Travessia

Para onde? Não sei…
As águas o barco levam a novos mares.

Pode ser que eu encontre
Aquele cão mijando no caos,
Que caia numa cachoeira,
Ou na baía de sereias.

Mas o barco carrega
A valiosa carga: memórias.

Essa canoa terá de viajar
Mas seu coração
Permanecer deseja
Dormido nesse castelo.

Dedicatória:
Um presentinho de despedida aos meus queridos professores do Bandeirantes até meu retorno. Até lá, cuidem deste coração que aqui permanece.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Mínima

desejo me espalhar no mundo
me evaporar
condensar em forma de mar
irradiar luz do sol
ou brilho de luar

ó destino
porque não nasci átomo
tive que nascer de corpo inteiro

filha da lua
astro, asteróide
de tudo um pouco quase nada

antes eu fosse
conchinha no mar
me desfazendo em areia
sumindo a cada pisar

se fosse folha na arvore
clorofila da vida
deprendo-me do galho
numa eterna despedida

mas nasci humana
presa em corpo
minha alma e espirito
aprisionados em efemeridades
ate que me liberto
enfim
nita

Isabela Avelar, 3H2

História

Não sei o nome do rei mais absoluto da França
Mas sei de cor o título de todas as músicas que você me cantava
Mesmo que eu não quisesse ouvir

Não sei no que Péricles contribuiu na democracia da Grécia Antiga
Mas sei como te ajudar nos dias ruins
Mesmo que você odeie que eu lhe conheça tão bem

Não sei no que a colonização alterou as rotas de comércio europeias
Mas sei chegar até sua casa
Mesmo que às vezes eu erre por um prédio ou dois
(sempre acho no final)

Não sei porque a Inglaterra se tornou uma potência no mundo
Mas sei exatamente como você se tornou quem é hoje
Mesmo que eu preferisse não saber

Não sei se Calvino acreditava ou não nas boas obras
Mas sei que eu não perdi a fé em você
Mesmo que todo mundo dissesse que não tinha mais jeito
(desculpa)

Não sei fazer provas de história
Mas sei te lembrar a todo momento
Mesmo que eu devesse esquecer

Alguém, 2H2

Poema em linha curva

Nunca conheci quem me tivesse dado porrada.
Sempre somente elogios.
E eu, inúmeras vezes inútil,
Chato, irresponsável, vagabundo,
Ininrrespondivelmente burro,
Têm-me ídolo;
Têm-me exemplo.
Arre, estou farto de terem-me Deus!!!
Quantas vezes político;
Quantas vezes físico;
Quantas vezes porco;
Quantas vezes louco;
Fui porque escalado?
Não!
Não tenham-me exemplo!
Não me tenham ídolo!
Me tenham nojo!
Tenham-me repúdio!
Vejam-me parasita, sujo, vil:
No pior sentido da vileza. ”

Miguel Sarraf Ferreira Santucci, 3E2

Brincando de fazer haicais

Exposição dos haicais no pátio do colégio

Exposição dos haicais no pátio do colégio

Durante o segundo bimestre, os alunos dos 9.os anos tiveram contato com o texto poético nas aulas de Redação e conheceram a obra de poetas consagrados e seus estilos, entre eles o Haicai. Poema de origem japonesa, estruturado em apenas três versos, com linguagem simples, o haicai encantou os alunos e instigou sua criatividade. Assim, após se surpreenderem com os haicais de Paulo Leminski, Alice Ruiz, Millôr Fernandes, entre outros, os alunos se divertiram criando seus próprios haicais. Aqui, uma pequena amostra dessa criatividade.

Professoras Cândida e Simone

Exposição dos haicais na entrada do colégio

Exposição dos haicais na entrada do colégio

Gostaria de saber por quê!                                     
Porque se o porquê soubesse                                                                      
por que questionaria?

Júlia Capucci, 9D

Estranha essa vida                                                                            
Comprei a ida                                                                                 
Esgotou a volta

Luíza Bavaresco, 9D

Traz o jardim                                                                                      
Eu trago um trago                                                                               
da vida

Giullia Pipolo, 9H

Um dia, um mês, um ano                                                                        
Um amor, um som frágil                                                                        
Um cravo e uma rosa

Luiza Kobata, 9H         

Se realmente não soubesse de nada                                                                 
Nem saberia                                                                                       
Que sei de nada

Luís, 9D

Quando mãe fala                                                        Acontece                                                                                        
Viu!!

Nicole, 9D

Se a vida fosse viva                                                                            
Cheia de vida seria                                                                               
até não viver mais

Júlia Capucci, 9D

A vida é um instante                                                                               
Um passo adiante                                                  
Passou

Anna Clara Costa, 9B

Mordia a língua                                                                            
Engasgou com tudo que diria                                                             
E morreu

Taiza C. S, 9D

Na lousa, os haicais.

