Reflexão sobre a própria essência

Sou…quem?

Um nome

Que também pertence a outras pessoas?

Algo que nem tive a oportunidade de escolher?

Que já me carrega de sentido antes de nascer?

 

Não, não pode ser

 

E se eu for DNA?

A genética não me diz quem sou e quem vou ser?

Parcialmente…cabe a mim escolher o que fazer com supostas predileções.

É isso! Sou minhas escolhas!

‘Minhas’ escolhas?

 

Se JÁ fiz a inscrição para a Fuvest?

Se vou fazer Direito/ Medicina/ Engenharia?

Se estou namorando (algum menino né! Pelo amor de Deus nosso senhor)?

 

Minhas escolhas são mesmo minhas?

E então Sartre? Estou eu condenada à liberdade?

Ou não seria melhor dizer sociedade?

Sociedade datada de que sou mero produto reprodutor…

Nada sou eu além número

Determinado pelas relações materiais do grupo social em que nasci

Um pedaço de carbono que, se der sorte, logo perderá a consciência.

É, nada sou

Nem mesmo existo

Já não mais penso….

Afinal, pensa quem pode

E aceita quem quer, ou melhor, não quer…sofrer

Mais uma nota da 3H1

Verônica Dufrayer, 3H1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: terceiro colocado: “Poema das bolhas”, Verônica Dufrayer, 3H1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Poema das bolhas

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

Verônica Dufrayer, 3H1

 

Eu amei uma garota

Eu?

Aquariano do coração ressecado

Da mente venenosa

Das palavras radioativas

Bicho cínico

Cuspia com escárnio

No próprio conceito abstrato

Do sentimento primitivo

 

Amor

 

Eu amei uma garota

Doida, talvez

Marcada nos pulsos

Pelo amargor insípido

De sua existência juvenil

Exausta da vida

Antes mesmo de começar a viver

 

Ela era como eu

E também era tudo o que eu não era

 

Uma Vênus

Que nunca segurou um espelho

Uma obra-prima

Inconsciente da magnitude de seu valor

 

Nunca teria me notado

Mas notou

Nunca teria me amado

 

Nunca teria me amado

 

Com um sorriso,

Ela me desarma

Com um olhar,

Ela me subjuga

 

Sinto medo

Resisto da maneira que posso

Uma besta incapaz de compreender

A sensação que domina seu espírito

 

Um monstro,

Arisco demais para amar

 

Áspero

Idiota

 

Eu amei uma garota

Só agora percebo isso

 

Ninguém, 3H1

Nem toda ouvidos

Concentrada em se desconcentrar
ia deitada a se embriagar
de sono.
Expira.
Inspira.
Aspira.
BEEEEEEEM!!!
Ah não.
De novo não.
BEEEEEEM!!!
Calma, tá tudo certo, alguém já vai resolve-
BEEEEEEM!!
Eu tenho prova amanhã, pelo amor de Deu-
BEEEEEM!!!
Preciso dormir!
Vamos lá, foco.
Ignora o barulho, já vai parar.
Ó, tá vendo? Paro-
BEEEEEEEM!!!
Que fiz pra merecer isso?! É sempre esse maldito alarme!
Carro do infer-
BEEEEEEM!!!
Vizinho idiota! Por que não desliga o alarme do carro?
Toda noite esse barulho logo que eu pego sono!
Será de propósito?!
BEEEEEEM!!!
Cara, que vontade de jogar uns ovos nessa lata velha.
Pior que deve ter alguns na geladeira….
Já pensou?
O som dos ovos quebrando, ai que alívio!
E o trabalho pra limpar? Hahah
Mas a melhor parte seria a cara do vizinho!
Hahahah, imagina a cara dele!
Aposto que daria um grito,
Que música seria para meus ouvidos!
Espera…

O alarme parou.
Vai dormir criatura.

Verônica Dufrayer, 3H1

Amoribundo

O Amor no leito da Morte
A notícia chegou com a mariposa que
cochichou “o Amor vai morrer,
morreu,
o Amor morreu”

E nós, incrédulos, imersos no nosso amor
Esquecemos
as pessoas
o mundo
a vida
o Amor – moribundo, vai morrer por nossa causa
Por nossa casa

E nós, imersos em beijos e suor
Esquecemos
a mariposa
e a sua mensagem;
amando-nos, omitimo-nos
amando, sentenciamos o Amor
À mor
Te
Amo.

