Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: primeiro colocado: “Multilateralismo contemporâneo”, Felipe Akio Nakamura, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Multilateralismo contemporâneo

 

Ó telas de LED azul, ó teclas misteriosas, tec-tec-tec eterno!

Admiração incontrolável às redes invisíveis!

Redes que tanto tentam tecer um triste apego.

Eh-lá-hô aplicativos sugadores de tempo!

Eh-lá-hô capital em movimento!

Eh-lá-hô renovações transparentes!

Máquinas que se encontram nas ruas e nas casas e nas escolas,

Dominando, possuindo, divertindo, iluminando, entretendo,

Fazendo-me um escravo de ninguém.

Por todo lugar e espaço sempre ela está,

Mais possessiva do que uma mulher bela que não se trai,

Que se afastando têm-se uma ânsia eterna!

Vem sentar-se comigo, maçã sem sabores, à beira da torre de Wi-Fi.

Sossegadamente observemos sua grandiosidade e aprendamos

Que o indivíduo nada passa de um elétron entre fios condutores,

Insignificante seguindo o plano do Fado.

Conversemos sem demasiadas emoções e sentimentalismos.

Sem aplicativos, nem jogos, nem ligações que levantam a voz,

Nem contatos, porque se os tivesse a bateria sempre se desgastaria,

E sempre iria ter à escuridão.

Teclar é a eterna racionalidade…

Uma vida plena é vivida na inocência,

E a única inocência é não teclar…

O maníaco é um poeta

Poeta sem certa cara

Que não tem meta concreta

Nem possui mente clara.

 

Felipe Akio Nakamura, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: segundo colocado: “Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia”, Mauro Simas Neto, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Ilustre Tertúlia em Condições de Brasilidade e Heteronomia

