Luiza

Tarde no cinema e ela ri,
Acena pra mim do seu lugar:
“Vem, vai começar!”

Luiza é romance na comédia da vida
A alegria no amor e o drama na
Despedida.
Amor que não se mede.

O sorriso-Angelina
Ela não imagina:
Por ela rasgo o roteiro do futuro,
Quero fazer amor no escuro,
Gritar pro mundo inteiro.

Luiza.
Câmera. Ação.

José Henrique Ballini Luiz, 3H1

Verão

A nuca em contato com a grama fria
E ele era nada
O sol envolvendo o vestido em luz quente
O tecido dançando, fresta
A calcinha entrevista, rendas
Ela era tudo

O riso líquido nos olhos de cristal
Cabelos dançando também
Ela repassando a luz quente
Pro mundo, pra ele

Tarde de verão, ele lembra,
Grama fria sob a nuca,
Ela dançava com os cabelos e o tecido
Riso difuso
Já vago
Já choro
Já morte

Agora a tarde de verão é fria
Ele deita ao lado da lápide:
“Dias melhores virão”
Espera a vida acabar

José Henrique Ballini Luiz, 3H1

Frio

Faz frio na solidão e eu te peço abrigo; pergunto-me como vim parar aqui. Por quê? Faz frio, disseram, e bastou que eu ficasse sozinho para que o soubesse e passasse a amar o sol – o sol anula a solidão. Seu efeito é terapêutico e temporário; quisera eu fosse profilático e definitivo. Na sombra faz frio. Na sombra, estou sozinho se novo. As lágrimas congelam-se antes de encontrar o chão. Fragmentos; congelam-se as emoções. No início era o desespero, agora é o inverno – não sinto mais nada. Faz frio e te peço abrigo; peço-o pela lembrança do teu calor. O beijo úmido era o abrigo mais seco; as mãos frias eram manto de paz – aqueciam. Choro porque o sol se pôs e faz tempo; choro porque não me avisou que aquele seria o último crepúsculo e porque tenho saudades. Grito porque não me despedi do sol. Quando ele se foi, minha alma ocupava-se tentando despedir-se da tua. Mas ainda penso em ti e te respiro, e tu te distancias. Não durmo porque espero a primeira nova manhã, mas a solidão me consome os sentidos e já não sou mais.

José Henrique Ballini Luiz, 3H1

Último olhar

Não precisa
Me querer.
Se quiser me
Querer já estou
Feliz.

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E sempre as trevas
Do teu silêncio, teu
Amor nublado que
Me basta em
Pensamento.

Eu, que te quis com
Precisão cirúrgica e
Paixão lúdica,
Não pude matar
O desejo estelar na
Constelação das pequenas
Vidas e das
Mortes breves –
Tantas mortes
Tão breves

Que seja do amor o
Último olhar a
Tocar seus olhos
Que brilham,

À luz do afeto
Os nomes em laço
Eternizados no traço
Gravado em concreto

Me toma de assalto
Seu beijo
E alto me eleva
Em cortejo de olhares
E cheiros
Milhares de medos
Afloram
No calor do gozo
Namoram
Seus dedos
Os meus.

José Henrique Ballini Luiz, 3H1