PERMISSÃO

Meu bem, a vida é arte
E dela faz parte
Olhar em seus olhos
E recitar um poema.
A vida é arte descrita no papel,
Imitada na novela, colorida pelo pincel,
Fazendo de cada momento
A mais bela cena.

Em nome da arte tudo pode ser feito:
Artista que é artista bate no peito,
Amparado pela liberdade
De expressão.
Na arte somos todos livres;
Natureza morta que sobrevive
Borrada na tela da intolerância
Ou vaiada no palco da incompreensão.

Meu bem, a vida é arte pura…
Deus salve a loucura
Dos seres renegados
Pela sociedade.
Deus salve o concretismo do poeta maldito,
Aquele que ilustra as chagas de Cristo
E aquele que ousa ultrapassar os limites
Da própria sanidade.

Na arte, tudo pode ser admitido:
Grafiteiro, a quem prefeitos chamam de bandido
E prostituta, letrada na vida,
Publicando autoajuda.
Na arte somos todos profetas:
Artesãos, bailarinos, pintores, poetas,
Atores no palco do mundo, atuando
Para uma sociedade bicuda.

Meu bem, a vida é uma arte maluca…
Mas nem todo artista pode levar a culpa
De quem quer empurrar goela abaixo
A sua inconformidade tão nua.
Mas esqueçamos essa conversa obscena,
Pois só quero olhar em seus olhos e recitar o poema
Que fiz, segurando em sua mão
Enquanto andávamos pela rua.

Pois na arte, assim como na vida,
Nenhuma molécula fica perdida
No espaço litúrgico
De toda a criação.
Meu bem, na arte tudo é permitido,
Inclusive fazer poesia numa manhã de domingo,
Inclusive ser arte nas ruas da vida
Enquanto seguro em sua mão!

 

Wanderley, inspetor

Eterno

Eu sei,
Eu vejo,
No espelho,
O que sou:
Uma parte do Cosmo,
Um pouco da Estrela,
Que, com sua essência,
Me criou.

Eu sei,
Eu sinto,
Aqui, dentro
De mim:
A vida
Que pulsa,
O Sopro Divino
Que não tem fim.

Eu sei e me ouço
Como o Verbo
Que, no Universo,
Ecoou.
Eu penso
E existo,
Sou parte d’Aquele
Que me projetou!

Wanderley, inspetor

Entusiasmo

Quão rica e recompensadora

Fábrica de sonhos!

Me conduza e projete, a reflexões lógicas,

Lança luz e cores numa bela história;

E onde nunca estive surpreenda-me!

Embalando um belo sono, com muito mais prazer.

 

Do mesmo modo, cinzenta massa de sabedoria,

Rejuvenesce o semblante

E deixe o tempo passar;

Quanto ao sorriso, traga este de volta,

Quero muito com ele, o coração alegrar.

 

E assim durmo…

Enquanto nascentes, Formação de rios,

Corredeiras constantes,

Vão irrigando e lapidando terras;

Em meio a mais um sonho, enquanto o sono durar.

 

Ressonando, deslumbro-me!

Já é a primeira hora, meu corpo pode sentir;

Vi muitas flores, criações animadas

Densas matas, frutos e pássaros,

Reluzente sol, prontificando a lhes cobrir.

 

Tão sábia, segui assim a natureza;

Vencendo o descaso, a intolerância, também a dor,

Persistente igual ao amor de mãe

Constante há encontramos bela,

E o que mais se destaca nela;

É o puro e, verdadeiro Amor.

 Adalberto O Santos, inspetor

Fatal

Par de olhos, que me encanta,
Deixa-me ser novamente criança
E sonhar diante de ti.
Deixa eu te contar histórias engraçadas
E ter o prazer inocente
De ver-te sorrir.

Deixa-me flutuar no teu encanto
E visitar todas as estrelas
Desse espaço iluminado.
Deixa eu te contar dos meus sonhos
E te revelar que é contigo
Que eu tenho sonhado.