Era uma frígida tarde invernal daquele fatídico ano de 1942. Com minhas já desgastadas vestes de viajante tentava em vão escapar da fúria dos elementos. Trovoadas rugiam ao longe e lembravam-me dos canhões que naquele momento deviam castigar terras não tão distantes em nome da futilidade humana. Parei sobre o abrigo de um toldo e por um breve momento direcionei minha vista para a cidade fustigada pela incansável tempestade em um terrível duelo entre civilização e natureza. Lisboa, mesmo sob tão desfavoráveis condições, resplandecia com sua beleza atemporal. Um lugar hostil a princípio às concepções que trazia de minha pátria brasileira, mas que acabei por naturalizar. Portugal, uma nação com um destino tão infeliz, ainda assim era infinitamente afortunada por ser um dos últimos refúgios da destruição que assolava a Europa. Alvo de uma rajada de vento particularmente cortante, voltei ao mundo concreto e nesse momento que avistei um café mais afrente na deserta ruela. Ao aproximar-me a passos largos, pude ler a convidativa inscrição: “A Brazileira”. Meus pensamentos voltaram a meus tempos de infância na enevoada São Paulo, antes de eu decidir aventurar-me por terras além-mar. Muito mudou desde então. A solitária cidade que havia conhecido agora se movia freneticamente sob os ritmos da modernidade.  Getúlio Vargas governava o amado país com mão de ferro, não muito diferente do ditador português com quem me habituara. Triste época para homens que ansiavam pela liberdade! Decidi por buscar abrigo naquele estabelecimento que trazia tantas memórias boas. Ao adentrar, logo o notei por um requintado café, lugar de reunião de notáveis, e não hesitei em ajuntar-me a um cavalheiro de faustas vestimentas que desfrutava a bebida de minha terra no imponente balcão.                                                                                                                                             – Minhas mais nobres saudações, egrégio senhor! – ele prontamente me saudou – Zeus está insaciável em seu furor celeste: Foste vítima desse caos elementar, eu infelizmente vejo.                                                                                                                    -De fato, ilustre! – respondi. Notava vagamente na fraca iluminação um semblante altivo e que estranhamente inspirava serenidade – O clima hostil não me poupou! Enquanto tirava meu ensopado sobretudo, introduzi-me ao desconhecido.  Ele logo me reconheceu como um habitante do Novo Mundo.                                                   – O onipotente Fado conduz-nos, meras folhas ao vento, a essas inexplicáveis coincidências. Aqui estou eu, bebendo o fruto do labor de vosso povo no café que leva o nome de vossa terra.                                                                                                                          -E ainda assim, indivíduos tão diferentes, unidos pelo Destino como dizes, conseguem interagir positivamente, confeccionar laços fraternais, identificar-se como seres humanos! Creio que esse seja o maior bem provindo da civilização humana, da vida em sociedade!                                                                                                                          Embebido na fascinante conversa, não notei um vulto que chegava ao balcão e que não tardou em pronunciar-se:                                                                                                                   -Sim, a civilização… Já a exaltei outrora, a beleza moderna, a eficiência               fabril, a supremacia das máquinas! Tudo em vão… A real questão nunca resolvi. A verdade é que não consigo sequer encontrar o meu verdadeiro eu, pior, sou um insignificante grão de areia em uma praia inteira… E pensando nisso, não vivo.                                                -A triste realidade humana é essa, meu caro – afirmou meu primeiro interlocutor – somos seres pensantes, mas a solução para isso é fácil: basta focarmos no presente, nos prazeres momentâneos, que a vida não é eterna. Filosofes sobre esses assuntos e desassossegar-te-ás inutilmente. Contenhas esses impulsos pensantes, aceites o Fado e vivas cada instante como se fosse o último.                    -Um complicado problema! – conclui humildemente e, enquanto cumprimentava o novo personagem, continuei – Ilustre, quando me referi à civilização estava pensando na ideia de coletividade, mas a sua perspectiva tecnológica também é bem discutível. É nela, pois, que se encaixa o horror da guerra atual!                             – O resultado conspícuo do desequilíbrio que reina no pensamento dos homens nesses tristes tempos. É no passado, época de glória e prosperidade, que devemos nos espelhar. – retrucou o homem com quem havia inicialmente me encontrado.                              – Ricardo, não posso admitir que o passado seja a solução. A humanidade sempre sofreu com os conflitos bélicos. – asseverou o segundo cavalheiro- A tecnologia pode os ter feito mais destrutivos, mas não é a causa deles continuarem a nos atormentar!                                                                                                                                      – Creio que a única solução seja uma nova mentalidade mundial que preze pela paz, não há outra forma! – exclamei exaltado.                                                                                      Nesse derradeiro momento, um terceiro homem vestido humildemente aproximou-se de nós. Com um quê de ares bucólicos, lembrava-me os poetas antigos, um árcade perdido, quem sabe? Mas o mais intrigante era seu ar de sabedoria, alheio a tudo que já havia visto na civilização humana. Ó céus, era impossível rotular tal homem! Ele transcendia toda e qualquer definição de homem moderno. Oras, estava diante do primordial, do ser humano como veio ao mundo, sem preceitos ou filosofias!           – Mestre, meu mestre! Ilumine-nos em nosso dilema! Sobre guerra e paz, o que fazer?- indagou o homem vítima da modernidade                                                                          – Meus amigos, não há nada o que fazer a não ser fazer nada. A guerra é resultado do pensar. Sem o pensar sobre ela, não há guerra.  Se os homens soubessem a apenas ver e ouvir, todos os conflitos cessariam. Discussões sobre a paz mundial só têm efeito reverso, só essa sabedoria bastaria. É disso que necessitamos: não de infrutíferas reflexões, mas sim de um pensar em não pensar.                                                  Pasmo com uma resposta tão simples, mas tão verdadeira, finalmente me apercebi que a chuva já havia abrandado e que já eram horas de seguir para meu destino original. Despedi-me das peculiares figuras e ausentei-me sem maiores reflexões. Foram só anos mais tarde que lembrando do memorável ocorrido notei o agora óbvio. Oras, eram os heterônimos do ecúmeno e inesquecível mestre literário, Fernando Pessoa! Inexplicável do inexplicável! Com essa eternal dúvida, só me resta perpetuar esse conto, quer seja fruto da minha imaginação ou joguete do Destino…

