Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: primeiro colocado: “Multilateralismo contemporâneo”, Felipe Akio Nakamura, 3E1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Multilateralismo contemporâneo

 

Ó telas de LED azul, ó teclas misteriosas, tec-tec-tec eterno!

Admiração incontrolável às redes invisíveis!

Redes que tanto tentam tecer um triste apego.

Eh-lá-hô aplicativos sugadores de tempo!

Eh-lá-hô capital em movimento!

Eh-lá-hô renovações transparentes!

Máquinas que se encontram nas ruas e nas casas e nas escolas,

Dominando, possuindo, divertindo, iluminando, entretendo,

Fazendo-me um escravo de ninguém.

Por todo lugar e espaço sempre ela está,

Mais possessiva do que uma mulher bela que não se trai,

Que se afastando têm-se uma ânsia eterna!

Vem sentar-se comigo, maçã sem sabores, à beira da torre de Wi-Fi.

Sossegadamente observemos sua grandiosidade e aprendamos

Que o indivíduo nada passa de um elétron entre fios condutores,

Insignificante seguindo o plano do Fado.

Conversemos sem demasiadas emoções e sentimentalismos.

Sem aplicativos, nem jogos, nem ligações que levantam a voz,

Nem contatos, porque se os tivesse a bateria sempre se desgastaria,

E sempre iria ter à escuridão.

Teclar é a eterna racionalidade…

Uma vida plena é vivida na inocência,

E a única inocência é não teclar…

O maníaco é um poeta

Poeta sem certa cara

Que não tem meta concreta

Nem possui mente clara.

 

Felipe Akio Nakamura, 3E1

Vencedores do Concurso Fernando Pessoa – 2017: terceiro colocado: “Poema das bolhas”, Verônica Dufrayer, 3H1

É com imenso prazer que, após tantos e maravilhosos textos enviados, conseguimos, tarefa ingrata!, escolher os três vencedores do Concurso Fernando Pessoa, edição de 2017. Parabéns aos vencedores e a todos os participantes (que também serão publicados em breve). Aproveitem a deliciosa leitura.

Equipe Palavrarte e Equipe de Português

Poema das bolhas

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

“Ó triste!” Triste! Coitado, coitado de mim!

Logo eu com bolhas nas mãos a dificultarem me a escrita!

Logo eu, um coitado por natureza!

Ah! Como irritam, inquietam e cansam as bolhas…

(E o que não cansa?)

Porque tudo me cansa tanto? O que mais faço na vida é ficar sentado

Esperando…O que? Não sei, talvez tudo.

Tudo o que penso.

Pois logo que penso, sento

E quando sento, sinto me derrotar outra vez, outra vez, outra vez

Sem nem ter começado a ousar começar qualquer coisa pensada.

Agora, nem mais sonhar ouso

(E se ousasse, que diferença faria?)

Nada quero.

Não, nada quero.

Já disse que não quero! Vai embora, me deixe só!

Saia! Não quero nada! Me deixe em minha agonia!

Sozinho.

Fui engolido de tantos quereres passados

E tornei-me um sonhador perdido sem sonhos,

Que estes foram perdidos também

Sim, tudo perdi

Perdi as chances de fazer o que de mim podia,

Perdi os dias,  os sorrisos, os sonhos, perdi a mim mesmo

“Confiei em meu estado e não vi que me perdia”

Mas perdi-me! Perdi- me no virar da esquina de casa

E já que tudo, eu incluído, nunca foi qualquer coisa fora de minha cabeça, nada perdi

Sou um invicto perdedor de nada

(Sou?)

Não sou

Estive sempre naquele maldito vir a ser

Até que perdi o projeto de mim como tudo mais

Se algum dia realmente fui qualquer coisa-projeto,

Além dos castelos que criei de mim, deixei de ser

Nem meu habitual dominó, soube manter

Esse roubou-me o rosto

Porque eu deixei roubar

(Que tinha a perder?)

“Tive que era fantesia”

Gênio Álvaro de Campos!

Não, não passo de uma bolha de sabão à espera das mãos de uma criança,  o tempo

Será que ele é a única coisa que existe ao fazer tudo mais não existir?

Não sei, estou cansado, ah cansado

Cansado de pensar, de ver, de ser

Tudo que penso é errado, tudo que vejo é mentira, tudo que sou?

Estou exausto! Cansado de tanto cansaço, tanto…

Tudo sempre a mesma coisa, mesma luta, mesmos homens com seus mesmos medos,

De que adianta?

 

Para que cansar-se mais procurando sentido na vida?

Já foi tudo encontrado, não pergunte.

Para que perguntar? Para que pensar?

Não, não se aborreça, está tudo nos livros sagrados ou botecos da esquina

 

Mas eu não consigo crer, esquecer,

Não consigo ignorar as bolhas,

Sempre deito tudo a perder,

Sou mesmo uma cadeia de desapontamentos

Foi-se a minha chance de viver na bolha das cegas verdades, perdi-a também

E, sem deus ex machina, qual será o final de mim?

Qual o sentido da vida?

Qual o sentido, metafísica? Qual o sentido? Whitman? Nietzsche? Nada

Mantenho me igualmente cego

Pior, consciente de minha cegueira

Antes, mirava o espelho curvo das ideologias bolhificadoras

Agora, o espelho quebrou-se

Sinto a dor cortante dos pedaços desconexos espalhados ao acaso

Todos eles ainda espelho ideológico

Apenas, como eu, fragmentado

Com pedaços, como eu, solitários

Bem menores que o espelho original,

Como eu, que sou menor que a mim inteiro

Seria eu um pedaço de espelho ideológico bolhificante?

