“Gift”- a realidade do abandono de animais

Ao redor do mundo, há milhões de cães vivendo nas ruas, ou porque foram abandonados, ou porque já nasceram sem lar. Na Holanda, felizmente, todos os cachorros têm onde morar, por conta de medidas restritivas adotadas pelo governo de forma eficiente a evitar o abandono.

Recentemente, a Zoetis, multinacional húngara líder em saúde animal, procurou sensibilizar os espectadores para a questão do abandono de cães, através do poderoso curta-metragem “Gift”. A obra, com duração de cinco minutos, conta com a direção de Zsembuia Zsofia e é estrelada por Bernáth Julia, no papel de Red. Além disso, a participação especial do cão Heather, da Fundação de Proteção Animal de Füsesabony, na Hungria, confere ainda mais realismo e autenticidade à produção.

O enredo do filme é simples e retrata as transformações no cotidiano de uma família após a adoção de Red. As relações, inicialmente harmônicas, caminham para conflitos, revelando as dificuldades e o despreparo da família que fez a adoção. Isso culmina na atitude derradeira da família, que decide pelo abandono da criança. É quando uma nova surpresa ė revelada: a criança, na realidade, foi escolhida para retratar um cão.

Ao comparar o abandono de uma criança ao de um animal, tem-se a grande reflexão do filme, pois fica nítida a crueldade do ato de abandonar. Além disso,  atuação singela da criança como Red confere um tom realista, objetivo e provocador, capaz de atingir diversos públicos. A expressão de tristeza do cão arremata a obra e gera a reflexão sobre a adoção e abandono de animais. Iniciativas como esta são essenciais para caminharmos na direção da realidade holandesa, em que a adoção é um processo de maior consciência e responsabilidade e que vai contra o abandono canino.

Nicole Grossmann, 2B

Os novos monstros do rock

Antes de discorrermos sobre essa categoria, o que é um Monstro do Rock? Opiniões variam, porém na minha visão, um monstro do rock é uma banda/artista que deixa sua marca no rock, seja com um álbum multiplatinado, inovações artísticas e performáticas, entre outras coisas.

Mas por que o nome Monstros do Rock? Bom, o nome vem do festival Monsters of Rock, que teve sua primeira edição em Castle Donington, Inglaterra, em 1980, com o Rainbow  de Ritchie Blackmore encabeçando o festival. O Monsters já não ocorre faz um bom tempo na terra do Big Ben, mas ele tem diversas edições internacionais, inclusive no Brasil, com a próxima acontecendo em Abril em São Paulo com KISS e Ozzy Osbourne liderando os dias do festival. Porém Castle Donington não ficou órfã de um festival. Lá ocorre hoje o grandioso Download Festival, que, ao invés de ocorrer em um dia e em um palco como o Monsters, tem duração de 3 dias e diversos palcos. O ápice da grandiosidade de uma banda (no caso das mais novas pelo menos) é confirmado quando ela é headliner do palco principal do Download, um dos maiores festivais do mundo. E é desse princípio que parto ao discorrer sobre o mais novo monstro do rock: a banda inglesa Muse.

Nem todo monstro do rock já foi headliner do Download, mas todo headliner do Download, com exceção de um ou outro caso é um monstro do rock. E como o Muse será a banda principal da noite de Sábado, colocando o grandioso Faith No More na segunda vaga do palco principal, eles finalmente garantiram, depois de 21 anos de carreira, o acesso a esse grande panteão. O Faith No More foi formado em 1981, teve hiatos que somaram no total 13 anos, e, para o delírio dos fãs anunciou o lançamento de um novo álbum, Sol Invictus, que chegará em Abril de 2015. Para comemorar, farão uma gigantesca turnê, que inclui muitos shows em festivais. Destronar o poderoso Faith No More é apenas mais uma prova de como o Muse está em alta no mundo do rock.

Permita-me discorrer sobre a discografia da banda. O primeiro disco da banda, Showbiz, foi lançado em 1999. Desde então foram mais cinco álbuns: Origin of Symmetry (2001); Absolution (2003); Black Holes and Revelations (2006); The Resistance (2009) e The 2nd Law (2012). A banda lançará um novo disco ainda esse ano, que será produzido por Mutt Lange, o homem que produziu Back in Black, do AC/DC. O nome não foi oficialmente confirmado ainda, mas através de teasers liberados no Instagram, a banda deu a entender que ele se chamará “Drones”.