Mauro Simas Neto, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: terceiro colocado: “Poema das bolhas”, Verônica Dufrayer, 3H1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Poema das bolhas

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

Verônica Dufrayer, 3H1

 

Concurso Fernando Pessoa 2017: Edital

Participantes: alunos da 3ª série do Ensino Médio;

Gênero textual: livre, em prosa ou poesia (poema, conto, crônica, ensaio, diálogo, carta…). A única exigência é que o tema seja relacionado ao poeta e/ou seus heterônimos;

Limite de tamanho: até duas páginas;

ATENÇÃO: os textos NÃO devem ser identificados com o nome do aluno, apenas com seu login (número de matrícula) e devem ser enviados pelo e-mail do Band para palavrarte@colband.com.br;

Seleção: a comissão julgadora será formada pela equipe Palavrarte e outros professores de Português. Serão levados em conta os critérios:
• Coerência em relação ao tema;
• Articulação entre aspecto da poesia pessoana escolhido e estrutura;
• Originalidade;
• Expressividade;

Premiação: os três primeiros colocados serão premiados com livros do autor, no dia 06 de setembro (último dia de aulas do terceiro bimestre);

Data-limite para o envio dos textos: 14 de junho (último dia de aulas do segundo bimestre)

Todos os textos selecionados serão publicados no blog.

Esperamos seu texto!
fernando-pessoa

Concurso Fernando Pessoa 2016: textos participantes

Lágrimas de Heterônimos

Vidas feitas de áureos versos,
Almas feitas de uma, apenas.
Infinitas estrelas nesse céu,
Chamado Fernando Pessoa.

Suas dores a ele contavam,
Ensinamentos a ele ditavam
E como bom servo era,
No papel, tudo cantava.

O servo o mundo já deixou,
Mas as crias ainda vivem,
Em páginas manchadas de lágrimas.

E no silêncio, ainda choram,
Pois a dor de seus lamentos,
Nunca mais será gravada…

Marcelo Victor Nigri, 3E2

Só tendo muita falta de humildade para querer ensinar a eles

Mas dentre as criaturas de Fernando Pessoa,
duas em particular me intrigam.
Para estas, desejo (ou desejaria) lhes contar:

Para aquele preocupado demais e com excesso de razão,
que acha que pensa demais, não se leve pela ansiedade do futuro.
A vida não foi feita para dar significado à nossa insignificância,
mas para tornar nossa insignificância significante.

Para aquele que diz ter controle sobre sua abstração,
que pensa o que não pensar,
reflita sobre não refletir.
“Pensar é estar doente dos olhos” mas não pensar
é ter a impotência quanto a mudar o que se vê.

E dito isso, para estes dois considerados mestres (um mais que outro)
rio com o real mestre dos mestres
porque só o criador,
síntese das criaturas,
pode se contrariar por meio de outros e ainda ser coerente.

Pedro Dangelo, 3E1

“INTERNA (ETERNA) CONFUSÃO

quem sou?

sou caeiro
sou campos
sou alberto
sou fernando

sou todos mas não sou ninguem

tento ser tranquilo;
mas me encanto
tento ser complexo;
mas me canso

tentando ser acabo não sendo
tentando ver acabo não vendo
tentando entender acabo não entendendo

afinal, o que estou fazendo?
não sei, apenas escrevo”

Luana Secco, 3H1

Uma dor e não duas

O poeta não é um fingidor
Age tão honestamente
Que chega a ser incompreendido
Pelo injusto julgador
Cuja autenticidade é aparente.

Nascemos, crescemos, morremos.
Somos os mesmos?
Fingidores! Eis o que somos?
Nada mais que entorpecedores
De mútua e genuína comunicação?!

