishmael Beah. “Um ou outro título pode ser escolhido por poucos ou por muitos alunos, o que importa é a possibilidade de poderem escolher e a chance de conhecerem uma obra pelos olhos do colega, e ampliarem assim o repertório de leituras/experiências”, completou a professora Lenira.