DínAmo

Nunca! Jamais! Prometo. Sempre! Ora, é claro. Volto a afirmar: inesquecível. Que que deu em você hoje? Está tudo bem? Quanto melodrama, credo… O quê? Já, sim. Já pensei nisso. Mas esse pensamento me apavora… Você tem medo? Não precisa ter, tá? Não vou dizer que estou aqui para te proteger, porque você sabe como é, não sabe? Eu não tenho esse poder todo… Mas eu estou aqui para muitas e muitas outras funções. E disso você sabe também, não sabe? Ok, eu inflo seu ego um pouco… Mas, só hoje! Lembra um dia em que discutíamos qual era a melhor forma de viver? Se era sendo famoso, ajudando às pessoas ou se desligando de tudo e de quaisquer responsabilidades e se jogar no que vier. Pois é, a gente concluiu que, pelo menos a princípio, era sendo o mais significativo e marcante para as pessoas mais próximas de nós. E, ah, você sabe que cumpre bem esse modo de vida. Ô se cumpre! Não precisa ter medo não! Se eu acho o quê? Claro que não! Nunca é tarde para tocar piano! Toca Vienna, porfa! Essa música se encaixa bem em você, sabia? É sim! Você é muito ansiosa! Temos tempo pra tudo! Cada coisa no seu tempo… Rá! Pensamento de velho, vamos combinar vai. Velho de cabeça, credo! Acaba por postergar tudo e não faz nem metade do que queria, não é? Tem que viver que nem você, mesmo. Não se culpe por ser intensa demais. Não, eu sei que você nunca se culpou, mas, se um dia isso passar pela sua cabeça, esqueça, ok? Deve ser uma delícia conseguir viver assim… Quisera eu! Tanto amor para dar e receber e nós aqui nos preocupando com a porcaria do nosso orgulho… Incrível como todo mundo diz que só quer amor mas essas pessoas não se encontram… Ainda bem que eu encontrei você. E ainda bem que éramos bem pequetitas, né? Deu tempo de a gente dividir bastante coisa! E ainda dá, não vamos falar como se você tivesse desaparecido desse nosso grande pequeno universo. Ah, a vida é o que está dentro de nós, né? É o que parece. Pare de brigar com meus erros de vírgula! Tá lindo, continua tocando. Tá tão confortável aqui, a gente podia ficar pra sempre… É verdade, tem razão, seria horrível, muito sem vida. Tem antialérgico? Oba! Obrigada! É o que dá sono? Ah, melhor. Eu só quero dormir.

Maíra Romero – 3H1

Estrelando

Olha! Não, olha de novo. Aquela estrela se mexeu! Meu pedido? Deixa-me pensar… Está bem. Ótimo. Quero ser estrela! Quero ser mais uma dentre todas que compõem esse espetáculo que estamos olhando agora. Sim, é isso! Não, não quero ser o Sol, fujo de responsabilidades. Seria ótimo, pense bem, ser estrela: quando eu me apagasse só reparariam depois de tanto tempo, que já não seria mais nem lembrada por mim mesma, e sim por uma imagem que ficou. É como viver duas vezes, não é? Vivo por mim no anonimato, e quando me percebem já nem estou viva. Não preciso ter medo de errar pois não arcarei com as consequências… Ora, isso sim é que é liberdade! Seríamos tão iguais que não se dariam ao trabalho de criar diferenças. Os amigos que teria seriam importantes, claro, nos dariam nome, nos chamariam constelação. Mas olhando de baixo, estaríamos todas juntas, sem muita diferença. O bonito seria o conjunto inteiro e não partes dele! Poderia me mexer e, assim, causar uma grande revolução, que não me julgariam! Aliás, adorariam e veriam na exceção algo lindo! Até fariam um pedido! Quanta superstição… e eu nem estaria mais lá, não é? E olha, o melhor: eu seria tão quentinha, que meu próprio calor me bastaria, eu não precisaria de ninguém mais! Ah, que diferença, que liberdade! Minha solidão me bastaria, imagine que sonho! Tantos pequenos tentariam me alcançar, e conforme a vida fosse passando iriam desistindo, porque lhes ensinam que o toque é melhor que a iminência, e só eu saberia que isso não é verdade. Não, minto… Só eu e aquele que nunca cresceu saberíamos! Você poderia ser estrela também! Sim, esse é meu pedido, mudei! Nós seríamos especiais, imagine… Nos bastaríamos mas teríamos um ao outro como extra, algo que nenhuma outra teria… E isso nos faria brilhar mais! Aquele brilho todo especial que só os apaixonados carregam nos olhos, sabe? Todos os que olhariam para nós saberiam que estávamos juntos. Causaríamos intriga, mas o que importa? Nossa vida seria quádrupla, só eu e você saberíamos o motivo disso! Tentariam por anos, décadas, séculos, milênios entender por que vivemos tanto. E, quando descobrissem, tudo mudaria, estariam todos salvos.

Maíra Romero, 3H1

Pelo canto do olho te vejo perto do bar. Aproveito para olhar e esse olhar só para quando você genuinamente o retribui. Você está indo pra longe, é como se eu te perdesse na multidão. Ou quase. Multidão desagradável, essa. Mas você ainda está lá, agora pronto para partir. Acho que sei que te perdi. Ora, esse meu orgulho. Por que raios não estou indo rápido falar com você? Já imagino tudo. Eu vou. Ah, vou, sim. Te cumprimento e te abraço, fingindo que esse é meu cumprimento habitual. Não preciso fingir. Não pra você. Sinto tanto seus braços, seu cheiro, seu calor. Não é como se o mundo tivesse parado para nós, nem como se a música tivesse baixado. Muito pelo contrário! Está tudo tão intenso, sobrecarregando meus sentidos, chega a ser inebriante. Em algum momento começamos a deslizar nossas bochechas, mas esse momento não importa, só o que sei é o que está por vir. Abro os olhos, só então percebendo que estavam fechados e você está me olhando. Ora, olhando pra quê? Quê é que se tem para olhar aqui? Por favor, pare. Você para e põe sua mão em meu rosto. Extasia-me esse toque, tenho medo de ter mais. Acho que sempre tive medo. Desde aquela vez, lembra? Não, não lembra. Foi tudo só em mim. Tem o direito de saber, você. É, você mesmo! Pois é, desde aquela tarde eu penso em você. Vai dizer que não percebeu… Mesmo se não tivesse percebido, parece que tive agentes externos, não é? Exatamente do jeito que eu não queria que fosse… Talvez tenha dado certo. Mas não se assuste, viu. Nada foi assim tão rápido. Ou talvez tenha sido, mas a percepção só veio bem depois. Desculpe, falo demais. Na verdade, falo de menos? É, realmente puxar papo não é meu forte, me desculpe. Não tem nada pra desculpar-me? Ora, claro que sim! Já te disse, sou péssima nesses assuntos. São novidade pra mim. Talvez pra você não seja, mas aí eu já não sei. Nunca te perguntei… Por que? Ah, é claro, vergonha ué… Não, é claro que não vou perguntar pra ninguém de fora sobre isso, não está em meus direitos… Você me pergunta se eu gosto dessa música? Não, não gosto nem sei como se dança… Ora, claro que quero dançar. Sim, preferiria se fosse uma das suas músicas… Bote um Chico, dancemos valsinha… Poxa, careta? Desculpe, sou romântica. Não tem nada pra me desculpar? Você sabe que tenho razão, falo demais. Obrigada por calar-me.

 

Maíra Romero, 3H1