Não se iludem, poetas e leitores.
Sorrisos calorosos, abraços
Ardentes e lágrimas salgadas
Pertencem à uma só memória,
Que constitui o pilar do eu.

Quem sou eu?
Sou a lagartixa,
Sou o casulo,
Sou a borboleta,
Sou as cinzas.
Agradeço-lhe, memória,
Unificadora do eu.

Assim como o eu metamórfico e real,
Meus sentimentos são variáveis x e y,
Elementos naturais contidos nos reais,
Que compõe uma só consciência,
A qual atribui sentido à veracidade
De minhas naturais emoções.

O processo do pincel manuseado,
portanto, não altera o que sinto,
Pois lembro que sou o céu infinito.

Victoria Wang, 3E2

Xícara de café

Estava sentado na cozinha, tomando café, quando ouço o barulho do jornal jogado contra a porta. Dentre todos aqueles papéis, encontro um envelope brilhante com selo vermelho. Fecho a porta e volto a me sentar junto a xícara.

Berlim, 11 de Julho 1939
Senhor Álvaro de Campos,
venho te parabenizar sobre seu encantador texto Ode Triunfal, que chegou a mim por ter se tornado uma obra tão renomada. Teu intenso sentimento despertado pela tecnologia me comoveu surpreendentemente. Por isso, apresento-te uma proposta. Farei um discurso no dia 30 de setembro, dois dias antes da invasão à Polônia, para mostrar as nossas mais novas tecnologias bélicas ao povo alemão. Assim, procuro não só emitir o início de um período vitorioso e ascendente para a Nação, como também, despertar o sentimento de união que este conflito exigirá para chegarmos ao progresso.
Aguardo tua resposta.
Atenciosamente
Hitler.

“Que honra! ” Pensei.
Passei tantos anos com medo de errar,
Ou acertar mas não ser reconhecido
Que fechar os olhos me trazia decepção

Quantas vezes me tornei parasita
Pela falta de sentido da vida.

Foi nessa época que o nazismo me atraiu.
A força de vontade, a unidade, alguém com identidade
Não era alemão, mas tinha Hitler no coração.
Heil Hitler!
E inicia meu discurso:

“ Povo da Nação Alemã, hoje dou as boas-vindas a um novo país. Um país sólido, enfurecido, amedrontador. Somos agora A MÁQUINA! ”

O desfile de guerra começa
As tropas trazendo tanques
Motores e louvores gritam!

Parei.

Escrevo, mas minhas mãos são lentas!
Dançariam, as engrenagens na máquina
Acompanhariam o ritmo dos seus rangidos
Ó tecnologia, represente-me nessa guerra!

“ Aprendamos com esse novo elemento a posição que teremos que tomar diante do conflito. Operem segundo as funções dadas. Cada um possui seu papel nesse projeto. Por isso, o progresso depende da eficiência de cada peça. Não desanimem perante uma opressão! Elas são apenas mecanismos de segurança que impedem uma grande destruição no sistema. Levantem alemães! Vocês são as rodas, o volante, a direção que conduzirão a Alemanha para o destino próspero. Os esforços investidos no presente, marcarão história no passado da Nação e sustentarão a nova geração no futuro. ”

O futuro que me guia no presente
Hitler que me salvou no passado
Recordei minhas antigas reticências
Um conjunto de pontos sem sentido,
Cálculos de resultados exatos
Sem solução, minha questão, minha divisão!

“Não se implora por direitos, ”
Voz firme, feroz, um ruído mensageiro
“ se luta por eles!” Luta pelo que já era meu,
Luta pela própria identidade! Luta pelo Nazismo!

