Travessia

Para onde? Não sei…
As águas o barco levam a novos mares.

Pode ser que eu encontre
Aquele cão mijando no caos,
Que caia numa cachoeira,
Ou na baía de sereias.

Mas o barco carrega
A valiosa carga: memórias.

Essa canoa terá de viajar
Mas seu coração
Permanecer deseja
Dormido nesse castelo.

Dedicatória:
Um presentinho de despedida aos meus queridos professores do Bandeirantes até meu retorno. Até lá, cuidem deste coração que aqui permanece.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Haikai sobre bestas / Ostra

Haikai sobre bestas

Temo muitas bestas
Mas a besta que mais temo
É a besta do próprio espelho.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Ostra

Por que és tão vasto?
A cidade é lago,
O lago é deserto,
E cada grão de areia
Desfaz-se em átomo.

Quero fechar-me em mim
Onde é seguro,
Mas também não é eterno.

Sonhar não mata a fome,
Mas mata sofrimento.
Mas, se sofrimento não é eterno, por que sofrimento?

Malditos cavalos-marinhos, zanzando por aí…
Fecho-me em mim, onde é seguro.
Um pouco menos de luz, por favor.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Receita de Alegria

Cada passo,
uma nova realidade.
A mesma sensação
nunca sentida.

Cada material,
um mundo inédito
do que já foi visto

Cada minuto,
um universo novo,
igual ao anterior
porém desconhecido.

A felicidade,
descobrir o já descoberto,
o repetitivo é novo

O passado,
escura sombra do
arrependimento e
do orgulho.
Montanha de
fios emaranhados.
Fios de saudade.

O futuro,
incerto vulto ameaçador.
Um estranho misturado
de sensações corroentes.
Sensações de ânsia.

A única alegria está no agora.

Miguel Sarraf Ferreira Santucci, 3E2

Poema em linha curva

Nunca conheci quem me tivesse dado porrada.
Sempre somente elogios.
E eu, inúmeras vezes inútil,
Chato, irresponsável, vagabundo,
Ininrrespondivelmente burro,
Têm-me ídolo;
Têm-me exemplo.
Arre, estou farto de terem-me Deus!!!
Quantas vezes político;
Quantas vezes físico;
Quantas vezes porco;
Quantas vezes louco;
Fui porque escalado?
Não!
Não tenham-me exemplo!
Não me tenham ídolo!
Me tenham nojo!
Tenham-me repúdio!
Vejam-me parasita, sujo, vil:
No pior sentido da vileza. ”

Miguel Sarraf Ferreira Santucci, 3E2

Mentiras

Minto.
Cada palavra,
Dolorosa lorota.

Sorriso meu,
Sol caloroso que é,
Nada mais, que feito em LED.

Meu eu, que tanto ri,
Céu negro, que se esconde de ti.
Gargalhada, nada mais que trovoada,
Nesta terra, cuja verdade é enevoada.

Se de mim tanto duvidas,
Confia tu então
Nestes sinceros versos,
Estes não mentem, só eu que minto.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Manifesto do altruísmo

O mundo é deprimente. É uma grande bola de depressão. Você olha pras pessoas, pra sociedade no geral e tudo que você consegue pensar é que não há esperança. Nem pra você, nem pra sua família, seu vizinho, ou até mesmo para aquele desconhecido do outro lado do mundo. As pessoas são más, egoístas. Tudo que pensam remete a elas. Vivem no seu próprio mundo utópico, sem se preocupar nem com aqueles que os amam e que eles mesmos dizem amar. É como se houvesse uma cortina, que bloqueasse tudo que há de ruim no mundo.

Ao perceber isso, ao perceber o que o mundo realmente é, você começa a olhar o mundo com um ar de ansiedade. O que será do mundo daqui há alguns anos? Viveremos  numa bolha, sem se comunicar com ninguém? Ou nos destruiremos em busca da procura de um “mundo ideal”, diferente para cada um?

Entretanto, tenho que ser sincera quanto ao primeiro parágrafo desse texto. Generalizei a sociedade. Há sempre pessoas que nos dão esperança. Não muitas. Três, quatro, cinco no máximo. Esses seres humanos nos trazem alegria, apenas por serem quem são. Por agirem como agem. Não se limitando a sua própria “bolha”. Pensando nos outros. Nos que amam, nos que gostam, nos que nem conhecem bem. Trazendo (ou pelo menos tentando trazer) o bem estar daqueles que estão ao seu redor. Essas pessoas, acredito eu, serão aquelas que podem mudar o mundo. Afinal, não se pode querer começar pelo fim. Pequenas mudanças, pequenas ações. Um sorriso, um “como vai?”, um “quer ajuda?”, alguns minutos ouvindo alguém desabafar, um abraço. Tudo isso pode mudar o cotidiano de alguém. São essas pequenas ações que, aos poucos, mudam nossa sociedade. Só espero que esta seja altruísta o suficiente para enxergar isso.

Vitória Flosi, 3B2