Estímulo

Em meio a estrofes

Procuro versos,

Palavras sensatas

Que me façam sorrir.

 

Risos discretos

Que me trazem alegria,

Transcendendo meu ego

Por onde quer que vá.

 

Que seja arrojado…

Um pouco sereno,

Não importa o tamanho

Basta contagiar.

 

Se contagia alegra;

Quando espontâneo

Revigora o amor,

Se verdadeiro, afasta tristeza,

Abrindo espaço, para o riso ecoar.

 

Adalberto O Santos, inspetor

A primeira viagem

Para mim, não existe expressão mais certeira do que aquela que diz “mãe de primeira viagem”. Mas engana-se quem imagina aquela viagem com roteiros predefinidos em que sabemos exatamente o que nos ocorrerá em cada momento da trajetória e que culmina no estado mais profundo de êxtase.
A felicidade materna é uma conquista num percurso de viagem, que às vezes nem passou pela cabeça do viajante fazer. Nos deparamos com um lugar desconhecido em que se fala outra língua. Para alguns, a adaptação é fácil, para outros, é mais difícil. Depende do quão desconhecida e diferente é essa realidade nova e do quanto estamos dispostos a mudar.
Mas é certo que todos nos transformamos nessa viagem. Ela muda, para sempre, nossa visão sobre o que é descanso, sono, lazer, até mesmo banho e alimentação, mas principalmente sobre o que é ser feliz. De repente, um simples passo daquela criaturinha ou uma palavra banal pronunciada de forma inesperada geram tanto ou mais euforia do que a mais deslumbrante das paisagens.
Nessa jornada, como um viajante perdido na selva, procuramos nossa bússola, mas ela não existe no mundo concreto. O caminho é guiado pelo coração, que, por melhores que sejam as intenções, nem sempre acerta. Buscamos respostas no passado, “será que eu também era um bebê que acordava muito à noite?”, e, com elas, refazemos nossa identidade. E ao ver aquele serzinho nos imitando, refletimos sobre quem somos e quem queremos ser dali em diante.
A maternidade é uma das viagens mais transformadoras que existe! E não importa quantos filhos se têm, é sempre uma experiência excepcional. Aproveito, então, para desejar a todas as mães de primeira, segunda, terceira ou mais viagens uma linda trajetória!

Grasiela, professora de Português

Vagueando

Vi um sol,
Que foi embora.
Vi uma lua,
Que foi encoberta pela nuvem escura.
Via a escuridão.
Vi meus irmãos,
Que no sol,
Andaram vagueando
Em busca de pão,
Na escuridão,
Andam vagueando
Em busca de um lugar, no chão,
Onde passarão a noite,
Sem sonhos, sem emoção,
Apenas esperando, o sol,
Para outra vez vaguearem,
Em busca de pão.

França, inspetor

Poesia Biológica

Ovo, Lagarta, pupa, borboleta.
Zigoto, criança, jovem, Adulto.
Final do 3°ano, hora de abrir as asas,
Voar e encantar o mundo com as cores de vocês.
As crises, despedidas e lágrimas
Chaves que abrem os casulos do conhecido, do confortável
E nos dão asas para explorar
O desconhecido e o NOVO…
Confiem nas asas que construíram
Elas ainda vão crescer, e muito
A felicidade nasce desse crescer.
Boa viagem!!!!!

Flávio, prof. de Física

Para os alunos e alunas do 3º ano. Inspirado na Biologia, eu, Professor de Física (Exatas) do 3° de Humanas, pude expressar neste poema a felicidade de ver o crescimento de vocês.

Estímulo

Em meio a estrofes
procuro versos
Palavras sensatas
que me façam sorrir

Risos discretos
trazendo alegria
Transcendendo meu ego
por onde passar

Que seja arrojado
um pouco sereno
Não importa o tamanho
basta contagiar

Se contagia alegra
Quando espontâneo
conduz o ego
E afasta amarguras
para o riso ecoar.

Adalberto O. Santos, inspetor

Aos Mestres

A humanidade tem três flagelos: a discriminação, a pobreza e a falta de saber.
A discriminação se resolveria com mais amor por seu semelhante.
A pobreza se resolveria com mais doações – e não só de bens materiais – por aqueles que têm mais.
A falta de saber se resolveria com mais apoio e valorização daquele que transmite o saber desde o início da humanidade: o professor.

Inspetor França

Uma imagem

Mil faces…
Você e eu,
Nossas faces
No retrato.
Caras e bocas,
Nossas bocas tão perto,
Sem estarem perto,
De fato.