Alemães, também pertenço ao barro pisado, infértil, maldito
Mas sob o calor da bandeira suástica
Me unifico num tijolo fortalecido

“ Ergueremos Nossa Alemanha! Pelos parentes que perderam a vida e nos deixaram perdidos. Chega de miséria! De estagnação! Nosso povo precisa de um líder. Uma peça central. Que agrupará todas as forças em um único organismo. Por isso, obedeçam, meus irmãos! Seguimos no mesmo trilho para chegarmos juntos à prosperidade. Sustentem a Alemanha! Sustentem o Nazismo! ”

Termino o rascunho revigorado e olho para a xícara. O café tão intenso e suave. Preto, mas também marrom, bege, dourado… e continuava sendo café. Líquido que se moldava conforme o que o envolvia. Eu me sentia assim naquele momento. Um Álvaro de Campos na sua essência e preparado para os acontecimentos da vida.

Giovanna Naommi Oyama, 3E2

Vazio. De repente, vi-me em um caminho asfaltado às margens de um rio cristalino. Ao lado da passagem, havia uma linha de trem e o resto da paisagem era coberta por uma baixa grama verde. O céu, ofuscantemente azul, apresentava algumas poucas nuvens e nenhum sol. Aquilo me era familiar, mas, ao mesmo tempo, estranho, talvez, porque o cenário era totalmente inerte. Estava admirado pela monotonia daquela paisagem e mal quando dei meu primeiro passo, senti uma presença. Rapidamente olhei para os lados e vi um homem um pouco pálido de camisa branca e larga, sentado nos trilhos da linha do trem e olhando para o céu enquanto parecia devanear. Fui, então, em sua direção. Quando cheguei perto dele, o homem apenas virou-se para mim com olhos deprimidos, e logo depois, voltou-se para contemplar o horizonte e deu um suspiro.
-Tu atrapalhaste meus pensamentos.
-Ah! Desculpe-me. Quer que eu vá embora?
-Oh, não! Não! Fique! Tua presença lembrou-me dos ensinamentos de meu mestre.
-Ensinamentos?
-Sim! Em todos os nossos encontros, ele me ensina a Ver, mas nada aprendo. É frustrante. Existo, logo, penso. Nunca poderei segui-lo!
O homem então suspirou e voltou a contemplar o horizonte enquanto apenas pude ficar observando-o. Havia ficado tudo novamente quieto e monótono e, de repente, comecei a desejar que aquele silêncio, que de algum modo tornava-se cada vez mais insuportável, fosse quebrando. Olhei para o pensador na expectativa de que ele fizesse alguma coisa, mas estava completamente imóvel. Tive, então, a vontade de falar, porém nada vinha a minha cabeça. Podia ser qualquer coisa, qualquer bobagem, nada. Fui novamente buscar a ajuda do homem que, de súbito, desapareceu.
-Ei! – alguém me chamou – Ei, jovem! Ficar perto dos trilhos é perigoso!
Essa voz vinha de trás de mim.
-Jovem! Continuarás ignorando-me?
Atendendo a esse chamado, eu me virei e deparei-me com outro homem que vestia um terno e usava óculos.
-Venhas jovem, venhas! Quero conversar contigo.
Obedeci ao homem e logo fui ao seu lado.
-Muito obrigado por aceitar meu convite, meu caro. Finalmente alguém com que eu possa discutir minhas reflexões!
-Senhor, me desculpe por interrompê-lo, mas eu estava com outra pessoa que, repentinamente, desapareceu. Sabe onde ela foi:
-Ah! Deve ter sido o outro discípulo de meu mestre. Homem frustrado. Não aprende que devemos ter equilíbrio e harmonia em nossas vidas!
E, assim, o homem seguiu falando, comentando sobre quão lamentável era aquela pessoa que eu havia primeiro encontrado, o quão seu mestre havia o inspirado.