As letras da banda, em sua maioria compostas pelo vocalista e guitarrista Matt Bellamy abordam assuntos variados, que vão desde temas como superação até assuntos como ficção científica e futuros distópicos, passando pela luta de classes e críticas sociais.

Muitos puristas vão dizer que o Muse não merece o “título” pois é uma banda de rock alternativo, que às vezes as suas experimentações fogem do Rock, entre outras coisas. Mas vamos aos fatos: Desde a Resistance Tour, em 2009, a banda se apresentou para mais de 2.350.000 pessoas. Muitas bandas, mesmo em 50 anos de carreira jamais chegariam a esse número.  Ok, muitos espectadores foram conseguidos abrindo shows para o U2, mas mesmo assim, não é qualquer um que abre para eles.

Lembra quando eu disse que um Monstro do Rock inova e deixa um legado no quesito performance? Pois bem, o Muse tem um dos palcos mais tecnológicos e um dos shows mais bem estruturados do mundo. Telões enormes, fogos de artifício e tudo a que uma grande banda tem direito. Sem contar com as performances de outro mundo de Matt Bellamy. Todo esse espetacular aparato de palco foi registrado no DVD Live at Rome Olympic Stadium, filmado em técnologia 4K (cerca de 4 vezes melhor que o Full HD como conhecemos hoje) em parceria com a Sony. Eu tive a chance de assitir o show deles ano passado no Lollapalooza, e, mesmo passando mal e quase sem voz para cantar, Matt deu tudo de si, e eu assisti um dos melhores shows da minha vida.

Outra apresentação memorável deles foi na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres, em 2012. Sim, você leu certo. A terra da Rainha, mesmo com bandas como The Rolling Stones (que junto de David Bowie e dos Sex Pistols se recusaram a se apresentar), The Who (que fechou a cerimônia de encerramento) e Paul McCartney (que finalizou a Abertura dos Jogos), escolheu o Muse para fazer a música oficial da competição, a estupenda Survival, que também foi tocada na cerimonia de encerramento. Vale a pena procurar vídeos da apresentação no Youtube, já que todo o poderio da banda é mostrado nela.

Acho que já falei o suficiente, não? Pois bem, chega de exercitar sua visão e vá exercitar seus ouvidos com a música do trio composto por Matt Bellamy (guitarra e vocal), Chris Wolfstenholme (baixo e backing vocals) e Dom Howard (bateria).

Aqui deixarei algumas sugestões de por quais músicas começar a ouvir a banda:

Muscle Museum, Showbiz (Showbiz).

Plug In Baby, Citizen Erased, New Born, Feeling Good (Origin of Symmetry).

Stockholm Syndrome, Hysteria, Time is Running Out (Absolution).

Starlight, Supermassive Black Hole, Knights of Cydonia, Assassin (Black Holes and Revelations).

Resistance, Undisclosed Desires, Unnatural Selection, Uprising (The Resistance).

Supremacy, Panic Station, Liquid State, Survival, Madness (The 2nd Law).

Aprendam crianças. É assim que se faz boa música no século XXI.

P.S: Não é só porque eu mencionei 3 ou 4 músicas de cada álbum que significa que vocês não devam ouvir o resto da discografia deles.

Ilan Aisen, 3E3

Aluna faz vídeo-resenha de “Uma Aventura LEGO”

Eu acho fantástico porque os alunos passam a usar na escola uma linguagem com a qual eles já têm muito contato em casa, comenta a professora de Língua Portuguesa, Lenira Buscato. O grande acesso a resenhas de filmes, livros e videogames no YouTube faz com que os alunos tragam para a escola algo do cotidiano deles, acredita a professora.

marianaA estudante Mariana explicou que assistir a vlogs, conteúdo semelhante ao de blogs na forma audiovisual, estimulou-a a fazer a resenha.

A professora Lenira acredita que é necessário perceber a importância da tecnologia na vida das novas gerações para estar em sintonia com a linguagem que os alunos usam no dia a dia. “A partir do momento que incorporamos isso a nossa aula, nosso principal ganho é o dinamismo nas relações na sala de aula”, comentou.

