Amoribundo

O Amor no leito da Morte
A notícia chegou com a mariposa que
cochichou “o Amor vai morrer,
morreu,
o Amor morreu”

E nós, incrédulos, imersos no nosso amor
Esquecemos
as pessoas
o mundo
a vida
o Amor – moribundo, vai morrer por nossa causa
Por nossa casa

E nós, imersos em beijos e suor
Esquecemos
a mariposa
e a sua mensagem;
amando-nos, omitimo-nos
amando, sentenciamos o Amor
À mor
Te
Amo.

José Henrique Ballini, 3H1

DínAmo

Nunca! Jamais! Prometo. Sempre! Ora, é claro. Volto a afirmar: inesquecível. Que que deu em você hoje? Está tudo bem? Quanto melodrama, credo… O quê? Já, sim. Já pensei nisso. Mas esse pensamento me apavora… Você tem medo? Não precisa ter, tá? Não vou dizer que estou aqui para te proteger, porque você sabe como é, não sabe? Eu não tenho esse poder todo… Mas eu estou aqui para muitas e muitas outras funções. E disso você sabe também, não sabe? Ok, eu inflo seu ego um pouco… Mas, só hoje! Lembra um dia em que discutíamos qual era a melhor forma de viver? Se era sendo famoso, ajudando às pessoas ou se desligando de tudo e de quaisquer responsabilidades e se jogar no que vier. Pois é, a gente concluiu que, pelo menos a princípio, era sendo o mais significativo e marcante para as pessoas mais próximas de nós. E, ah, você sabe que cumpre bem esse modo de vida. Ô se cumpre! Não precisa ter medo não! Se eu acho o quê? Claro que não! Nunca é tarde para tocar piano! Toca Vienna, porfa! Essa música se encaixa bem em você, sabia? É sim! Você é muito ansiosa! Temos tempo pra tudo! Cada coisa no seu tempo… Rá! Pensamento de velho, vamos combinar vai. Velho de cabeça, credo! Acaba por postergar tudo e não faz nem metade do que queria, não é? Tem que viver que nem você, mesmo. Não se culpe por ser intensa demais. Não, eu sei que você nunca se culpou, mas, se um dia isso passar pela sua cabeça, esqueça, ok? Deve ser uma delícia conseguir viver assim… Quisera eu! Tanto amor para dar e receber e nós aqui nos preocupando com a porcaria do nosso orgulho… Incrível como todo mundo diz que só quer amor mas essas pessoas não se encontram… Ainda bem que eu encontrei você. E ainda bem que éramos bem pequetitas, né? Deu tempo de a gente dividir bastante coisa! E ainda dá, não vamos falar como se você tivesse desaparecido desse nosso grande pequeno universo. Ah, a vida é o que está dentro de nós, né? É o que parece. Pare de brigar com meus erros de vírgula! Tá lindo, continua tocando. Tá tão confortável aqui, a gente podia ficar pra sempre… É verdade, tem razão, seria horrível, muito sem vida. Tem antialérgico? Oba! Obrigada! É o que dá sono? Ah, melhor. Eu só quero dormir.