 

Trechos retirados de Auto da barca do inferno

Verônica Dufrayer, 3H1

 

Estímulo

Em meio a estrofes

Procuro versos,

Palavras sensatas

Que me façam sorrir.

 

Risos discretos

Que me trazem alegria,

Transcendendo meu ego

Por onde quer que vá.

 

Que seja arrojado…

Um pouco sereno,

Não importa o tamanho

Basta contagiar.

 

Se contagia alegra;

Quando espontâneo

Revigora o amor,

Se verdadeiro, afasta tristeza,

Abrindo espaço, para o riso ecoar.

 

Adalberto O Santos, inspetor

[Medo]

Por que nos escondemos tanto?

Usamos roupas para esconder nossos corpos;

Maquiagem para esconder os nossos rostos;

Casas para esconder nossas vidas.

De onde surgiu todo esse medo?

Medo da exposição;

Do julgamento;

Da resposta

Procuramos a todo momento ser aceito

Mas aceito por o que?

Pelo o que você esconde?

Pelo o que você mostra no lugar da verdade?

XXY, 2B

Eu amei uma garota

Eu?

Aquariano do coração ressecado

Da mente venenosa

Das palavras radioativas

Bicho cínico

Cuspia com escárnio

No próprio conceito abstrato

Do sentimento primitivo

 

Amor

 

Eu amei uma garota

Doida, talvez

Marcada nos pulsos

Pelo amargor insípido

De sua existência juvenil

Exausta da vida

Antes mesmo de começar a viver

 

Ela era como eu

E também era tudo o que eu não era

 

Uma Vênus

Que nunca segurou um espelho

Uma obra-prima

Inconsciente da magnitude de seu valor

 

Nunca teria me notado

Mas notou

Nunca teria me amado

 

Nunca teria me amado

 

Com um sorriso,

Ela me desarma

Com um olhar,

Ela me subjuga

 

Sinto medo

Resisto da maneira que posso

Uma besta incapaz de compreender

A sensação que domina seu espírito

 

Um monstro,

Arisco demais para amar

 

Áspero

Idiota

 

Eu amei uma garota

Só agora percebo isso

 

Ninguém, 3H1

Nem toda ouvidos

Concentrada em se desconcentrar
ia deitada a se embriagar
de sono.
Expira.
Inspira.
Aspira.
BEEEEEEEM!!!
Ah não.
De novo não.
BEEEEEEM!!!
Calma, tá tudo certo, alguém já vai resolve-
BEEEEEEM!!
Eu tenho prova amanhã, pelo amor de Deu-
BEEEEEM!!!
Preciso dormir!
Vamos lá, foco.
Ignora o barulho, já vai parar.
Ó, tá vendo? Paro-
BEEEEEEEM!!!
Que fiz pra merecer isso?! É sempre esse maldito alarme!
Carro do infer-
BEEEEEEM!!!
Vizinho idiota! Por que não desliga o alarme do carro?
Toda noite esse barulho logo que eu pego sono!
Será de propósito?!
BEEEEEEM!!!
Cara, que vontade de jogar uns ovos nessa lata velha.
Pior que deve ter alguns na geladeira….
Já pensou?
O som dos ovos quebrando, ai que alívio!
E o trabalho pra limpar? Hahah
Mas a melhor parte seria a cara do vizinho!
Hahahah, imagina a cara dele!
Aposto que daria um grito,
Que música seria para meus ouvidos!
Espera…

O alarme parou.
Vai dormir criatura.

Verônica Dufrayer, 3H1

Vagueando

Vi um sol,
Que foi embora.
Vi uma lua,
Que foi encoberta pela nuvem escura.
Via a escuridão.
Vi meus irmãos,
Que no sol,
Andaram vagueando
Em busca de pão,
Na escuridão,
Andam vagueando
Em busca de um lugar, no chão,
Onde passarão a noite,
Sem sonhos, sem emoção,
Apenas esperando, o sol,
Para outra vez vaguearem,
Em busca de pão.

França, inspetor

Poesia Biológica

Ovo, Lagarta, pupa, borboleta.
Zigoto, criança, jovem, Adulto.
Final do 3°ano, hora de abrir as asas,
Voar e encantar o mundo com as cores de vocês.
As crises, despedidas e lágrimas
Chaves que abrem os casulos do conhecido, do confortável
E nos dão asas para explorar
O desconhecido e o NOVO…
Confiem nas asas que construíram
Elas ainda vão crescer, e muito
A felicidade nasce desse crescer.
Boa viagem!!!!!

Flávio, prof. de Física

Para os alunos e alunas do 3º ano. Inspirado na Biologia, eu, Professor de Física (Exatas) do 3° de Humanas, pude expressar neste poema a felicidade de ver o crescimento de vocês.

O grito

Cada letra,
Gota de sangue,
Da ferida que macula,
O triste coração.

Se muito escrevo,
Sofro de hemorragia.
Hemorragia causada,
Pela vaidosa solidão.

Perambulam almas, agitadas.
Nada veem,
Apenas caminham,
Presas na tristeza cega.

Falo com elas,
Mas não tenho voz
Toco nelas,
Mas sou feito em gás,
Perfuro elas,
Mas são tão cegas,
Que não sentem a dor.

Eis que caminho,
Com essas palavras
E continuo caindo,
Como uma gota na chuva.

Marcelo V. Nigri, ex-aluno 2016