Mil maneiras
De dizer o seu nome
Sem ninguém me ouvir.
Mil noites
Sonhando com seu sorriso
Antes mesmo de dormir.

E quando acordo
Tento encarar mais um dia
Sem ter você
Em minha frente.
E invento mil faces
Pra disfarçar que lhe quero
De mil maneiras
Diferentes!

Wanderley Rodrigues, inspetor

Ikebana – para Lenira

Brancas, amarelas…
Lá vem a menina,
Espalhando, carinhosa,
O seu perfume florido.
Pequenos botões de estrelas,
Presos em ramos delicados,
Como, delicado é,
O seu sorriso.

Vermelhas, rosadas…
Cada florzinha parece
Sorrir orgulhosa,
Ciente de sua beleza.
Pequenos botões de fada,
Disposto em vasos pequeninos,
Preparados com carinho
E delicadeza.

Brancas, azuis…
Lá vem a menina,
Trazendo nas mãos
Arranjos multicoloridos.
Pequenos botões de luz,
Que bailam delicadamente;
Iluminando rostos contentes
Que olham, embevecidos.

De vários tons e matizes…
Lá vem a menina
Que encanta a todos,
Florindo o ambiente.
Deixando-nos como botões felizes,
Como se fôssemos flores
Nos seus arranjos multicores,
Feitos de gente…

Wanderley Rodrigues, inspetor

Cerúleo

Seus olhos não são azuis,
Mas olhos azuis não me dizem,
Praticamente, nada.
Seus olhos brilham, para mim,
Assim como brilha o dia
No fim de toda madrugada.

São como cristais brilhantes,
Refletindo para o mundo
Com seu brilho peculiar.
Não me preocupo se seus olhos
Não são azuis, como o céu,
Refletido na água do mar.

Pois que navego na correnteza
Das íris que brincam,
Enfeitiçando minha mente.
Pois que me deixo embalar
Com o sorriso que seus olhos
Transmitem tão facilmente.

Seus olhos não são azuis,
Mas posso encontrar o azul,
Quando olho para o céu.
Seus olhos são como estrelas
Brilhando no infinito
Quando o dia escureceu.

São como setas certeiras
Me mostrando o caminho de casa,
Quando perco a direção.
São como rede preguiçosa,
Onde repouso meu olhar cansado
De tanto olhar a imensidão.

Seus olhos não são azuis,
Mas posso encontrar no céu
Todo o azul do qual preciso.
Afinal, o dia fica ainda mais azulado
Quando seu belo olhar amendoado
Se une à beleza
Que há em seu sorriso!

Wanderley Rodrigues, Inspetor

O retrato do início de um novo século

Alguém gritou: “Lá vem o apagão!” A moça solteira (ona) ficou toda empolgada, ela pensou ter ouvido rapagão.

O seu Mané da quitanda encheu-se de esperança: para ele o que foi dito é que eles pagarão (muitos lhe devem fiado).

Os torcedores de um certo time entoaram aos gritos, porque o que ouviram foi: é campeão.

O policial que dormia, por um instante ficou atento; ele entendeu (escutou) “Pega ladrão” (depois virou para o outro lado e continuou a dormir).

O trabalhador suspirou aliviado, nos seus ouvidos o que chegou foi “feriadão” (foi a mensagem do seu subconsciente).

O velho político ficou constrangido, pois falava-se muito em CPI, e ele entendeu corrupção.

O mentiroso contava das suas, explicando sobre sua última visão: “Eu vi Adão” (personagem bíblico).

O desconfiado eleitor, ao ouvir o discurso do seu candidato, entendeu claramente (ou pensou ter entendido): “Nós desviamos (uma maneira sofisticada de dizer roubamos) e vocês (povo eleitor) pagarão”.

Nós, que convivemos muito tempo com PC (aquele), agora já temos o PCC que entendeu ter ouvido que ele merece liberdade de expressão (ou ex-presão).

De repente, o nosso país ficou com essa febre de aumentativo, como se tudo por aqui fosse grande, grandão, igual ao vexame da seleção, que trocou um Leão por Felipão.

Pior foi para os Estados Unidos que, por conta de sua conduta política de indiferença ao sofrimento alheio, ouviram várias explosões.

E lá se foram mais uma vez vários jovens saudáveis para morrer lutando contra uns pobres miseráveis no Afeganistão.

Como podemos mudar esse quadro que nos aperta o coração, será que só com os joelhos no chão, fazendo muita oração? Ou usando a grande arma que estará à nossa disposição, quando estivermos em frente às urnas, no dia da Eleição?

França, inspetor