Assista à vídeo-resenha:

Assista ao trailer oficial:

Let It Come

elsa

É tão triste quanto frequente, ao se discutir animação no cinema, ouvir afirmações do tipo “Ah, é legal, mas é filme de criança” ou “Não é filme, é desenho”, e fica claro que há um erro conceitual em questão. Animação não é gênero. Animação é forma. Um filme animado, é importante ressaltar, foi assim concebido por uma opção de linguagem, que pode tanto ter se dado levando em conta o seu principal público-alvo como por simples decisão artística, entre diversos outros motivos. Como forma, a animação (tradicional ou computadorizada) pode servir ao filme visual ou narrativamente; pode aparecer em qualquer gênero, da comédia pastelão ao melodrama.

Torna-se importante, pelo que foi exposto acima, encontrar filmes como Frozen que, apesar de serem claramente direcionados, no plano comercial, ao público infantil, funciona perfeitamente como bom cinema para qualquer plateia. A trama é simples: a partir de um acidente envolvendo seus poderes na infância, a princesa Elsa se vê obrigada a se isolar de tudo e de todos, inclusive de sua irmã Anna, de quem era muito próxima. Um acontecimento no dia de sua coroação, porém, expõe suas habilidades incomuns ao reino, e Elsa é obrigada a se isolar pela segunda vez – só que, agora, seu isolamento é ainda mais significativo.

As qualidades técnicas do longa são indiscutíveis, e a Disney Animation prova mais uma vez, após os ótimos Enrolados e Detona Ralph, que pouco deve à Pixar nesse quesito. O que pode se renovar em Frozen, porém, e merecidamente, é a fé do público da Disney na força dos musicais animados do estúdio. Se, em menor escala, A princesa e o sapo – que se revelava um todo maior que a soma de suas partes no que diz respeito às canções – e o já citado Enrolados – no qual a única faixa de sua trilha que parecia realmente sobreviver após a sessão era a bela “I See the Light” – vieram para reacender expectativas, é aqui que a Disney entrega um filme que, se não alcança, chega muito perto de alcançar jovens clássicos como O Rei Leão e A Bela e a Fera em termos musicais. A contratação do casal Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez para escrever temas para a produção revela-se então acertadíssima, visto que a grande maioria de suas composições funcionam independentemente ao mesmo tempo em que contribuem para o avanço da narrativa – de “For the First Time in Forever”, que contrapõe perfeitamente a carência afetiva de Anna ao medo que Elsa sente de se aproximar de outras pessoas, a “Let It Go”, que transmite de forma concisa tudo o que é preciso para o entendimento da transformação interior da irmã mais velha. Aqui ainda vale destacar os talentos vocais de Kristen Bell (Anna) e, principalmente, Idina Menzel (Elsa).

É muito bom constatar a eficiência de Frozen no cumprimento de sua proposta, que consiste em contar uma história calcada nos clichês estabelecidos pelo próprio estúdio (Disney) e subvertê-los sempre que possível. Vários exemplos consistem em spoilers, mas o maior deles, que permeia toda a projeção e tem seu ponto alto no clímax, é também o mais relevante: o foco. Primeiro, é preciso lembrar que Jennifer Lee, co-diretora (ao lado de Chris Buck) e roteirista do projeto, é a primeira mulher a dirigir uma animação produzida pelos Walt Disney Animation Studios. E então vale a pena se perguntar qual foi a última vez que se viu uma animação tendo princesa(s) como protagonista(s), nos moldes clássicos, na qual ela(s) não dependesse(m) de um personagem masculino com papel crucial na resolução de seu conflito – o Príncipe por excelência. Ou então na qual a história não enaltecesse o amor romântico como passo crucial para a felicidade. E é aqui que Frozen se revela mais inovador, delicado e, surpreendentemente, feminista. Sem fugir à fórmula clássica de história de princesa totalmente, o filme reitera que o amor é fundamental para o alcance da felicidade completa, mas abre o leque de possibilidades enfocando um amor fraternal no lugar do típico romântico. Um é tão válido, puro e belo quanto o outro. Também se destaca a independência das personagens femininas, especialmente de Elsa – embora conte com o apoio fundamental de sua irmã em sua jornada de auto-aceitação, a personagem revela-se perfeitamente capaz de lidar com seus próprios problemas, sem precisar ser salva por um príncipe encantado que venha em um cavalo branco. Aí, sim, reside a importância desse filme, que inevitavelmente fará parte da infância de muitas crianças. Não é algo desse tipo que queremos que nossos possíveis futuros filhos, e filhas, em especial, assistam?

José Henrique Ballini Luiz, 2H1