Eterno

Eu sei,
Eu vejo,
No espelho,
O que sou:
Uma parte do Cosmo,
Um pouco da Estrela,
Que, com sua essência,
Me criou.

Eu sei,
Eu sinto,
Aqui, dentro
De mim:
A vida
Que pulsa,
O Sopro Divino
Que não tem fim.

Eu sei e me ouço
Como o Verbo
Que, no Universo,
Ecoou.
Eu penso
E existo,
Sou parte d’Aquele
Que me projetou!

Wanderley, inspetor

Entusiasmo

Quão rica e recompensadora

Fábrica de sonhos!

Me conduza e projete, a reflexões lógicas,

Lança luz e cores numa bela história;

E onde nunca estive surpreenda-me!

Embalando um belo sono, com muito mais prazer.

 

Do mesmo modo, cinzenta massa de sabedoria,

Rejuvenesce o semblante

E deixe o tempo passar;

Quanto ao sorriso, traga este de volta,

Quero muito com ele, o coração alegrar.

 

E assim durmo…

Enquanto nascentes, Formação de rios,

Corredeiras constantes,

Vão irrigando e lapidando terras;

Em meio a mais um sonho, enquanto o sono durar.

 

Ressonando, deslumbro-me!

Já é a primeira hora, meu corpo pode sentir;

Vi muitas flores, criações animadas

Densas matas, frutos e pássaros,

Reluzente sol, prontificando a lhes cobrir.

 

Tão sábia, segui assim a natureza;

Vencendo o descaso, a intolerância, também a dor,

Persistente igual ao amor de mãe

Constante há encontramos bela,

E o que mais se destaca nela;

É o puro e, verdadeiro Amor.

 Adalberto O Santos, inspetor

Fatal

Par de olhos, que me encanta,
Deixa-me ser novamente criança
E sonhar diante de ti.
Deixa eu te contar histórias engraçadas
E ter o prazer inocente
De ver-te sorrir.

Deixa-me flutuar no teu encanto
E visitar todas as estrelas
Desse espaço iluminado.
Deixa eu te contar dos meus sonhos
E te revelar que é contigo
Que eu tenho sonhado.

Par de olhos dos meus delírios,
Deixa-me ser a imagem
Que brilha em tua retina.
Deixa eu te mostrar o meu mundo
E as histórias que te fiz,
Onde a felicidade nunca termina.

E eu sonharei, belo par de olhos,
Para nós um mundo mágico
Onde não haja o adeus.
Onde brilharás, cheio de encanto,
Sendo para sempre a magia
Que reside nos olhos meus!

Wanderley Rodrigues, inspetor

Estímulo

Em meio a estrofes

Procuro versos,

Palavras sensatas

Que me façam sorrir.

 

Risos discretos

Que me trazem alegria,

Transcendendo meu ego

Por onde quer que vá.

 

Que seja arrojado…

Um pouco sereno,

Não importa o tamanho

Basta contagiar.

 

Se contagia alegra;

Quando espontâneo

Revigora o amor,

Se verdadeiro, afasta tristeza,

Abrindo espaço, para o riso ecoar.

 

Adalberto O Santos, inspetor

Vagueando

Vi um sol,
Que foi embora.
Vi uma lua,
Que foi encoberta pela nuvem escura.
Via a escuridão.
Vi meus irmãos,
Que no sol,
Andaram vagueando
Em busca de pão,
Na escuridão,
Andam vagueando
Em busca de um lugar, no chão,
Onde passarão a noite,
Sem sonhos, sem emoção,
Apenas esperando, o sol,
Para outra vez vaguearem,
Em busca de pão.

França, inspetor

Estímulo

Em meio a estrofes
procuro versos
Palavras sensatas
que me façam sorrir

Risos discretos
trazendo alegria
Transcendendo meu ego
por onde passar

Que seja arrojado
um pouco sereno
Não importa o tamanho
basta contagiar

Se contagia alegra
Quando espontâneo
conduz o ego
E afasta amarguras
para o riso ecoar.

Adalberto O. Santos, inspetor

Aos Mestres

A humanidade tem três flagelos: a discriminação, a pobreza e a falta de saber.
A discriminação se resolveria com mais amor por seu semelhante.
A pobreza se resolveria com mais doações – e não só de bens materiais – por aqueles que têm mais.
A falta de saber se resolveria com mais apoio e valorização daquele que transmite o saber desde o início da humanidade: o professor.

Inspetor França

Uma imagem

Mil faces…
Você e eu,
Nossas faces
No retrato.
Caras e bocas,
Nossas bocas tão perto,
Sem estarem perto,
De fato.

Mil maneiras
De dizer o seu nome
Sem ninguém me ouvir.
Mil noites
Sonhando com seu sorriso
Antes mesmo de dormir.

E quando acordo
Tento encarar mais um dia
Sem ter você
Em minha frente.
E invento mil faces
Pra disfarçar que lhe quero
De mil maneiras
Diferentes!

Wanderley Rodrigues, inspetor

Ikebana – para Lenira

Brancas, amarelas…
Lá vem a menina,
Espalhando, carinhosa,
O seu perfume florido.
Pequenos botões de estrelas,
Presos em ramos delicados,
Como, delicado é,
O seu sorriso.

Vermelhas, rosadas…
Cada florzinha parece
Sorrir orgulhosa,
Ciente de sua beleza.
Pequenos botões de fada,
Disposto em vasos pequeninos,
Preparados com carinho
E delicadeza.

Brancas, azuis…
Lá vem a menina,
Trazendo nas mãos
Arranjos multicoloridos.
Pequenos botões de luz,
Que bailam delicadamente;
Iluminando rostos contentes
Que olham, embevecidos.

De vários tons e matizes…
Lá vem a menina
Que encanta a todos,
Florindo o ambiente.
Deixando-nos como botões felizes,
Como se fôssemos flores
Nos seus arranjos multicores,
Feitos de gente…

Wanderley Rodrigues, inspetor

Cerúleo

Seus olhos não são azuis,
Mas olhos azuis não me dizem,
Praticamente, nada.
Seus olhos brilham, para mim,
Assim como brilha o dia
No fim de toda madrugada.

São como cristais brilhantes,
Refletindo para o mundo
Com seu brilho peculiar.
Não me preocupo se seus olhos
Não são azuis, como o céu,
Refletido na água do mar.

Pois que navego na correnteza
Das íris que brincam,
Enfeitiçando minha mente.
Pois que me deixo embalar
Com o sorriso que seus olhos
Transmitem tão facilmente.

Seus olhos não são azuis,
Mas posso encontrar o azul,
Quando olho para o céu.
Seus olhos são como estrelas
Brilhando no infinito
Quando o dia escureceu.

São como setas certeiras
Me mostrando o caminho de casa,
Quando perco a direção.
São como rede preguiçosa,
Onde repouso meu olhar cansado
De tanto olhar a imensidão.

Seus olhos não são azuis,
Mas posso encontrar no céu
Todo o azul do qual preciso.
Afinal, o dia fica ainda mais azulado
Quando seu belo olhar amendoado
Se une à beleza
Que há em seu sorriso!

Wanderley Rodrigues, Inspetor