Maíra Romero – 3H1

1o. lugar Concurso Fernando Pessoa: Vitória Lessa Soares – 3H1

Eu sou a febre escrita e transcrita
Sou o frenesi fanático de um formigueiro em fogo.
Sou eu mesma uma metrópole e dentro de mim existem milhões.
Todos caminhando numa constância febril em caminhos descruzados e desconexos que terminam quase sempre sem um fim definido.
E que me importam seus fins?
Os caminhos, percursos, percalços construídos são a verdadeira arte.
Os fins foram, são e serão sempre os mesmos. Os caminhos que traçamos até eles é que mudam, evoluem.
Eu sou a evolução.
Sou quem antes se arrastava e hoje anda erguida.
Sou todo o exagero e a exaltação.
Devo ser lida em voz alta, como um poema de Álvaro de Campos.
Leia alto e para os outros.
Pois quando me leio pra mim, em busca de alguma verdade ou certeza,
o que leio são pedaços perdidos e partidos
Nada respondem, apenas questionam.
Ansiedade, angústia e amargura!
Quero gritar, chorar e fugir de mim.
Quem me dera ter a sorte de nascer sem metafísica.
Como guiar-se em um oceano de si?
Qual será dentro de mim o barco capaz de manter o equilíbrio por aqui?
Talvez devesse me conter mais
Afinal, a vida é efêmera.
Logo não estarei mais aqui e pouco depois já não existirá a língua em que esse poema é escrito.
Aproveitemos o momento.
De que adianta o esforço em registrar todo o filosofar interno, então?
E de que adianta tanto filosofar?
Quanto mais me questiono, mais dúvidas tenho.
Que é divertimento do Olimpo observar as divagações humanas, as voltas que dão sem sair do lugar,
O quão perdidos estão em seu caminho já traçado pelo Fado.
Ficarei aqui, admirando o que vejo.
Tranquila e reservadamente.
Aproveitarei de forma comedida a viagem proporcionada pelo destino.
Sem alçar vôos altos, para reduzir quedas bruscas.
Tirarei desse mínimo, meu máximo.
E me contentarei com o que há de vir, posto que a única certeza que temos
é que o que nos é entregue pela vida, nunca é exatamente o que haveríamos de pedir.
Pois se quiseres saber de mim agora, venha com calma.
Não se apegue, não sabemos por quanto tempo estarei aqui.
Me leia tranqüilamente e aproveite o pouco que tenho. Pois é o máximo, é tudo que sou.
Mais me vale admirar-me com o mundo ou me perder nesse emaranhado de mim?
Não sei por que tanto falo de mim.
Quem sou eu que possa interessar tanto?
Mais: que sei eu de mim mesma?
Sei que sou.
Não sei mais nada.
Não preciso saber mais nada.
O que sei é o que vejo
E vejo o mundo como ele é.
Vejo o mundo ser, apenas
E está bom.
E o que não vejo, não é mundo
E o que vejo é apenas o que vejo.
Não é gancho para me afundar em oceano de reflexões.
Não é metáfora para simbolizar outra coisa
É apenas o que vejo
Tristeza é ser homem e não poder ver as coisas pelo que são, mas pelo que sei.
O que posso saber se construo o saber pelo pensamento e pensamento não é real?
Pensar é não enxergar.
É tentar compensar o que já se basta em si, a visão. É errar.
Penso menos, vejo mais.
Eu sou aquilo que vê e que é vista.
Apenas sou. Sou.
Sou a poeta. Sou fingidora
Escrevi sobre uma pessoa,
traduzi quem achava que era eu
e no fim era outro alguém.
Quem ler pode pensar que me conhece,
mas apenas se enxergou projetada no meu eu-poema.
Eu sou tudo!
Devo ser menos…
Eu apenas sou
Sou o amor pela minha pátria
E sou a vivência da poesia
No fim do dia, sou mais uma Pessoa.

Estrelando

Olha! Não, olha de novo. Aquela estrela se mexeu! Meu pedido? Deixa-me pensar… Está bem. Ótimo. Quero ser estrela! Quero ser mais uma dentre todas que compõem esse espetáculo que estamos olhando agora. Sim, é isso! Não, não quero ser o Sol, fujo de responsabilidades. Seria ótimo, pense bem, ser estrela: quando eu me apagasse só reparariam depois de tanto tempo, que já não seria mais nem lembrada por mim mesma, e sim por uma imagem que ficou. É como viver duas vezes, não é? Vivo por mim no anonimato, e quando me percebem já nem estou viva. Não preciso ter medo de errar pois não arcarei com as consequências… Ora, isso sim é que é liberdade! Seríamos tão iguais que não se dariam ao trabalho de criar diferenças. Os amigos que teria seriam importantes, claro, nos dariam nome, nos chamariam constelação. Mas olhando de baixo, estaríamos todas juntas, sem muita diferença. O bonito seria o conjunto inteiro e não partes dele! Poderia me mexer e, assim, causar uma grande revolução, que não me julgariam! Aliás, adorariam e veriam na exceção algo lindo! Até fariam um pedido! Quanta superstição… e eu nem estaria mais lá, não é? E olha, o melhor: eu seria tão quentinha, que meu próprio calor me bastaria, eu não precisaria de ninguém mais! Ah, que diferença, que liberdade! Minha solidão me bastaria, imagine que sonho! Tantos pequenos tentariam me alcançar, e conforme a vida fosse passando iriam desistindo, porque lhes ensinam que o toque é melhor que a iminência, e só eu saberia que isso não é verdade. Não, minto… Só eu e aquele que nunca cresceu saberíamos! Você poderia ser estrela também! Sim, esse é meu pedido, mudei! Nós seríamos especiais, imagine… Nos bastaríamos mas teríamos um ao outro como extra, algo que nenhuma outra teria… E isso nos faria brilhar mais! Aquele brilho todo especial que só os apaixonados carregam nos olhos, sabe? Todos os que olhariam para nós saberiam que estávamos juntos. Causaríamos intriga, mas o que importa? Nossa vida seria quádrupla, só eu e você saberíamos o motivo disso! Tentariam por anos, décadas, séculos, milênios entender por que vivemos tanto. E, quando descobrissem, tudo mudaria, estariam todos salvos.

