Cigana, dissimulada

Mais um dia
Como qualquer outro
Sentado, esperando-te
Como se nada mais importasse

Algo me puxa
Me seguro à cadeira
Tarde demais
Já estou a deriva

Estou me afogando
E quanto mais me afogo
Mais e mais quero ficar no mar
E mais e mais te quero
E mais e mais me perco
E mais e mais sou puxado
E mais e mais me afogo,
Como um marinheiro
Seduzido pela sua sereia.

Uma última tentativa de respirar
Em meio a agitação do mar
Chego ao ar
Puxo-o como se fosse o ultimo

“Você está bem?”

Me encaras
Preocupada com minha súbita respiração
Olhos fixos nos meus,
Presos um ao outro.
Os teus, a alguém que apenas gostas
Os meus, a alguém que amo,
A ponto de afogar-me
Em teus olhos de ressaca.

Marshall – ex-aluno, 2014

Esses olhos

Esses olhos
Como podem…
Não consigo evitá-los
Não consigo confrontá-los
Apenas me consomem

Consomem-me
Como fogo intenso
Sem deixar vestígios
Do atentado contra mim.

Sim, tentado
Tentado a segurar-te
Tentado a amar-te
Tentado por essa tentação
Que são teus olhos.

Sim, teus olhos,
A materialização da minha perdição,
Preso, sem esperanças, enlaçado
Como um cordeiro para o abate.

Bate, e forte,
Meu coração, toda vez que te vê
Toda vez que finalmente encontra
Teus olhos em meio a multidão,
Como uma ligação intensa,
Tensa
Imensa
Da qual não ouso querer sair.

Sair da sua influência…
Como? Não faço ideia…
Apenas espero que esta hipnose
Não seja apenas para me fazer sofrer
Apenas por prazer
Prazer de controlar-me.

Marshall – ex-aluno, 2014

Dom Prisioneiro

Como podes, Capitu?
Após enfeitiçar-me
Após arrastar-me com seus olhos de ressaca
Me fazer tão miserável?

O que faço eu agora?
Sem saber como te esquecer, Lisbella.
Bela maneira de condenar-me
À prisão perpetua
Indefinidamente te querendo ficar.

Simplesmente vou,
Sem rumo, pensando em ti
Até que Morfeu me aceite em seus domínios
Para que possa viver um novo amor
O teu…

Marshall – ex-aluno, 2014