Na lousa, os haicais.

Teto branco
Céu estrelado
Quarto frio e solidário

Jéssica, 9A

Hoje o dia foi nublado
E o que eu quis ter falado
Calei

Larissa Jikal, 9A

O morteiro
Passageiro
Fere tanto quanto seu olhar

Vitor R. , 9A

Noite estrelada
E eu sorrindo
Feito a lua crescente

Beatriz Kapel, 9A

A palavra Haikai
Vem da mesma terra
que o bonsai

Eduado Kim, 9C

No fundo do meu quarto
guardo muitos relatos
no meu porta-retrato

Luísa Borba, 9C

Atrás dos porta-retratos
guardo segredos secretos
que não devem ser expostos

Mariana, 9C

A sua lembrança guardo
em um porta-retrato
na parede do meu quarto

Isabella, 9C

O dia de chuva
todos sob guarda-chuva
comendo bolinho de chuva

Camila Sepuhuda, 9C

O poeta faz muito parecer pouco,
faz pouco parecer muito
faz do nada a poesia

Celso Ferraz, 9C

Sou versátil
Haikai não
Só tem três

Roberto, 9C

As palavras brilham no céu
As estrelas no papel
Na mansão ou num mausoléu

Gabriel Jaar, 9C

Dia ventoso
Folhas para lá e para cá
Chegou o outono

Victória, 9C

Chove em SP
O que tem para comer?
Palavras de amor para você

Gabriel Jaar, 9C

Nossos relatos
Nossos amores
Dentro de um porta-retrato

Camila Sepulveta, 9C

Nesses porta-retratos
Não cabe inteira
A nossa história

Eduardo Cabrita, 9C

Dia de frio
Céu estrelado
Mas ninguém ao meu lado

Bruno, 9C

O dia choveu
Mas eu não chovi
Para fora da cama

Milla, 9C

Rebeldia indecente
Melhor parte da vida
Doce adolescente

Letícia, 9G

Na cachoeira
Gota-a-gota
Minha vida escoa

Leonardo, 9G

Dessa semente
Que nascem os frutos
Cuidado com o dente

Helena, 9G

Vi um sorriso profundo
Que fez cair o mundo
Mas acordei em um segundo

Ulisses, 9G

Muito MI MI MI
Para pouco
Tô indo aí!

Amanda C., 9G

A chuva cai
A vida vai
E eu aqui fazendo haikai

Melissa C, 9G

Esse sorriso da gente
Não mente
Conta a verdade com os dentes

Edu, 9G

No jardim
O jasmin
Vive em mim

Amanda G., 9G
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Criadores capítulo 1

No princípio criou Camões
Os poetas e a lírica
E viu que era bom;
E assim foi o dia primeiro
No segundo dia Machado desceu
Entre as nuvens poderoso.
Tinha os olhos de ressaca;
E assim foi o dia segundo
No terceiro dia ordenou Pessoa:
“Que se faça o bojador !
Que se faça um navio português !”
E assim foi o dia terceiro
No quarto dia a Bandeira rompeu.
Surgiu um madrigal tão melancólico,
Um porquinho da india brasileiro;
E assim foi o dia quarto
No quinto dia surgiu uma pedra,
Tinha uma pedra no quinto dia…
Criou-se a máquina do Mundo mundo vasto mundo;
E assim foi o dia quinto
No sexto dia o mundo se alegrou !
A rosa mais bonita apareceu…
As veredas surgiram…
E assim foi o dia sexto
No sétimo dia todos descansaram
A pedra sumiu, a rosa murchou.
…Mas valeu a pena ?
E assim foi o dia sétimo

Guilherme Menichelli Peres, 3E1

Jornada

Mais um capítulo de sua jornada se encerrava.
O viajante, em eterna busca pelo conhecimento,
sabia que já era hora de seguir um novo rumo.

Lembrou-se de seus sábios e bondosos mestres,
que outrora lhe impunham obstáculos
e, no final, seguravam-lhe a mão e diziam,
“tu já és um vencedor”.

Lembrou-se de seus brilhantes colegas,
que outrora lutaram ao seu lado contra os desafios,
e, no final, abraçavam-no e diziam,
“nós ver-nos-emos novamente”.

E agora estava vencida a derradeira batalha.
O viajante despediu-se dos companheiros,
aqueles que o ajudaram a chegar até ali
e que doravante trilhariam seus próprios caminhos.

Respirou fundo, fez uma prece a Minerva.

Preparado para seguir seu novo rumo,
o viajante, em eterna busca pelo conhecimento,
iniciava mais um capítulo de sua jornada.

Marilia El Kadre, ex-aluna 2015