Poesia Biológica

Ovo, Lagarta, pupa, borboleta.
Zigoto, criança, jovem, Adulto.
Final do 3°ano, hora de abrir as asas,
Voar e encantar o mundo com as cores de vocês.
As crises, despedidas e lágrimas
Chaves que abrem os casulos do conhecido, do confortável
E nos dão asas para explorar
O desconhecido e o NOVO…
Confiem nas asas que construíram
Elas ainda vão crescer, e muito
A felicidade nasce desse crescer.
Boa viagem!!!!!

Flávio, prof. de Física

Para os alunos e alunas do 3º ano. Inspirado na Biologia, eu, Professor de Física (Exatas) do 3° de Humanas, pude expressar neste poema a felicidade de ver o crescimento de vocês.

O grito

Cada letra,
Gota de sangue,
Da ferida que macula,
O triste coração.

Se muito escrevo,
Sofro de hemorragia.
Hemorragia causada,
Pela vaidosa solidão.

Perambulam almas, agitadas.
Nada veem,
Apenas caminham,
Presas na tristeza cega.

Falo com elas,
Mas não tenho voz
Toco nelas,
Mas sou feito em gás,
Perfuro elas,
Mas são tão cegas,
Que não sentem a dor.

Eis que caminho,
Com essas palavras
E continuo caindo,
Como uma gota na chuva.

Marcelo V. Nigri, ex-aluno 2016

Um pouco de possível

Um pouco de possível,
Para que eu possa respirar.

Um pouco de possível,
Para que eu não sufoque.

Um pouco de possível,
Para que eu possa sentir.

Um pouco de possível,
Para que eu continue a sentir e,

Um pouco de possível,
Para que de impossíveis e do impossível,
Faça esse ser
O possível.

Tiago C. Botelho, ex-aluno (2015)

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Devo acrescentar como adendo a quem possa interessar que parte desse poema toma emprestada uma frase de Gilles Deleuze – filósofo francês – acerca de seu amigo e também filósofo, Michel Foucault: “Um pouco de possível, senão eu sufoco…”

Garo(t)a em SP

Vivo em um mundo de tanta coisa compartilhada:
fotos, vídeos sobre o tudo e o nada
que não entendi a cara de assombrada
que ela fez
quando despretensiosamente estendi meu guarda-chuva,
nem o sorriso que ela me deu por conta daquele gesto cortês
como se estivesse em um conto de fadas e fosse uma principessa numa floresta encantada
Que nada!

Estava na cidade-concreto mesmo.

Era apenas uma garota em SP.

Natália, 3B1

Deixando de crescer

Não viverei de meus erros
De meu fracasso passado
Não viverei a esperar
Sentado em um banco
Vendo o mundo passar
Não viverei alojado
Conformado com o concreto
Não viverei alvejado
Transpassado pelo tempo
Não viverei angustiado
Com um coração quebrantado
Que esqueceu de perdoar
Não viverei a tremer
Esperando a adrenalina baixar
Não viverei por ti amar
Você não sabe o que quero
Não viverei ao acaso
O destino não julga a minha causa
Não viverei vestindo e refletindo
Os sonhos de um outro alguém
Não viverei a beijar
A boca de quem não me ama
Não viverei a pisar
As sombras de um outro caminhar
Não viverei exaltando a justiça
Corruptível que lhe agradar
Não viverei a voar
Enquanto o solo de cuidado precisar
Não viverei teu sonho
Que duras dores custará
Não viverei

Jhonata Ferreira de Souza, 3E4

Sentimento sangrante / Olofote / Força de vontade

Sentimento Sangrante

Nem eu sabia
Que coração sangrava
Sangue transparente
Que goteja da cara

Hemorragia mata
Isso sei
Não sou desavisada
Mas se é tão ruim
Por que sinto
Que me faz tão bem?

Então, por favor
Não estanque esse sangue
Que ele mal amado
Pode afogar-me
Mais que a dor que me dá

Força de vontade

É incrível
O quanto o tédio
Move montanhas
Só para não
Mover uma outra

Olofote

Me desfaço em lento passo
Com esse facho a me iluminar
De olhos dóceis sentimentais
Falso, fraco ou de fato
O sentimento, não sei
Não sei, mas quero saber

Lua (Paula V. Barros), 2H1

Haikai sobre bestas / Ostra

Haikai sobre bestas

Temo muitas bestas
Mas a besta que mais temo
É a besta do próprio espelho.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Ostra

Por que és tão vasto?
A cidade é lago,
O lago é deserto,
E cada grão de areia
Desfaz-se em átomo.

Quero fechar-me em mim
Onde é seguro,
Mas também não é eterno.

Sonhar não mata a fome,
Mas mata sofrimento.
Mas, se sofrimento não é eterno, por que sofrimento?

Malditos cavalos-marinhos, zanzando por aí…
Fecho-me em mim, onde é seguro.
Um pouco menos de luz, por favor.

Marcelo V. Nigri, 3E2

Como um cigarro salvou minha vida

quando tudo acabou
pela última vez
te sentir novamente
parecia algo improvável.
encontrei essa sensação, porém,
num maço de cigarro não tão barato assim.
um.
dois.
três.
vinte.
pensei em perguntar se você
ainda fumava
(aquela marca).
me perdi na lembrança
do cheiro
seu gosto
seu.
sua.
sou.
nem aquela sua camisa
guardada
(amarrotada, melhor dizer)
no fundo do meu guarda-roupa
te traz pra mim
como isso te traz.
traz pra mim.
traz.
de volta.
o clichê
do “te trago em mim”
me persegue
dia após dia
ser o que éramos
ser o que era
ser.
não somos.
mas por
mais ou menos
8 minutos
te tenho de novo
dentro de mim
de onde você realmente nunca saiu.
(fumar mata e a saudade também)

Alguém, 2H2

Estímulo

Em meio a estrofes
procuro versos
Palavras sensatas
que me façam sorrir

Risos discretos
trazendo alegria
Transcendendo meu ego
por onde passar

Que seja arrojado
um pouco sereno
Não importa o tamanho
basta contagiar

Se contagia alegra
Quando espontâneo
conduz o ego
E afasta amarguras
para o riso ecoar.

Adalberto O. Santos, inspetor