José Henrique Ballini, 3H1

DínAmo

Nunca! Jamais! Prometo. Sempre! Ora, é claro. Volto a afirmar: inesquecível. Que que deu em você hoje? Está tudo bem? Quanto melodrama, credo… O quê? Já, sim. Já pensei nisso. Mas esse pensamento me apavora… Você tem medo? Não precisa ter, tá? Não vou dizer que estou aqui para te proteger, porque você sabe como é, não sabe? Eu não tenho esse poder todo… Mas eu estou aqui para muitas e muitas outras funções. E disso você sabe também, não sabe? Ok, eu inflo seu ego um pouco… Mas, só hoje! Lembra um dia em que discutíamos qual era a melhor forma de viver? Se era sendo famoso, ajudando às pessoas ou se desligando de tudo e de quaisquer responsabilidades e se jogar no que vier. Pois é, a gente concluiu que, pelo menos a princípio, era sendo o mais significativo e marcante para as pessoas mais próximas de nós. E, ah, você sabe que cumpre bem esse modo de vida. Ô se cumpre! Não precisa ter medo não! Se eu acho o quê? Claro que não! Nunca é tarde para tocar piano! Toca Vienna, porfa! Essa música se encaixa bem em você, sabia? É sim! Você é muito ansiosa! Temos tempo pra tudo! Cada coisa no seu tempo… Rá! Pensamento de velho, vamos combinar vai. Velho de cabeça, credo! Acaba por postergar tudo e não faz nem metade do que queria, não é? Tem que viver que nem você, mesmo. Não se culpe por ser intensa demais. Não, eu sei que você nunca se culpou, mas, se um dia isso passar pela sua cabeça, esqueça, ok? Deve ser uma delícia conseguir viver assim… Quisera eu! Tanto amor para dar e receber e nós aqui nos preocupando com a porcaria do nosso orgulho… Incrível como todo mundo diz que só quer amor mas essas pessoas não se encontram… Ainda bem que eu encontrei você. E ainda bem que éramos bem pequetitas, né? Deu tempo de a gente dividir bastante coisa! E ainda dá, não vamos falar como se você tivesse desaparecido desse nosso grande pequeno universo. Ah, a vida é o que está dentro de nós, né? É o que parece. Pare de brigar com meus erros de vírgula! Tá lindo, continua tocando. Tá tão confortável aqui, a gente podia ficar pra sempre… É verdade, tem razão, seria horrível, muito sem vida. Tem antialérgico? Oba! Obrigada! É o que dá sono? Ah, melhor. Eu só quero dormir.

Maíra Romero – 3H1

1o. lugar Concurso Fernando Pessoa: Vitória Lessa Soares – 3H1

Eu sou a febre escrita e transcrita
Sou o frenesi fanático de um formigueiro em fogo.
Sou eu mesma uma metrópole e dentro de mim existem milhões.
Todos caminhando numa constância febril em caminhos descruzados e desconexos que terminam quase sempre sem um fim definido.
E que me importam seus fins?
Os caminhos, percursos, percalços construídos são a verdadeira arte.
Os fins foram, são e serão sempre os mesmos. Os caminhos que traçamos até eles é que mudam, evoluem.
Eu sou a evolução.
Sou quem antes se arrastava e hoje anda erguida.
Sou todo o exagero e a exaltação.
Devo ser lida em voz alta, como um poema de Álvaro de Campos.
Leia alto e para os outros.
Pois quando me leio pra mim, em busca de alguma verdade ou certeza,
o que leio são pedaços perdidos e partidos
Nada respondem, apenas questionam.
Ansiedade, angústia e amargura!
Quero gritar, chorar e fugir de mim.
Quem me dera ter a sorte de nascer sem metafísica.
Como guiar-se em um oceano de si?
Qual será dentro de mim o barco capaz de manter o equilíbrio por aqui?
Talvez devesse me conter mais
Afinal, a vida é efêmera.
Logo não estarei mais aqui e pouco depois já não existirá a língua em que esse poema é escrito.
Aproveitemos o momento.
De que adianta o esforço em registrar todo o filosofar interno, então?
E de que adianta tanto filosofar?
Quanto mais me questiono, mais dúvidas tenho.
Que é divertimento do Olimpo observar as divagações humanas, as voltas que dão sem sair do lugar,
O quão perdidos estão em seu caminho já traçado pelo Fado.
Ficarei aqui, admirando o que vejo.
Tranquila e reservadamente.
Aproveitarei de forma comedida a viagem proporcionada pelo destino.
Sem alçar vôos altos, para reduzir quedas bruscas.
Tirarei desse mínimo, meu máximo.
E me contentarei com o que há de vir, posto que a única certeza que temos
é que o que nos é entregue pela vida, nunca é exatamente o que haveríamos de pedir.
Pois se quiseres saber de mim agora, venha com calma.
Não se apegue, não sabemos por quanto tempo estarei aqui.
Me leia tranqüilamente e aproveite o pouco que tenho. Pois é o máximo, é tudo que sou.
Mais me vale admirar-me com o mundo ou me perder nesse emaranhado de mim?
Não sei por que tanto falo de mim.
Quem sou eu que possa interessar tanto?
Mais: que sei eu de mim mesma?
Sei que sou.
Não sei mais nada.
Não preciso saber mais nada.
O que sei é o que vejo
E vejo o mundo como ele é.
Vejo o mundo ser, apenas
E está bom.
E o que não vejo, não é mundo
E o que vejo é apenas o que vejo.
Não é gancho para me afundar em oceano de reflexões.
Não é metáfora para simbolizar outra coisa
É apenas o que vejo
Tristeza é ser homem e não poder ver as coisas pelo que são, mas pelo que sei.
O que posso saber se construo o saber pelo pensamento e pensamento não é real?
Pensar é não enxergar.
É tentar compensar o que já se basta em si, a visão. É errar.
Penso menos, vejo mais.
Eu sou aquilo que vê e que é vista.
Apenas sou. Sou.
Sou a poeta. Sou fingidora
Escrevi sobre uma pessoa,
traduzi quem achava que era eu
e no fim era outro alguém.
Quem ler pode pensar que me conhece,
mas apenas se enxergou projetada no meu eu-poema.
Eu sou tudo!
Devo ser menos…
Eu apenas sou
Sou o amor pela minha pátria
E sou a vivência da poesia
No fim do dia, sou mais uma Pessoa.