Par de olhos dos meus delírios,
Deixa-me ser a imagem
Que brilha em tua retina.
Deixa eu te mostrar o meu mundo
E as histórias que te fiz,
Onde a felicidade nunca termina.

E eu sonharei, belo par de olhos,
Para nós um mundo mágico
Onde não haja o adeus.
Onde brilharás, cheio de encanto,
Sendo para sempre a magia
Que reside nos olhos meus!

Wanderley Rodrigues, inspetor

Estímulo

Em meio a estrofes

Procuro versos,

Palavras sensatas

Que me façam sorrir.

 

Risos discretos

Que me trazem alegria,

Transcendendo meu ego

Por onde quer que vá.

 

Que seja arrojado…

Um pouco sereno,

Não importa o tamanho

Basta contagiar.

 

Se contagia alegra;

Quando espontâneo

Revigora o amor,

Se verdadeiro, afasta tristeza,

Abrindo espaço, para o riso ecoar.

 

Adalberto O Santos, inspetor

Vagueando

Vi um sol,
Que foi embora.
Vi uma lua,
Que foi encoberta pela nuvem escura.
Via a escuridão.
Vi meus irmãos,
Que no sol,
Andaram vagueando
Em busca de pão,
Na escuridão,
Andam vagueando
Em busca de um lugar, no chão,
Onde passarão a noite,
Sem sonhos, sem emoção,
Apenas esperando, o sol,
Para outra vez vaguearem,
Em busca de pão.

França, inspetor

Estímulo

Em meio a estrofes
procuro versos
Palavras sensatas
que me façam sorrir

Risos discretos
trazendo alegria
Transcendendo meu ego
por onde passar

Que seja arrojado
um pouco sereno
Não importa o tamanho
basta contagiar

Se contagia alegra
Quando espontâneo
conduz o ego
E afasta amarguras
para o riso ecoar.

Adalberto O. Santos, inspetor

Aos Mestres

A humanidade tem três flagelos: a discriminação, a pobreza e a falta de saber.
A discriminação se resolveria com mais amor por seu semelhante.
A pobreza se resolveria com mais doações – e não só de bens materiais – por aqueles que têm mais.
A falta de saber se resolveria com mais apoio e valorização daquele que transmite o saber desde o início da humanidade: o professor.

Inspetor França

Uma imagem

Mil faces…
Você e eu,
Nossas faces
No retrato.
Caras e bocas,
Nossas bocas tão perto,
Sem estarem perto,
De fato.

Mil maneiras
De dizer o seu nome
Sem ninguém me ouvir.
Mil noites
Sonhando com seu sorriso
Antes mesmo de dormir.

E quando acordo
Tento encarar mais um dia
Sem ter você
Em minha frente.
E invento mil faces
Pra disfarçar que lhe quero
De mil maneiras
Diferentes!

Wanderley Rodrigues, inspetor

Ikebana – para Lenira

Brancas, amarelas…
Lá vem a menina,
Espalhando, carinhosa,
O seu perfume florido.
Pequenos botões de estrelas,
Presos em ramos delicados,
Como, delicado é,
O seu sorriso.

Vermelhas, rosadas…
Cada florzinha parece
Sorrir orgulhosa,
Ciente de sua beleza.
Pequenos botões de fada,
Disposto em vasos pequeninos,
Preparados com carinho
E delicadeza.

Brancas, azuis…
Lá vem a menina,
Trazendo nas mãos
Arranjos multicoloridos.
Pequenos botões de luz,
Que bailam delicadamente;
Iluminando rostos contentes
Que olham, embevecidos.

De vários tons e matizes…
Lá vem a menina
Que encanta a todos,
Florindo o ambiente.
Deixando-nos como botões felizes,
Como se fôssemos flores
Nos seus arranjos multicores,
Feitos de gente…

Wanderley Rodrigues, inspetor