Rococó

Gostaria de escrever sobre você com linguagem mais parnasiana que a do próprio Olavo Bilac;
usar de vocábulos e conjugações dignos de deixar poetas árcades de queixo caído; palavras tão rebuscada quanto as utilizadas por trovadores, que já cantigavam coisas dificílimas muito antes mesmo de sermos forçados a substituir Tupã por Jesus Cristo.
Fazer comparações inimagináveis do seu olhar com os elementos do universo, e estas se encaixam perfeitamente das formas mais lindas, fazendo derreter o coração de qualquer leitor, e desejar que por ele, alguém também escreva tais sentimentalidades sobre a maneira com que movem seus olhos.
Mas sou apenas poetisa de classe media alta que nunca passou nenhum sufoco na vida, que nunca se deslumbrou com palavreado complicado, nem nunca soube se expressar por meio de escrita de enfeitamento, muito menos trocar você pela vossa senhoria.

Isabela Avelar, 3H2

Noites em claro

Eu não sei quem definiu que o ser humano deveria dormir um mínimo de oito horas por noite, não há ninguém com a mente vazia o bastante pra dormir por tanto tempo, eu por exemplo, faço parte do grupo daqueles que mal conseguem dormir. Veja só, os dias podem ser lindos, céu azul irradiante e calentador (ou cinza deprimente, o que você preferir) mas não há nada que me deixe sem fôlego como as noites de lua cheia, ou a infinidade de estrelas no céu, e o fato que elas nem estão mais lá, uma vez que a luz viaja devagar demais e nos impede de ver o que realmente ocorre nesse universo. Nós, seres minúsculos, vivendo em uma mistura gigantesca de água e terra, flutuando em zero gravidade, girando por todo sempre em volta de uma chama eterna, até o planeta está preso à uma rotina. O ponto é, o mundo é grande demais pra que percamos tempo dormindo oito horas por noite, nossa cabeça é constantemente bombardeada com quantidades enormes de ideias efêmeras, se não forem colocadas no papel rápido o bastante, são logo facilmente descartadas e mandadas para o limbo, onde nunca mais serão tocadas. Se eu estivesse dormindo este texto não estaria aqui, nem estariam todos os meus planos pra salvar os seres vivos e a humanidade, que porém, vou esquecer nos próximos cinco segundos.

Isabela Avelar, 3H2

Mínima

desejo me espalhar no mundo
me evaporar
condensar em forma de mar
irradiar luz do sol
ou brilho de luar

ó destino
porque não nasci átomo
tive que nascer de corpo inteiro

filha da lua
astro, asteróide
de tudo um pouco quase nada

antes eu fosse
conchinha no mar
me desfazendo em areia
sumindo a cada pisar

se fosse folha na arvore
clorofila da vida
deprendo-me do galho
numa eterna despedida

mas nasci humana
presa em corpo
minha alma e espirito
aprisionados em efemeridades
ate que me liberto
enfim
nita

Isabela Avelar, 3H2

Sonho

às vezes eu me pergunto se eu não estou presa em um sonho
ou melhor, num pesadelo
isso vale tanto para a minha vida pessoal
que não é horrível, claro
meus problemas são banais comparados aos de outros
mas para a minha realidade, essas banalidades são o fim do mundo
então eu me deparo com o planeta
corrupção
pobreza
mortes
guerra
ódio
assistindo um vídeo de “propaganda” do Estado Islâmico, eu me perguntei
“Será possível que isso tudo seja real?”
“A que ponto o ser humano chegou?”
espero pelo dia que eu acorde no meu mundo utópico
que tudo esteja em paz e que haja tolerância
não pode ser que exista tanta indiferença de um ser humano para outro
de um ser humano para um animal
de um ser humano para o meio ambiente
vivemos uma pandemia
do ódio, do terror
do fim

Isabela Rodrigues Avelar, 3H2