Estrelando

Olha! Não, olha de novo. Aquela estrela se mexeu! Meu pedido? Deixa-me pensar… Está bem. Ótimo. Quero ser estrela! Quero ser mais uma dentre todas que compõem esse espetáculo que estamos olhando agora. Sim, é isso! Não, não quero ser o Sol, fujo de responsabilidades. Seria ótimo, pense bem, ser estrela: quando eu me apagasse só reparariam depois de tanto tempo, que já não seria mais nem lembrada por mim mesma, e sim por uma imagem que ficou. É como viver duas vezes, não é? Vivo por mim no anonimato, e quando me percebem já nem estou viva. Não preciso ter medo de errar pois não arcarei com as consequências… Ora, isso sim é que é liberdade! Seríamos tão iguais que não se dariam ao trabalho de criar diferenças. Os amigos que teria seriam importantes, claro, nos dariam nome, nos chamariam constelação. Mas olhando de baixo, estaríamos todas juntas, sem muita diferença. O bonito seria o conjunto inteiro e não partes dele! Poderia me mexer e, assim, causar uma grande revolução, que não me julgariam! Aliás, adorariam e veriam na exceção algo lindo! Até fariam um pedido! Quanta superstição… e eu nem estaria mais lá, não é? E olha, o melhor: eu seria tão quentinha, que meu próprio calor me bastaria, eu não precisaria de ninguém mais! Ah, que diferença, que liberdade! Minha solidão me bastaria, imagine que sonho! Tantos pequenos tentariam me alcançar, e conforme a vida fosse passando iriam desistindo, porque lhes ensinam que o toque é melhor que a iminência, e só eu saberia que isso não é verdade. Não, minto… Só eu e aquele que nunca cresceu saberíamos! Você poderia ser estrela também! Sim, esse é meu pedido, mudei! Nós seríamos especiais, imagine… Nos bastaríamos mas teríamos um ao outro como extra, algo que nenhuma outra teria… E isso nos faria brilhar mais! Aquele brilho todo especial que só os apaixonados carregam nos olhos, sabe? Todos os que olhariam para nós saberiam que estávamos juntos. Causaríamos intriga, mas o que importa? Nossa vida seria quádrupla, só eu e você saberíamos o motivo disso! Tentariam por anos, décadas, séculos, milênios entender por que vivemos tanto. E, quando descobrissem, tudo mudaria, estariam todos salvos.

Maíra Romero, 3H1

Verão

A nuca em contato com a grama fria
E ele era nada
O sol envolvendo o vestido em luz quente
O tecido dançando, fresta
A calcinha entrevista, rendas
Ela era tudo

O riso líquido nos olhos de cristal
Cabelos dançando também
Ela repassando a luz quente
Pro mundo, pra ele

Tarde de verão, ele lembra,
Grama fria sob a nuca,
Ela dançava com os cabelos e o tecido
Riso difuso
Já vago
Já choro
Já morte

Agora a tarde de verão é fria
Ele deita ao lado da lápide:
“Dias melhores virão”
Espera a vida acabar

José Henrique Ballini Luiz, 3H1