Maíra Romero, 3H1

Verão

A nuca em contato com a grama fria
E ele era nada
O sol envolvendo o vestido em luz quente
O tecido dançando, fresta
A calcinha entrevista, rendas
Ela era tudo

O riso líquido nos olhos de cristal
Cabelos dançando também
Ela repassando a luz quente
Pro mundo, pra ele

Tarde de verão, ele lembra,
Grama fria sob a nuca,
Ela dançava com os cabelos e o tecido
Riso difuso
Já vago
Já choro
Já morte

Agora a tarde de verão é fria
Ele deita ao lado da lápide:
“Dias melhores virão”
Espera a vida acabar

José Henrique Ballini Luiz, 3H1

Pra sempre

E se viram. E se aproximaram. E se falaram. E se identificaram. E se amaram. E se amaram de novo. E de novo. Mas juraram amor, que perigo. Pra sempre. E se amaram. Pra sempre. E repetidamente. Pra sempre. E se amaram de novo, mas menos. Pra sempre. E se amaram, um pouquinho menos. Pra sempre. Mas ainda era amor. Pra sempre. E se amaram, mas menos. Pra sempre. E se amar… Aonde você vai, amor? Calma, fica. Volta, não bate a porta. Ok… Onde eu parei? Ah sim, pra sempre.

Amanda Sanches de Souza, 3H1

 

Frio

Faz frio na solidão e eu te peço abrigo; pergunto-me como vim parar aqui. Por quê? Faz frio, disseram, e bastou que eu ficasse sozinho para que o soubesse e passasse a amar o sol – o sol anula a solidão. Seu efeito é terapêutico e temporário; quisera eu fosse profilático e definitivo. Na sombra faz frio. Na sombra, estou sozinho se novo. As lágrimas congelam-se antes de encontrar o chão. Fragmentos; congelam-se as emoções. No início era o desespero, agora é o inverno – não sinto mais nada. Faz frio e te peço abrigo; peço-o pela lembrança do teu calor. O beijo úmido era o abrigo mais seco; as mãos frias eram manto de paz – aqueciam. Choro porque o sol se pôs e faz tempo; choro porque não me avisou que aquele seria o último crepúsculo e porque tenho saudades. Grito porque não me despedi do sol. Quando ele se foi, minha alma ocupava-se tentando despedir-se da tua. Mas ainda penso em ti e te respiro, e tu te distancias. Não durmo porque espero a primeira nova manhã, mas a solidão me consome os sentidos e já não sou mais.

José Henrique Ballini Luiz, 3H1

Show

Manteve seu personagem
decorou todas as falas
odiou os maus atores
com uma ira áspera
de quem não se permite errar

Mas quando o show acabou
não teve os aplausos cálidos
nem as flores de aprovação
Não teve nada
fora o roteiro frio
ao qual se agarrara

 Gustavo de Almeida Silva, 3H1

Pelo canto do olho te vejo perto do bar. Aproveito para olhar e esse olhar só para quando você genuinamente o retribui. Você está indo pra longe, é como se eu te perdesse na multidão. Ou quase. Multidão desagradável, essa. Mas você ainda está lá, agora pronto para partir. Acho que sei que te perdi. Ora, esse meu orgulho. Por que raios não estou indo rápido falar com você? Já imagino tudo. Eu vou. Ah, vou, sim. Te cumprimento e te abraço, fingindo que esse é meu cumprimento habitual. Não preciso fingir. Não pra você. Sinto tanto seus braços, seu cheiro, seu calor. Não é como se o mundo tivesse parado para nós, nem como se a música tivesse baixado. Muito pelo contrário! Está tudo tão intenso, sobrecarregando meus sentidos, chega a ser inebriante. Em algum momento começamos a deslizar nossas bochechas, mas esse momento não importa, só o que sei é o que está por vir. Abro os olhos, só então percebendo que estavam fechados e você está me olhando. Ora, olhando pra quê? Quê é que se tem para olhar aqui? Por favor, pare. Você para e põe sua mão em meu rosto. Extasia-me esse toque, tenho medo de ter mais. Acho que sempre tive medo. Desde aquela vez, lembra? Não, não lembra. Foi tudo só em mim. Tem o direito de saber, você. É, você mesmo! Pois é, desde aquela tarde eu penso em você. Vai dizer que não percebeu… Mesmo se não tivesse percebido, parece que tive agentes externos, não é? Exatamente do jeito que eu não queria que fosse… Talvez tenha dado certo. Mas não se assuste, viu. Nada foi assim tão rápido. Ou talvez tenha sido, mas a percepção só veio bem depois. Desculpe, falo demais. Na verdade, falo de menos? É, realmente puxar papo não é meu forte, me desculpe. Não tem nada pra desculpar-me? Ora, claro que sim! Já te disse, sou péssima nesses assuntos. São novidade pra mim. Talvez pra você não seja, mas aí eu já não sei. Nunca te perguntei… Por que? Ah, é claro, vergonha ué… Não, é claro que não vou perguntar pra ninguém de fora sobre isso, não está em meus direitos… Você me pergunta se eu gosto dessa música? Não, não gosto nem sei como se dança… Ora, claro que quero dançar. Sim, preferiria se fosse uma das suas músicas… Bote um Chico, dancemos valsinha… Poxa, careta? Desculpe, sou romântica. Não tem nada pra me desculpar? Você sabe que tenho razão, falo demais. Obrigada por calar-me.

 

Maíra Romero, 3H1