Anoitecer

Cada raio de luz
Aos poucos se desfaz
O branco vira vermelho
O vermelho vira azul
E o azul fica negro.
O negro é tão escuro,
Não vejo nada…

Então brilha a lua,
Pálida, solitária.
As estrelas consolam
Seu triste choro,
Brilhando fracas,
Em uníssono com a
Mãe, em vão.

As luzes se apagam,
A cidade dorme.
Vagam à noite
Apenas os fantasmas,
De tempos alegres
E eles festejam
Ao som do jogral embebedado.

Canta o jogral
Sobre as alegrias passadas,
As mulheres amadas,
As dores causadas,
À vida, à morte!
Um brinde ao amor!
Um brinde ao ódio!
Afinal, do que seríamos nós
Sem nossos sentimentos?

E nossos tormentos?
Do que somos feitos,
Além de tormentos?
Que tormentos?
Estamos tão alegres,
E a noite é tão linda…
Tomemos então
Esse delicioso vinho…

E aos poucos,
Tudo fica mais claro e
Volto a enxergar.
O negro volta ao azul,
O azul volta ao vermelho
E o vermelho vira branco
E surgem então os primeiros raios de luz.

Marcelo Victor Nigri, ex-aluno 2016

O grito

Cada letra,
Gota de sangue,
Da ferida que macula,
O triste coração.

Se muito escrevo,
Sofro de hemorragia.
Hemorragia causada,
Pela vaidosa solidão.

Perambulam almas, agitadas.
Nada veem,
Apenas caminham,
Presas na tristeza cega.

Falo com elas,
Mas não tenho voz
Toco nelas,
Mas sou feito em gás,
Perfuro elas,
Mas são tão cegas,
Que não sentem a dor.

Eis que caminho,
Com essas palavras
E continuo caindo,
Como uma gota na chuva.

Marcelo V. Nigri, ex-aluno 2016

Travessia

Para onde? Não sei…
As águas o barco levam a novos mares.

Pode ser que eu encontre
Aquele cão mijando no caos,
Que caia numa cachoeira,
Ou na baía de sereias.

Mas o barco carrega
A valiosa carga: memórias.

Essa canoa terá de viajar
Mas seu coração
Permanecer deseja
Dormido nesse castelo.

Dedicatória:
Um presentinho de despedida aos meus queridos professores do Bandeirantes até meu retorno. Até lá, cuidem deste coração que aqui permanece.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Garo(t)a em SP

Vivo em um mundo de tanta coisa compartilhada:
fotos, vídeos sobre o tudo e o nada
que não entendi a cara de assombrada
que ela fez
quando despretensiosamente estendi meu guarda-chuva,
nem o sorriso que ela me deu por conta daquele gesto cortês
como se estivesse em um conto de fadas e fosse uma principessa numa floresta encantada
Que nada!

Estava na cidade-concreto mesmo.

Era apenas uma garota em SP.

Natália, 3B1

Deixando de crescer

Não viverei de meus erros
De meu fracasso passado
Não viverei a esperar
Sentado em um banco
Vendo o mundo passar
Não viverei alojado
Conformado com o concreto
Não viverei alvejado
Transpassado pelo tempo
Não viverei angustiado
Com um coração quebrantado
Que esqueceu de perdoar
Não viverei a tremer
Esperando a adrenalina baixar
Não viverei por ti amar
Você não sabe o que quero
Não viverei ao acaso
O destino não julga a minha causa
Não viverei vestindo e refletindo
Os sonhos de um outro alguém
Não viverei a beijar
A boca de quem não me ama
Não viverei a pisar
As sombras de um outro caminhar
Não viverei exaltando a justiça
Corruptível que lhe agradar
Não viverei a voar
Enquanto o solo de cuidado precisar
Não viverei teu sonho
Que duras dores custará
Não viverei

Jhonata Ferreira de Souza, 3E4

Sentimento sangrante / Olofote / Força de vontade

Sentimento Sangrante

Nem eu sabia
Que coração sangrava
Sangue transparente
Que goteja da cara

Hemorragia mata
Isso sei
Não sou desavisada
Mas se é tão ruim
Por que sinto
Que me faz tão bem?

Então, por favor
Não estanque esse sangue
Que ele mal amado
Pode afogar-me
Mais que a dor que me dá

Força de vontade

É incrível
O quanto o tédio
Move montanhas
Só para não
Mover uma outra

Olofote

Me desfaço em lento passo
Com esse facho a me iluminar
De olhos dóceis sentimentais
Falso, fraco ou de fato
O sentimento, não sei
Não sei, mas quero saber

Lua (Paula V. Barros), 2H1

Haikai sobre bestas / Ostra

Haikai sobre bestas

Temo muitas bestas
Mas a besta que mais temo
É a besta do próprio espelho.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Ostra

Por que és tão vasto?
A cidade é lago,
O lago é deserto,
E cada grão de areia
Desfaz-se em átomo.

Quero fechar-me em mim
Onde é seguro,
Mas também não é eterno.

Sonhar não mata a fome,
Mas mata sofrimento.
Mas, se sofrimento não é eterno, por que sofrimento?

Malditos cavalos-marinhos, zanzando por aí…
Fecho-me em mim, onde é seguro.
Um pouco menos de luz, por favor.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Como um cigarro salvou minha vida

quando tudo acabou
pela última vez
te sentir novamente
parecia algo improvável.
encontrei essa sensação, porém,
num maço de cigarro não tão barato assim.
um.
dois.
três.
vinte.
pensei em perguntar se você
ainda fumava
(aquela marca).
me perdi na lembrança
do cheiro
seu gosto
seu.
sua.
sou.
nem aquela sua camisa
guardada
(amarrotada, melhor dizer)
no fundo do meu guarda-roupa
te traz pra mim
como isso te traz.
traz pra mim.
traz.
de volta.
o clichê
do “te trago em mim”
me persegue
dia após dia
ser o que éramos
ser o que era
ser.
não somos.
mas por
mais ou menos
8 minutos
te tenho de novo
dentro de mim
de onde você realmente nunca saiu.
(fumar mata e a saudade também)

Alguém, 2H2

Microcontos de terror go

“E se meu brinquedo caísse? / E se eu tentasse pegar / E se nessa hora acordasse o monstro da palha / querendo me assustar?”
Quantos de nós já tivemos medo como o pequeno Astolfinho do programa Cocoricó?
E se agora já “crescidos” fôssemos assustados nas escadas, paredes, banheiros do Band com microcontos de terror? Essa é a proposta dos oitavos anos, que nesse 4o.bimestre analisaram contos de terror, suspense e mistério e, em uma atividade livre, sem “valer nota”, escreveram microcontos de terror baseados nos textos lidos (Edgar Alan Poe, Bram Stoker, Ricardo Azevedo, Lygia Fagundes Telles) ou de inspiração livre. Foi um grande desafio, pois os alunos – e as professoras – tiveram de desenvolver e aplicar o poder de síntese.
Nesse Halloween, bastou andar pelo colégio para ter sua paz assombrada.
E bons sonhos.

Profas. Cátia, Grasiela e Lenira; estagiário Gabriel

Para saber nossa inspiração para a atividade, acesse: http://notaterapia.com.br/2016/06/30/os-incriveis-micro-contos-de-terror-em-duas-frases-da-pra-assustar-com-tao-pouco/

Confira na galeria fotos de alguns autores e seus textos