Um pouco de possível

Um pouco de possível,
Para que eu possa respirar.

Um pouco de possível,
Para que eu não sufoque.

Um pouco de possível,
Para que eu possa sentir.

Um pouco de possível,
Para que eu continue a sentir e,

Um pouco de possível,
Para que de impossíveis e do impossível,
Faça esse ser
O possível.

Tiago C. Botelho, ex-aluno (2015)

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Devo acrescentar como adendo a quem possa interessar que parte desse poema toma emprestada uma frase de Gilles Deleuze – filósofo francês – acerca de seu amigo e também filósofo, Michel Foucault: “Um pouco de possível, senão eu sufoco…”

Pre-Post-Mortem

Quando era moço,
Os olhos reluziam, incandescentes,
Como eram as paixões da época.

Hoje, sabe-se lá quantas luas
Já lhe furtaram das lentes
O brilho pueril.

Não mais consegue ver o belo.

As doces primaveras,
Dantes sublimes,
Agora empalidecem com sua amargura,
O rosto melancólico.

E o sorriso,

Chronos levou,

Para si.

Tiago Botelho, 3E1