Rococó

Gostaria de escrever sobre você com linguagem mais parnasiana que a do próprio Olavo Bilac;
usar de vocábulos e conjugações dignos de deixar poetas árcades de queixo caído; palavras tão rebuscada quanto as utilizadas por trovadores, que já cantigavam coisas dificílimas muito antes mesmo de sermos forçados a substituir Tupã por Jesus Cristo.
Fazer comparações inimagináveis do seu olhar com os elementos do universo, e estas se encaixam perfeitamente das formas mais lindas, fazendo derreter o coração de qualquer leitor, e desejar que por ele, alguém também escreva tais sentimentalidades sobre a maneira com que movem seus olhos.
Mas sou apenas poetisa de classe media alta que nunca passou nenhum sufoco na vida, que nunca se deslumbrou com palavreado complicado, nem nunca soube se expressar por meio de escrita de enfeitamento, muito menos trocar você pela vossa senhoria.

Isabela Avelar, 3H2

Eu te amei (por Aleksandr Pushkin)

Eu te amei, e todo esse amor, talvez,
Ainda não se tenha se extinguido da minha alma
Mas não deixe que isso te deixe atordoada
Eu não quero perturbar-te com nada
Eu amei-te silenciosamente e sem esperança
Agora pela timidez e ciúmes atormentado
Eu te amei tão sinceramente e tão profundamente,
Espero que Deus lhe conceda ser amada do mesmo jeito por outro

Victória Echechipia, 3H2 (tradução)

Texto original:

Я вас любил,
От Александр Пушкин

Я вас любил: любовь еще, быть может,
В душе моей угасла не совсем;
Но пусть она вас больше не тревожит;
Я не хочу печалить вас ничем.
Я вас любил безмолвно, безнадежно,
То робостью, то ревностью томим;
Я вас любил так искренно, так нежно,
Как дай вам Бог любимой быть другим

Leitura fonética:

Ya vas lyubil
Ot Aleksandr Pushkin

Ya vas lyubil: lyubov yeshcho, bit mojet
V dushye maiey ugasla nye savsyem
No pust ana vas bolshye nye tryevajit
Ya nye hachu pyechalit vas nichyem
Ya vas lyubil byezmolvna, byeznadyejna
To robastyu, to ryevnastyu tomim
Ya vas lyubil tak iskryenna, tak nyejna
Kak dayi van Bog lyubimoyi bit drugim.

Noites em claro

Eu não sei quem definiu que o ser humano deveria dormir um mínimo de oito horas por noite, não há ninguém com a mente vazia o bastante pra dormir por tanto tempo, eu por exemplo, faço parte do grupo daqueles que mal conseguem dormir. Veja só, os dias podem ser lindos, céu azul irradiante e calentador (ou cinza deprimente, o que você preferir) mas não há nada que me deixe sem fôlego como as noites de lua cheia, ou a infinidade de estrelas no céu, e o fato que elas nem estão mais lá, uma vez que a luz viaja devagar demais e nos impede de ver o que realmente ocorre nesse universo. Nós, seres minúsculos, vivendo em uma mistura gigantesca de água e terra, flutuando em zero gravidade, girando por todo sempre em volta de uma chama eterna, até o planeta está preso à uma rotina. O ponto é, o mundo é grande demais pra que percamos tempo dormindo oito horas por noite, nossa cabeça é constantemente bombardeada com quantidades enormes de ideias efêmeras, se não forem colocadas no papel rápido o bastante, são logo facilmente descartadas e mandadas para o limbo, onde nunca mais serão tocadas. Se eu estivesse dormindo este texto não estaria aqui, nem estariam todos os meus planos pra salvar os seres vivos e a humanidade, que porém, vou esquecer nos próximos cinco segundos.

Isabela Avelar, 3H2

Mínima

desejo me espalhar no mundo
me evaporar
condensar em forma de mar
irradiar luz do sol
ou brilho de luar

ó destino
porque não nasci átomo
tive que nascer de corpo inteiro

filha da lua
astro, asteróide
de tudo um pouco quase nada

antes eu fosse
conchinha no mar
me desfazendo em areia
sumindo a cada pisar

se fosse folha na arvore
clorofila da vida
deprendo-me do galho
numa eterna despedida

mas nasci humana
presa em corpo
minha alma e espirito
aprisionados em efemeridades
ate que me liberto
enfim
nita

Isabela Avelar, 3H2

Euphoria

meu corpo está repleto de cansaço,
minha alma se enche de tristeza,
meu cérebro me enche de falta de
[ motivação,
fico me questionando:
o que sou?
para que sirvo?
preciso parar,
preciso acabar,
preciso ter algo em que me apoiar
e tudo vai parando até que
ACHEI!!!!
Alegria
Velocidade, Alucinação, Rock paulera
Euforia
Luzes, Cheiros, Emoções
Os pássaros voam.
Onde eu estou?
Quem eu sou?
Quem Eu não sou?
Do que EU não sou capaz?
Talvez de nada!
talvez de tudo….
talvez eu não seja ninguém mesmo…
por que tudo está parando?
tudo voltando ao normal (?)
meu corpo está repleto de cansaço,
minha alma se enche de tristeza,
meu cérebro me enche de falta de
[ motivação,

