Sentimento sangrante / Olofote / Força de vontade

Sentimento Sangrante

Nem eu sabia
Que coração sangrava
Sangue transparente
Que goteja da cara

Hemorragia mata
Isso sei
Não sou desavisada
Mas se é tão ruim
Por que sinto
Que me faz tão bem?

Então, por favor
Não estanque esse sangue
Que ele mal amado
Pode afogar-me
Mais que a dor que me dá

Força de vontade

É incrível
O quanto o tédio
Move montanhas
Só para não
Mover uma outra

Olofote

Me desfaço em lento passo
Com esse facho a me iluminar
De olhos dóceis sentimentais
Falso, fraco ou de fato
O sentimento, não sei
Não sei, mas quero saber

Lua (Paula V. Barros), 2H1

Bandeirantes recebe escritor Pepetela com biblioteca lotada

Arthur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mais conhecido por Pepetela, é um notório escritor angolano de romances, peças e crônicas desde a década de 70. Pepetela é grande responsável pela divulgação da literatura africana de língua portuguesa para o mundo.pepetela1

Em sua última passagem pelo Brasil, os alunos do Band tiveram a oportunidade de participar de um bem-humorado bate papo com o autor da obra recém incorporada pela lista obrigatória da FUVEST, o livro “Mayombe”.

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Dono de uma personalidade ímpar, o escritor conversou com os estudantes sobre o histórico de problemas políticos e étnicos que Angola enfrenta há diversas décadas. Além disso, também comentou diversos aspectos da composição da obra “Mayombe”, escrita enquanto ele participava ativamente da guerrilha descrita no livro.

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“Foi muito gratificante ver a reação de todos depois da palestra. Estudantes tanto do primeiro quanto terceiro ano, que já tinham lido o livro, transpareceram a emoção singular de ter o autor de ‘Mayombe’ em um bate papo tão descontraído. Por fim, alguns dos alunos do segundo ano mostraram-se imensamente interessados pela história e decidiram antecipar a leitura da obra ”, finalizou a Coordenadora de Língua Portuguesa, Susana Vaz Húngaro.

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Haikai sobre bestas / Ostra

Haikai sobre bestas

Temo muitas bestas
Mas a besta que mais temo
É a besta do próprio espelho.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Ostra

Por que és tão vasto?
A cidade é lago,
O lago é deserto,
E cada grão de areia
Desfaz-se em átomo.

Quero fechar-me em mim
Onde é seguro,
Mas também não é eterno.

Sonhar não mata a fome,
Mas mata sofrimento.
Mas, se sofrimento não é eterno, por que sofrimento?

Malditos cavalos-marinhos, zanzando por aí…
Fecho-me em mim, onde é seguro.
Um pouco menos de luz, por favor.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Como um cigarro salvou minha vida

quando tudo acabou
pela última vez
te sentir novamente
parecia algo improvável.
encontrei essa sensação, porém,
num maço de cigarro não tão barato assim.
um.
dois.
três.
vinte.
pensei em perguntar se você
ainda fumava
(aquela marca).
me perdi na lembrança
do cheiro
seu gosto
seu.
sua.
sou.
nem aquela sua camisa
guardada
(amarrotada, melhor dizer)
no fundo do meu guarda-roupa
te traz pra mim
como isso te traz.
traz pra mim.
traz.
de volta.
o clichê
do “te trago em mim”
me persegue
dia após dia
ser o que éramos
ser o que era
ser.
não somos.
mas por
mais ou menos
8 minutos
te tenho de novo
dentro de mim
de onde você realmente nunca saiu.
(fumar mata e a saudade também)

Alguém, 2H2

Microcontos de terror go

“E se meu brinquedo caísse? / E se eu tentasse pegar / E se nessa hora acordasse o monstro da palha / querendo me assustar?”
Quantos de nós já tivemos medo como o pequeno Astolfinho do programa Cocoricó?
E se agora já “crescidos” fôssemos assustados nas escadas, paredes, banheiros do Band com microcontos de terror? Essa é a proposta dos oitavos anos, que nesse 4o.bimestre analisaram contos de terror, suspense e mistério e, em uma atividade livre, sem “valer nota”, escreveram microcontos de terror baseados nos textos lidos (Edgar Alan Poe, Bram Stoker, Ricardo Azevedo, Lygia Fagundes Telles) ou de inspiração livre. Foi um grande desafio, pois os alunos – e as professoras – tiveram de desenvolver e aplicar o poder de síntese.
Nesse Halloween, bastou andar pelo colégio para ter sua paz assombrada.
E bons sonhos.

Profas. Cátia, Grasiela e Lenira; estagiário Gabriel

Para saber nossa inspiração para a atividade, acesse: http://notaterapia.com.br/2016/06/30/os-incriveis-micro-contos-de-terror-em-duas-frases-da-pra-assustar-com-tao-pouco/

Confira na galeria fotos de alguns autores e seus textos

Rococó

Gostaria de escrever sobre você com linguagem mais parnasiana que a do próprio Olavo Bilac;
usar de vocábulos e conjugações dignos de deixar poetas árcades de queixo caído; palavras tão rebuscada quanto as utilizadas por trovadores, que já cantigavam coisas dificílimas muito antes mesmo de sermos forçados a substituir Tupã por Jesus Cristo.
Fazer comparações inimagináveis do seu olhar com os elementos do universo, e estas se encaixam perfeitamente das formas mais lindas, fazendo derreter o coração de qualquer leitor, e desejar que por ele, alguém também escreva tais sentimentalidades sobre a maneira com que movem seus olhos.
Mas sou apenas poetisa de classe media alta que nunca passou nenhum sufoco na vida, que nunca se deslumbrou com palavreado complicado, nem nunca soube se expressar por meio de escrita de enfeitamento, muito menos trocar você pela vossa senhoria.

Isabela Avelar, 3H2

Estímulo

Em meio a estrofes
procuro versos
Palavras sensatas
que me façam sorrir

Risos discretos
trazendo alegria
Transcendendo meu ego
por onde passar

Que seja arrojado
um pouco sereno
Não importa o tamanho
basta contagiar

Se contagia alegra
Quando espontâneo
conduz o ego
E afasta amarguras
para o riso ecoar.

Adalberto O. Santos, inspetor

O mistério do amor

Não muito sei sobre o amor
Aliás ninguém sabe,
É um grande mistério,
Que nos oculta a verdade

De onde vem?
Da mente ou do coração?
Acredito ser infinita,
A chama da paixão

Às vezes causa felicidade,
Outras a tristeza,
Mas o amor
É uma tremenda beleza

O amor é:
Mistério,
Enigma,
Suspense,
Mas nunca pense
Que não existe

Luis de Paula Eduardo, 7G