Jornada

Mais um capítulo de sua jornada se encerrava.
O viajante, em eterna busca pelo conhecimento,
sabia que já era hora de seguir um novo rumo.

Lembrou-se de seus sábios e bondosos mestres,
que outrora lhe impunham obstáculos
e, no final, seguravam-lhe a mão e diziam,
“tu já és um vencedor”.

Lembrou-se de seus brilhantes colegas,
que outrora lutaram ao seu lado contra os desafios,
e, no final, abraçavam-no e diziam,
“nós ver-nos-emos novamente”.

E agora estava vencida a derradeira batalha.
O viajante despediu-se dos companheiros,
aqueles que o ajudaram a chegar até ali
e que doravante trilhariam seus próprios caminhos.

Respirou fundo, fez uma prece a Minerva.

Preparado para seguir seu novo rumo,
o viajante, em eterna busca pelo conhecimento,
iniciava mais um capítulo de sua jornada.

Marilia El Kadre, ex-aluna 2015

Que tipo de mulher você é?

Me perguntaram que tipo de mulher eu sou. Sou, às vezes, muitas em apenas uma. Outras vezes, sou um quarto. Um terço. Metade. Às vezes, sou ninguém. Sou zero. Às vezes, sou constante. E, às vezes, sou uma surpresa. Sanidade e, às vezes, loucura. Às vezes, sou inquilina e, outras, hospedeira. Às vezes, sou ele, toda ele. Outras, sou qualquer uma que passar na rua. Às vezes, sussurro e, às vezes, escandalizo. Eu sou as vezes. Cada vez, uma a uma. Às vezes sou eu. Quantas vezes eu quiser. Poder para ser às vezes. Mas só às vezes.

Beatriz Girardi Langella, ex-aluna 2015

Amor à primeira página

Ei, você! Você que está olhando atentamente pra essas palavrinhas escritas. NÃO VIRE A PÁGINA (se por acaso estiver lendo em um aparelho digital ou no computador, esses locais que não têm exatamente páginas, então: não pule esse pedaço)!
Para de tentar olhar pros lados, é com você que eu estou falando. Isso mesmo, você. Esse ser de dois olhos, uma boca, um nariz, etc etc etc. Eu queria dizer que desde que te vi lendo o conto de início desse livro me apaixonei.
Calma, calma. Não vai embora. Juro que não sou um personagem louco. Quer dizer, eu sou louco de amores por você, mas isso não vem ao caso. Pensando bem, vem super ao caso. Eu não consigo dormir, não consigo comer, não consigo fazer nada. Tá, eu sei que não sou exatamente físico e que já não faço essas coisas, mas me deixa falar! Eu sinto como se esse texto não tivesse lógica e como se palavras as estivessem sentido perdendo, banana elefante candelabro mauri shabek ahenslbwk….
Aí meu Deus, eu perdi o fio da meada… Desculpa, é que, quando me dirijo a você, parece que me embolo todo, não sei o que fazer! É tanta coisa para dizer, cada sentimento mais misturado que o outro…
Você é o ser mais lindo que eu já vi. Esse seu jeitinho sério, tão concentrado, tão impagável de se ver. A sua voz, ah! a sua voz, lendo os trechinhos alto é tão apaixonante. Os seus olhos seguindo cada frasezinha. Você rindo com as piadinhas sem graças. Foi amor à primeira página!
Eu quero te fazer feliz. Quero te fazer sorrir mesmo quando você não estiver lendo as crônicas idiotas que essa autora vive escrevendo. Quero viver ao seu lado, para nós sermos palavra misturada com matéria e lervarmos poesia e encanto pro nosso dia a dia.
A gente pode se completar. Passar as tardes nas livrarias só espalhando amor por todos os lados. Fica aqui comigo, não fecha esse livro não.

Larissa Nitta, ex-aluna (2015)

(sem título)

O que não sai no jornal,
O que a notícia ameniza,
O que é um problema geral,
E que a novela romantiza.

A negra sempre sexual,
A favela sempre alegria,
O negro sempre é o Mal,
A mesma história de vida.

A mulher sempre submissa,
Sempre da casa cuidando,
Se não é mãe, é da vida
Nunca a vemos lutando.

O gay sempre caricaturado,
A lésbica sempre fetiche,
Mas são, pelo menos, mostrados
E trans que aí nem existe.

É fácil excluí-los da mídia,
É fácil escondê-los do povo,
Difícil é lutar por justiça,
Difícil é tentar algo novo.