Vítor Matheus Brilhante, 3H2

Sonho

às vezes eu me pergunto se eu não estou presa em um sonho
ou melhor, num pesadelo
isso vale tanto para a minha vida pessoal
que não é horrível, claro
meus problemas são banais comparados aos de outros
mas para a minha realidade, essas banalidades são o fim do mundo
então eu me deparo com o planeta
corrupção
pobreza
mortes
guerra
ódio
assistindo um vídeo de “propaganda” do Estado Islâmico, eu me perguntei
“Será possível que isso tudo seja real?”
“A que ponto o ser humano chegou?”
espero pelo dia que eu acorde no meu mundo utópico
que tudo esteja em paz e que haja tolerância
não pode ser que exista tanta indiferença de um ser humano para outro
de um ser humano para um animal
de um ser humano para o meio ambiente
vivemos uma pandemia
do ódio, do terror
do fim

Isabela Rodrigues Avelar, 3H2

Simbolismo

cada um carrega um simbolo
um pedaço da sua identidade
consigo

olho para ela e vejo aquele coração
banhado em ouro
carrega o amor de outro
“que outro?” me pergunto
talvez da avó
ou madrinha
quem sabe de um namorado
vai saber
 

ele com aquela camiseta preta
“que banda é aquela ?”
desconheço
talvez eu ouça e a ame
ou a odeie
“quem disse que é uma banda?”
pode ser marca de roupa
videogame
filme
livro
tantas alternativas
talvez alguma dessas se adeque a realidade
 

alguém passou com um anel
um símbolo único
provavelmente comprado de um hippie
numa praia no fim do mundo
era sem igual
mas o que significava aquilo
vida eterna?
karma?
ou era uma arte abstrata
meticulosamente elaborada
pelo artista em uma epifania
moldada
em arame barato
enrolada
 

ao olhar meticulosamente vários indivíduos
noto a presença de tantos símbolos
que perco a conta
cada um carrega um significado
um algo
um sentimento
um alguém
um conjunto destas
sei lá
não tive coragem de perguntar
vai que era tudo fingimento
e eles também não sabem
 

Rosa, 3H2

Aponta
o lápis e afia a mente
abre a cabeça
para os problema da gente.
Da gente
que sofre como lixo
pelo bem do seu luxo.
Puxa, que pena
só vejo números nessa brincadeira,
de mortes, de tragédias
e na conta bancária desses comédias.
Aponta
o lápis e afia a mente
Antes que o policial apague
A mente
De quem não apagou
A ponta

Sergio Phu, 3H2

A fábula de Pedro Guerra

Tempos atrás, nos confins das pradarias do Rio Grande do Sul, nasceu uma criança fugaz e promissora, que já em seus primeiros anos de vida demonstrara uma determinação impressionante em se tornar rico, amado e pai de uma grande familia. Porém, mal sabia ele que, como todos os homens, estava condenado às ironias do Destino.

Pedro Guerra, filho de Antonio Carlos Guerra e Tânia Guerra, sempre se destacou mais que sua irmã mais nova, Terezinha Guerra, demonstrando maturidade e uma coleção de princípios impressionante. Com 13 anos colocou seu primeiro cigarro de palha na boca e dois anos depois já tomava conta de uma pequena plantação de tabaco em nome de seu pai. Aos 17, comprou esta mesma plantação, com o dinheiro arrecadado de seus bicos como marceneiro, escrivão judiciário e segurança noturno. Em poucos verões, após a morte de seu pai, Pedro fez de sua fazenda uma das maiores e mais rentáveis fazendas de tabaco gaúchas, para onde se mudou com sua família.

Pedro Guerra conseguia de tudo, menos uma alma gêmea. Já tinha se deitado com todas as belas gurias da região, mas a nenhuma delas se apegava. Impaciente, o rapaz foi a uma vidente para saber se estava perto de encontrar sua grande paixão. Porém, a velha nada falou sobre amor, apenas disse a Pedro que alguém de sua fazenda iria matá-lo.

A partir daí, o jovem, crente dos fenômenos paranormais, passava noites em claro temendo que lhe tirassem a vida enquanto dormia. Mandou instalar na porta e janelas de seu quarto as melhores trancas da região, que só abriam com apenas uma única chave, protegida em volta do pescoço do próprio Guerra. Mas a paranóia não parou por aí.

Ao se engasgar com um pedaço de cenoura, Pedro acusou sua mãe, que cozinhava para ele desde criança, de tentar envenená-lo e expulsou a coitada da fazenda. Meses depois, ao ver Terezinha se engraçando com um dos jovens empregados da plantação, Zé Carlos(Zeca), sem pestanejar demitiu o rapaz. Guerra desconfiava que este e sua irmã iriam se unir para matá-lo e tomar posse de suas propriedades. Quando Terezinha se pronunciou contra as atitudes do irmão, também foi expulsa. Nada conseguia parar Pedro Guerra.

O jovem promissor agora já era um velho arrogante, já tinha perdido muito da grandeza de sua fazenda. Devido à sua desconfiança, a maioria dos funcionários tinha deixado seus trabalhos e os que faltavam estavam a caminho de fazê-lo.

Pedro Guerra morreu sozinho, sentado na sua varanda com um cigarro de palha ainda aceso na mão. Causa da morte: Câncer de laringe.

Tomás Fernandes, 3H2