-Ah, sim! – começou ele. – Tu deverias encontrar meu mestre! Ele é o homem a ser seguido!
-E onde poderei encontra-lo?
-Vai para as margens do rio. Com certeza encontrá-lo-á!
Agradeci o homem e andei em direção ao curso d’água. Logo, avistei um pequeno rebanho de carneiros sendo conduzido por um pastor que, ao deixar os animais bebendo água do rio, sentou-se na margem do curso.
– Olá – disse eu – O que você está fazendo?
– Ah, jovem! Estou Vendo a minha volta!
– Como assim vendo a sua volta?
– Ora, absorvendo a paisagem sem pensar, vendo-a sem interpretar para conseguir enxergar a realidade como ela é. Infelizmente, isso é algo que a maioria das pessoas não consegue fazer. Elas se perdem em seus pensamentos, começam a fazer questionamentos sem resposta e sofrem por isso. São como pastores que não conseguem controlar seu rebanho…
De repente, o pastor interrompeu sua fala, olhou para as ovelhas e levantou-se.
-Jovem, sei que encontrou alguns de meus discípulos antes de mim, mas tem outro que quer encontrá-lo.
-Quem é?
-Você descobrirá. Espere aí que ele já virá.
Assim, o homem arrebanhou suas ovelhas e seguiu seu caminho pela margem do rio. Obedecendo ao pastor, esperei por longos e inúmeros minutos a pessoa. Nesse meio tempo, cogitei em seguir o pastor a fim de apenas ter uma companhia para me quebrar o tédio que agora dominava o ambiente inerte, mas algo me dizia que eu não deverei fazer isso.
-Ei, você. Desculpe-me pela demora! – alguém gritou atrás de mim.
Quando me virei, deparei-me com um homem de rosto estranhamente conhecido que, na hora, não me lembrava do nome.
– Venha! Quero conversar com você.
Com misterioso fascínio, aceitei o convite da pessoa e, logo, começamos a caminhar tranquilamente pelo caminho asfaltado.
– Eu sei que encontrou três sujeitos muitos amigos meus antes de mim. O que achou deles? Não são ímpares?
Eu acenei e o homem sorriu. Logo em seguida, escapou-lhe um comentário de que eu também era um sujeito singular. Isso me fez perguntar se já teríamos antes nos conhecido. Sem se preocupar com essa minha reação, o meu acompanhante começou a conversar como se fôssemos velhos amigos. Ele falou sobre seus assuntos pessoais como a sua separação com sua noiva, a tristeza que sentia com o suicídio de seu melhor amigo e sobre o quanto gostava do álcool brasileiro. Estranhamente, essas histórias e mais tantas outras que ele contava de sua vida me eram familiares, porém de nada eu conseguia me lembrar. Como será que aquele homem conseguia falar comigo tão amigavelmente sendo que nós tínhamos acabado de nos encontrar? Então eu parei.
– Afinal quem é você?
O homem interrompeu a caminhada e sorriu amigavelmente para mim.
– Sou um poeta que finge a dor.
Nesse momento uma onda de lembranças me atingiu. Lembrei que aquele homem era uma das pessoas que mais eu admirava e conhecia. De repente, vi ao lado dele inúmeras pessoas, incluindo os três sujeitos que anteriormente havia encontrado. Nesse instante, o mundo começou a se mover. O vento bateu, o rio correu, o trem passou e as árvores e os prédios cresceram. Pouco a pouco, as pessoas começaram a desaparecer. O poeta, o único que ainda não havia ido, sorriu mais uma vez para mim, acenou um adeus e sumiu. Meu coração me apertava.

