Amor à primeira página

Ei, você! Você que está olhando atentamente pra essas palavrinhas escritas. NÃO VIRE A PÁGINA (se por acaso estiver lendo em um aparelho digital ou no computador, esses locais que não têm exatamente páginas, então: não pule esse pedaço)!
Para de tentar olhar pros lados, é com você que eu estou falando. Isso mesmo, você. Esse ser de dois olhos, uma boca, um nariz, etc etc etc. Eu queria dizer que desde que te vi lendo o conto de início desse livro me apaixonei.
Calma, calma. Não vai embora. Juro que não sou um personagem louco. Quer dizer, eu sou louco de amores por você, mas isso não vem ao caso. Pensando bem, vem super ao caso. Eu não consigo dormir, não consigo comer, não consigo fazer nada. Tá, eu sei que não sou exatamente físico e que já não faço essas coisas, mas me deixa falar! Eu sinto como se esse texto não tivesse lógica e como se palavras as estivessem sentido perdendo, banana elefante candelabro mauri shabek ahenslbwk….
Aí meu Deus, eu perdi o fio da meada… Desculpa, é que, quando me dirijo a você, parece que me embolo todo, não sei o que fazer! É tanta coisa para dizer, cada sentimento mais misturado que o outro…
Você é o ser mais lindo que eu já vi. Esse seu jeitinho sério, tão concentrado, tão impagável de se ver. A sua voz, ah! a sua voz, lendo os trechinhos alto é tão apaixonante. Os seus olhos seguindo cada frasezinha. Você rindo com as piadinhas sem graças. Foi amor à primeira página!
Eu quero te fazer feliz. Quero te fazer sorrir mesmo quando você não estiver lendo as crônicas idiotas que essa autora vive escrevendo. Quero viver ao seu lado, para nós sermos palavra misturada com matéria e lervarmos poesia e encanto pro nosso dia a dia.
A gente pode se completar. Passar as tardes nas livrarias só espalhando amor por todos os lados. Fica aqui comigo, não fecha esse livro não.

Larissa Nitta, ex-aluna (2015)

Um lembrete

Amigo, esteja avisado, cairás.
Esteja avisado, chorarás.
Sentirás a dor.
Mergulharás no desespero.
Gritarás no escuro, sem esperança, esquecendo-se de cada momento de alegria que já viu em tua curta vida.

Quando parecer que o até o Sol te abandonou, que não tens mais nada
pensarás em partir.
Espera, meu amigo.

Não abandona todas as esperanças, os sonhos e as ilusões.
Tens direito ao final feliz. Fugirás do castelo sem vê-lo?
Desistirás porque tremeu diante do dragão?

Todos tremem, todos temem.
Poucos lutam. Menos ainda lutam admitindo o medo.
Mas todos têm medo.

Temos medo de falhar e cair.
Temos medo de desapontarmos os outros e, talvez ainda mais, a nós mesmos.
Privamo-nos de conquistar dias louváveis pelo puro medo de fracassarmos e sofrermos.

Nos dias de dor, esquecerás que existem outros dias.
Mas os dias de dor passarão, e verás mais tarde
se aguentar.

Respira, amigo.
Espera, aguenta, resiste, luta mais um pouco.
Um dia, uma hora, talvez baste apenas um segundo.

Verás que a Lua brilha para ti
E que o Sol nascerá mesmo através das trevas que fecharam teu coração.
Porque, ao final, és forte.

Bem sei que não te sentirás capaz de aguentar.
Acredita em mim que já te vi lutar:
Quem persistir triunfará.

Amigo, olha o exército ao teu lado.
Olha todos os que vão lutar por ti.
Olha todos os que estarão ao teu lado até o fim dos dias

São tua força
São os que te ajudarão a erguer-te quando mais temer cair.
E te ajudarão a abrir a janela da mente.

Amigo,
Acredita que a escuridão tem fim,
Que um dia o choro será de alegria.
Que tens uma armada ao teu lado,
Que logo sorrirás e te esquecerás do dia de hoje.

Gabriela Tchalian, ex-aluna (2014)

Especulações em torno da palavra mulher

Mulher. Palavra de 6 letras mas de tamanha significância, tamanha voluptuosidade. Mulher. Duas sílabas que são deliciosamente desmanchadas em meio a língua, deixando ao final um pedido de bis. Mulher. Uma incógnita ambulante. Uma felicidade sem jeito. Uma explosão de emoções.
Do que é feita a mulher? São apenas doçuras? São grandes rancores? São os pequenos prazeres? É a beleza enraizada independente dos padrões impostos?
O que é ser mulher? É menstruar durante grande parte da vida? Mas nem toda mulher menstrua. Nem toda mulher tem seio. Nem toda mulher tem útero. Nem toda mulher nasce ou morre mulher.
O que é, então, ser mulher? Para ser mulher, eu preciso pensar como uma? Preciso parecer uma? Preciso querer ser uma? Preciso agradar as outras mulheres ou os homens? Preciso me depilar, usar salto alto, vestido, sutiã? Preciso engravidar mesmo quando eu não quero? Preciso ter uma jornada dupla ou ser uma dona de casa? Preciso ser gostosa? Preciso ser desejada? Preciso gemer? Preciso… Preciso… Precisamente? O que é esse bicho esquisito que todo mundo chama de mulher?
São mais dúvidas do que respostas, talvez porque ser mulher signifique pensar, refletir, cantar, dançar, rir e o mais importante: existir. Eu ainda não sei o que me faz ser mulher, nem vou saber o que faz a outra ser mulher, mesmo que esse indivíduo não tenha sempre sido. E não me interessa o que faz a outra mulher. Eu me sinto mulher e é uma sensação maravilhosa, única e inesquecível.
E eu vou amar ser mulher, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando me julgarem, quando me humilharem, quando tentarem diminuir minha voz. Isso tudo porque eu não vou parar de me orgulhar. E aí, eles vão se perguntar o por quê e irei responder: “Porque sou mulher.”

Larissa Nitta, ex-aluna (2015)

Despedida

É dia de festa
Ao meu redor, todos comemoram
Menos eu
Estou observando
Esperando
Quando a vejo na porta
Ela tão brilhante
Tão doce
Tão faceira
Tão alegre
Dizendo adeus
Balançando a cabeça
Como se nada entre nós
Tivesse acontecido
Mas é triste
Eu não queria que ela fosse embora
Podia ficar
Só mais um pouco
Nós éramos próximos
Melhores amigos
E tudo era bom
Naqueles momentos
Era quase infinito
Disseram que ela tinha que ir
Disseram que era preciso
Que eu tinha que seguir em frente
Queria poder pedir
Queria implorar
Só mais um pouco
Não tenho coragem, porém
Ela se vai
Como um sopro
Ela se vai
Sem nem se despedir
Sobram as lembranças
E no lugar dela
Agora tem um vazio chamado
Amadurecimento
Adeus, Infância

Larissa Nitta, 3B2