Marina Gomes, ex-aluna (2013)

Esquecimento

Gosto muito de ti e te odeio ao mesmo tempo. Queria estar ao seu lado e o mais longe possível. Queria passar horas conversando com você, mas se te encontrasse agora não abriria a boca. A verdade é não sou boa de esquecer. Não consigo esquecer. Quanto mais tento, mais lembro. Talvez devesse ser uma coisa natural, mas eu queria poder forçá-la. Queria esquecer tão facilmente quanto fui esquecida. Queria esquecer pra nunca mais lembrar. Queria esquecer que se me perguntassem quem você era eu não saberia responder. Queria esquecer da sua face. Queria esquecer que um dia alguém te apresentou pra mim. Queria esquecer que um dia começamos a conversar. Queria que todas aquelas marcas que você deixou em mim fossem apagadas. Eu quero esquecer mas fico lembrando das nossas conversas que eu só queria apagar da minha mente. Eu quero esquecer mas lembro dos abraços. Eu quero esquecer mas lembro das risadas. Quero que tudo isso caia no esquecimento. Quero que isso caia num buraco tão profundo quanto o poço em que cai.

Vitória Flosi, ex-aluna (2015)

“Do ódio ao amor”

Odeio o ódio. Odeio com tanta força que odeio odiar tanto. Odeio quem tem ódio. Odeio quem prega discurso de ódio. Odeio quem se beneficia do ódio. Odeio quem estimula o ódio. Odeio quem reproduz o ódio. Odeio quem vive pelo ódio.

Agora troque todos os ‘ódios’ e ‘odeios’ por amor.

Giovanna Torres Fabbri, ex-aluna, 2013

Um lembrete

Amigo, esteja avisado, cairás.
Esteja avisado, chorarás.
Sentirás a dor.
Mergulharás no desespero.
Gritarás no escuro, sem esperança, esquecendo-se de cada momento de alegria que já viu em tua curta vida.

Quando parecer que o até o Sol te abandonou, que não tens mais nada
pensarás em partir.
Espera, meu amigo.

Não abandona todas as esperanças, os sonhos e as ilusões.
Tens direito ao final feliz. Fugirás do castelo sem vê-lo?
Desistirás porque tremeu diante do dragão?

Todos tremem, todos temem.
Poucos lutam. Menos ainda lutam admitindo o medo.
Mas todos têm medo.

Temos medo de falhar e cair.
Temos medo de desapontarmos os outros e, talvez ainda mais, a nós mesmos.
Privamo-nos de conquistar dias louváveis pelo puro medo de fracassarmos e sofrermos.

Nos dias de dor, esquecerás que existem outros dias.
Mas os dias de dor passarão, e verás mais tarde
se aguentar.

Respira, amigo.
Espera, aguenta, resiste, luta mais um pouco.
Um dia, uma hora, talvez baste apenas um segundo.

Verás que a Lua brilha para ti
E que o Sol nascerá mesmo através das trevas que fecharam teu coração.
Porque, ao final, és forte.

Bem sei que não te sentirás capaz de aguentar.
Acredita em mim que já te vi lutar:
Quem persistir triunfará.

Amigo, olha o exército ao teu lado.
Olha todos os que vão lutar por ti.
Olha todos os que estarão ao teu lado até o fim dos dias

São tua força
São os que te ajudarão a erguer-te quando mais temer cair.
E te ajudarão a abrir a janela da mente.

Amigo,
Acredita que a escuridão tem fim,
Que um dia o choro será de alegria.
Que tens uma armada ao teu lado,
Que logo sorrirás e te esquecerás do dia de hoje.

Gabriela Tchalian, ex-aluna (2014)

Canção do Asilo

Velho quando não morre é bicho tosco
Que a morte resiste em abraçar
Velho quando lembra que existe
Não se surpreende com nada
Nem com eclipse
Nem com Iphone
Nem com elipse
Nem bom uso do pronome
Reclama de todos, entende a todos
Boceja, retesa, volta a dormir
E o tempo passa
Ele não sabe se já é caça
Do destino, do sono, sei lá

Mas aí chega um bisneto
E o tal florir da vida
Começa a recomeçar.

Fernanda Atihe, ex-aluna, 2014

Amizade do Passado

Por que é que
Onde a minha memória pousa
Você pousa junto?
Acredito que
Em outra encarnação
Você tenha sido minha mãe
Ou coisa do tipo
Uma entidade protetora
Proliferadora
Percursiva
Professora

Mas que saudade!
E nem precisa passar
Você não sai da minha mente
E não está em nenhum lugar.

 Fernanda Atihe, ex-aluna, 2014