Carolina Emy Ono Leal, 3E2

Passa, repassa
Escrevo e não vejo o tempo passar
Afinal, não só um,
Mas vários fazem a pena dançar
Rabisca e solta
Amassa e guarda
Todos fazem o papel gastar
Afinal, não sou só um,
Mas vários que fazem a palavra cantar
Assim que vou
Conhecer a todos
Fazendo as almas soar

Carolina Emy Ono Leal, 3E2

Genialidade

De maneira muito inesperada
Poucas vezes em cada milênio
A humanidade é presenteada
Com o nascimento de um gênio

Beethoven, de genialidade nata
Com as notas mágica fazia
E a cada sinfonia, trio, ou sonata
O mundo enchia de harmonia

Pessoa, outro igualmente genial
Tinha na alma mais de um poeta
E como se fora natural
Foi mais de cem, o ousado lisboeta

Mas seja por destino ou coincidência
Os dois compartilham semelhanças
Que vão muito além da inteligência,
De seus legados ou de suas heranças

Um bom exemplo dessa igualdade
É o ecletismo dos dois artistas
Transcenderam sem dificuldade
Escolas na época mais quistas

Outro relevante paralelo
É o marcante pioneirismo:
Ao clássico e o romântico um fez elo
E o outro inaugurou o Modernismo

Mas a principal natureza
Que o gênio da dupla explica
Era de suas almas a grandeza
Que sua formosa arte justifica

Gabriel Gioia Ávila Oliveira, 3E1

blucher

Concurso Fernando Pessoa 2016: Resultado

PRIMEIRO LUGAR:

Vem sentar-te comigo, Ricardo, na calçada da Paulista
Impotentemente fitemos o seu fluxo e aprendamos
Que a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos)

Depois pensemos, adultos crianças, que a vida passa e eu só fico se eu quiser.
Da Vila Prudente a Vila Madalena
O meu Fado decido eu.

Desenlacemos as mãos porque não vale a pena amarrarmo-nos.
Já que passamos como o fluxo, gozemos muito
Mais vale saber passar estrondosamente
E chutando o balde várias vezes.

E os amores de amoras, que berram aos quatro ventos
Com paixões molhadas, que inundam até o deserto
E o rio que tenho em mim;
Corre e me transborda.

Fitemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias;
De novo.

Colhamos aquilo que a vida nos der
Na mão, no busto e no pé
Neste momento em que estamos a mercê, mas
De inocente aqui parado, só você.

Ao menos, se for sombra, lembrar-te-ás de mim depois.
Minha lembrança será a insônia suada porque,
Já que não as mãos, enlacemos as pernas
E há muito, deixamos de ser crianças.

E se, antes do que eu, levares óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada serei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Porque não se engane meu bem
Igual você, eu conheci mais cem.

Lidia,
Que nunca precisou de Reis
Pra ser rainha

Isadora Fernandes e Gabriele Souza, 3H2

SEGUNDO LUGAR:

insta

Ana Laura Viegas de Moraes, Marianna Fleury e Marianna de Oliveira Ribeiro, 3H1

TERCEIRO LUGAR: (EMPATE)

Por vezes sinto-me Alvaro de Campos. Sentada em minha humilde cadeira, uma das mil que há na escola, há de imaginar o futuro que alunos aqui localizamos podem criar. Por mais que Álvaro tenha apreciado máquinas, talvez tenha falhado em apreciar o que vem por trás delas. Pessoas, inteligência, sagacidade, conteúdo. O que mais magnífico do que ver aqueles que um dia serão responsáveis por tais mecanismos? Queres ver uma fábrica em trabalho, louvado autor? Convido-o a uma visita.

Na verdade, ignore meu tolo otimismo. Uma esperança mal colocada em adolescentes que ainda devem se descobrir antes de se aventurar e melhorar o mundo a sua volta. A realidade, Álvaro, é que por vezes é exatamente isso que falta. Autoconhecimento. Mesmo fora de minha ilusão, perdida dentro de mim, reconheço que há talento em nós jovens. Eles jovens. Porém, fornecer um norte é diferente de determinar o caminho a ser andando. Sabe, há uma prova. Aquele essencial exame usado para avaliar o conhecimento acumulado de tais indivíduos. Entretanto, tal espetacular exame inverterá as prioridades da educação. Se ensina para a prova, não se prova o ensinado.

Consequências diretas? Bom, não há liberdade artística. A curiosidade não se encaixa em um lugar onde datas de entrega, uma após outra, aumentam a sua probabilidade de não passar o ano que segue preocupado com o mesmo exame. Pois quem há de ler um livro que não está na lista? Desculpe, exímio autor, perdoe-me por cair a este padrão. Adoraria aventurar ainda mais sua mente, tão melancólica, indecisa e a procura de um eu como a minha. Mas, talvez eu não devesse reclamar. Sou jovem, certo? Somente uma escritora, sonhadora jovem. Ingênua, como podes assumir. E esse fato só acarreta outro problema. Imagine você, exímio autor, colocado na situação em que sua juventude teve que se definir tão linearmente. Se encontra-se perdido no seu estado mais sábio (perdoe novamente minha postura direta), imagine nós, que mal conhecemos que ‘eus’ podem estar presentes dentro de nós. E ainda assim, me sinto tão fragmentada quanto o senhor. Por vezes, tortura-me uma sequência de ensinos variados, por diversas horas que me forçam a permanecer no mundo objetivo. Prometo não ser por desrespeito professor, mas creio que o exímio Alvaro pode compreender a necessidade de retornar a pensar em nosso mundo racional, longe do real, e consequentemente de sua lousa. A esses longos dias autor, denominamos integral.

Alberto, desculpe não o ter direcionado. Seria de se esperar que me apresentasse ao mestre antes de seu pupilo. Mas ainda me encontro profundamente apaixonada pelas imagens que esse fornece. Minha própria máscara que gruda ao meu rosto, meu próprio colar formado por eus (apesar de ter um fio memória mais curto), e uma nostalgia que não se direciona a Lisboa, mesmo que creio que Alvaro tenha ido a essa cidade em busca da mesma resposta que eu desesperadamente procuro esse ano. Bom, creio que para tu, todas as minhas angústias somente comprovam sua teoria, certo? Talvez se vivesse mais no seu único e verdadeiro mundo, menos me afligiriam tais questões. Imaginando que tenhas lido as minhas confissões ao prévio exímio autor, que pensas? Em minha especulação, assumi que ambos o mestre e o pupilo seriam contrários às rédeas que informei serem fornecidas pela expectativa gerada do aluno. Não me entenda mal, Alberto. Por mais que ame meus sentidos, amo ainda mais o conhecimento. Mas não creio que há conhecimento sem liberdade, senão seremos somente máquinas destinadas a projetar o que nos foi definido. Quem sabe nesse ponto podemos concordar? Afinal, é a liberdade que o permite apreciar genuinamente paisagens, aromas e sabores. E mesmo Alvaro, preso em sua própria mente, pode também compreender. A falta de liberdade é uma prisão que transcende as realidades. Só se pode permanecer no estado melancólico, pois há tempo para que o faça. Tire este, substitua por tarefas incessantes e veja o que acontece. Um destes não será feito efetivamente, creio.

Estamos de acordo, então? Ambos heterônimos acreditam em liberdade artística, filosófica e física?

Pois bem. E agora a você, Fernando Pessoa, não direciono questões, teorias ou desabafos. A tu, reservei minhas maiores congratulações. Mal o conheço, via meu encarado estudo, mas o senhor já me maravilha. Gostaria de um dia me considerar escritora, poeta e metade do que o senhor já foi. Agradeço, dos mais profundos confins de minha rasa mente, por dividir sua habilidade, angústia e talento com o mundo. Sem você, não teria sido eu capaz de ter dentro de mim um desejo de escrever, de expressar-me, de fazer-me várias e ajudar pessoas como fizeste comigo. Foste como um professor que mesmo não presente, exerce em mim um impacto reconhecível.

Citando professores, não posso deixar de mencionar os meus próprios. Porém talvez seja mais apropriado fazê-lo por trás do texto, quem sabe as más mentes dirão que tenho segundas intenções com meus obrigadas.

Agradeço também à competição, por ter sido minha primeira oportunidade de me ver completa em dialogar com alguns que muito admiro, e de ter feito com que eu criasse coragem para escrever dessa maneira.

Por fim, a Ricardo Reis, anseio para conhecê-lo. Nosso encontro está para a próxima aula.

Alessandra Blücher, 3E2

DEMONSTRAÇÃO MATEMÁTICA PARA OS HETERÔNIMOS DE FERNANDO PESSOA

fp16 completo

Miguel Santucci, 3E2